quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Despedidas

A chuva escorria pela janela do táxi como se fosse lágrimas.Como as minhas.Talvez eu não devesse se quer ter saído de casa naquele dia.Ter dito que estava doente, sei lá.Eu estava quase chegando nesse ponto mesmo.Desci e acabei me molhando, assim como meus pobres relatórios.Mas quem se importava?Eu não.
Metade de uma bacia de purê de batatas não parecia suficiente naquela noite para saciar a minha dor e desânimo de fazer qualquer coisa.Até de levar a colher carregada de purê até a boca.O barulho do telefone tocando me assustou de tal forma que enfiei a cara no purê e derrubei a bacia no chão.Uma esperança cresceu em mim e não consegui me levantar.
- Filha? – Tudo se desmoronou como num castelo de areia – Sou eu. A mamãe – ah...Jura? – Pensei em ligar porque...Você não liga mais.Só pra saber se você está bem.Mães também têm saudades – Meus olhos se lotaram de mais lágrima e pulei do sofá para pegar o telefone.Meti o pé no aparadouro, mas e daí?
- MÃE? EU TAMBEM TENHO SAUDADES DE VOCE! EU QUERO IR EMBORA PRA CASA!
-Mas querida...Você está em casa!
- NÃO ESSA CASA MÃE! – eu chorava igual bebê.
- Mas meu bem o que houve? – de repente me lembrei que quando minha mãe fazia esse tipo de pergunta não era aconselhável responder.Afinal, era minha mãe.
- Ah... – mudança de voz – Eu...Cortei o dedo descascando batatas, só isso – o que de fato não era mentira.
- Ora! Então pare de drama Isabela Kemper! Você sempre foi dramática.Desde criança sempre gostou de fazer drama com tudo.Lembro-me uma vez que seu avô... – revirei os olhos.
- Estou bem mãe! Ligo na semana que vem! Te amo, tchau! – desliguei.Ah, qual é? Eu não tava com paciência nem pra mim mesma.Sentei-me novamente em frente da TV e recuperei minha bacia.
Comecei a pensar.Pensar sobre tudo.Sobre Landon, sobre Henry...Sobre North High...Uma série de pessoas e acontecimentos foram se passando pela minha cabeça até eu perceber que estava lambendo a ponta da colher de purê já há algum tempo.
Afinal, valia mesmo a pena largar tudo em NY?Tudo o que eu havia construído até então?Uma vez meu pai me disse que as pessoas felizes são aquelas que arriscam tudo na vida.Que não tem medo de jogar tudo pro alto pra correr atrás do que querem.E eu definitivamente não estava feliz.E nem ficaria.Não ao lado de um homem que não me corresponderia, e ainda por cima tendo que vê-lo todos os dias no meu trabalho.É cara.No meu trabalho.Eu não ia ter sucesso nenhum mesmo.Em nada.
Decidi que havia tomado a decisão certa e pronto.

Acordei sem muita animação para começar a preparar minhas malas.Decidi que não ia levar muita das minhas roupas.Se era pra mudar de país eu ia mudar com estilo.Literalmente.Olhei em volta.Eu tinha pensamentos bem diferentes dos atuais quando pisei ali.Soltei uma risada irônica. De repente meu olhar se votou para a segunda estante da mesinha do telefone.Aquele livro púrpura novamente.Hesitei um instante se devia pegá-lo e lá estava eu folheando meu anuário “North Hight – Turma de 87”.Eu realmente não fazia idéia do que estava por vir no dia em que o encontrei por acaso na minha mudança.Landon tinha a mesma expressão facial da de hoje.Um olhar manso de canto de rosto, talvez um pouco sarcástico.Meu celular tocou retirando-me de minhas lembranças colegiais.
- Bom dia Isa...Srta. Kemper!
- Oh...Bom dia Sr. Delaney – respondei sem o mesmo entusiasmo dele.
- Estou ligando para avisá-la que nosso vôo será as 20:00.Espero que já esteja se preparando.
- Ah, sim, claro.Estou.
- Muito bem então.Que horas eu te pego?
- Ah...que horas...Que horas me pega?
- Sim, para levá-la ao aeroporto.
- OH! CLARO! – risada forçada – Ah, creio que eu posso pegar um táxi Sr. Delaney.
- Tem certeza?
- Sim.
- Como preferir, até mais tarde!

Eu tinha que ter criado aquele clima ridículo não é? Eu era especialista nisso.E ele estava mesmo empolgado.Eu também deveria estar, afinal a decisão de ir foi minha.Apenas minha.Droga! Falei fechando o anuário com certa raiva.Eu precisava passar na Own Business para acertar minha saída!
Quando desci do carro e olhei aquele prédio empresarial me deu uma certa nostalgia antecipada.Respirei fundo e peguei o elevador.

- Bom dia Cyntia! Preciso assinar alguns pap...
- Eu sei querida! Eu sei de tudo – disse ela se apressando em pegar os papéis necessários para eu assinar.Seus olhos estavam marejados – EU NÃO ACREDITO – berrou ela chorando e olhando em volta se recompondo – que a srta. vai sair da Own Business!
- Oh Cyntia! – Me senti feliz, ao menos alguém vai sentir minha falta – Mas eu não vou embora para sempre.Algumas vezes terei de vir a NY para acertar acordos entre a McDell e a Own Business – e ao dizer isto senti uma pontada no peito de ter que voltar lá.Ela me olhou com um olhar doce por trás dos oclinhos e sorriu.
- Agora vamos logo com isso! Detesto despedidas! – Eu também, pensei.
- Srta. Kemper? – virei-me.
- A Srta. não achou que ia embora sem ao menos me dizer adeus não é mesmo? – o Sr. Tanehill estava parado bem ali segurando um pequeno buquê de flores.
- Sr. Tanehill! Mas é claro que não! – Me aproximei e me perguntei se deveria abraçá-lo.Tarde de demais.Eu já havia abraçado.Ele respondeu o abraço meio sem jeito mas me abraçou também.
- Cuide-se na Inglaterra Srta – e me entregou o buquê.Seus olhos também estavam marejados apesar de ele tentar esconder – A Inglaterra tem o maior índice de morte por álcool depois da Irlanda – falou ele com todo aquele ar sábio.Não consegui conter o choro.
- Certo – falei – Eu vou...me lembrar disso.
- NÃO-A-CRE-DI-TO! – berrou Linda Kraft desfazendo o sorriso que existia em minha face – Então é verdade mesmo? Tipo...MESMO? – Ela parecia mais feliz do que nunca – Você vai embora pra...nunca mais voltar?
- Vou Linda.Vou.
- YES! – falou ela dando as costas saltitante.Que se foda, pensei eu. Meu olhar se desviou para a sala de Landon.Ele estava parado com as duas mãos dentro do bolso nos observando por traz das persianas.Mas eu o via perfeitamente.Seu olhar era frio e indecifrável.Quando nossos olhares se encontraram ele deu as costas.
- Orgulhoso como sempre – falei em voz baixa.
- Perdão srta? – Perguntou Cyntia.
- Hã...Nada.Bem, acho que já vou indo, já me demorei demais por aqui – Dei um abraço rápido em todos.Quer dizer, Cyntia e sr. Tanehill, porque se falo todos parece que foi muita gente.
- Boa Sorte – disse uma voz atrás de mim.Mas eu já sabia de quem era.Me virei e encarei Landon com o olhos tão cheios de lágrima que se eu fizesse qualquer movimento elas cairiam.
- O-Obrigada.Para você...Para o Sr. também.
- Aproveite muito sua estadia e lembre-se de que se você se casar com um inglês o seu visto de morada permanente sairá muito mais rápido – Ele havia dito isso na frente dos funcionários mas não parecia se importar muito.Virou-se e bateu a porta.Bateu mesmo!Desta vez as lágrimas caíram e eu saí da Own Business sem data para voltar batendo os saltinhos com Angelina Aniston costumava fazer muito bem.Peguei o elevador e dei uma ultima olhada nele.Quando dei por mim já estava no térreo cercada pelo imenso hall de entrada.

- AH! QUAL É? – escutei alguém berrar atrás – VOCE VAI MESMO EMBORA SEM ME DIZER TCHAU SUA VADIA?
- DANIEL! – berrei de volta para o homem parado de braços abertos no hall de entrada do prédio – Estamos no meio do hall de entrada! – corri e lhe dei um abraço apertado chorando.
- Ah e daí? Você vai embora mesmo, ninguém vai mais lembrar quem eu chamei de vadia. – eu o olhei como se eu fosse uma criança abandona – Ah! Para com isso!Up garota, você ta indo pra Inglaterra com o maior gato que eu já vi!- dei uma leve risada – Tem algo programado pra fazer agora?
- Bem...Na verdade não.Tenho que estar no aeroporto as 20:00, só isso.
- Vai estar.Mas antes você vai para uma despedida – falou ele piscando o olho direito – Comigo.
- Daniel... – falei enquanto ele passava seu braço por cima do meu ombro para caminharmos.
- Ah, o que é?Vamos! Se não nunca mais te pago Coca Diet na vida!
- Ei, fui eu que paguei!
- Não faz mal.Deixa que agora eu pago, mas a gente pode trocar a Coca Diet por uma Vodca com limão?




Isa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

I Can't Let Go - Cap. 22 - Estilhaços de Saudade.

Anestesiada. Se tivesse alguma palavra para caracterizar meu sentimento seria esta. Não me importava mais. Não me importava se Cintya me trouxesse uma pilha de relatórios para finalizar. Eu o faria. Não me importava se Linda Kraft passasse do meu lado com um sorriso impune nos lábios. Eu não riria. Não me importava se o tempo passasse rápido ou devagar, nem mesmo se ele passava. Eu não estava mais vivendo. Era como se o mundo girasse tão rápido enquanto eu me movia em câmera lenta. Sem som nem cor. Sem vida. Sem Landon.
Era como se nada nunca tivesse existido entre nós. Era como se nunca tivéssemos nos olhado, nos beijado ou mesmo...nos amado. Não me virava mais para a sua sala quando ouvia o ressoar de seus sapatos chegando. Não sabia se ele olhava para mim ou não. Para mim, não existia mais ninguém.
-Meu Deus, querida. O que houve com o seu cabelo? – Perguntou Daniel com uma leve cara de nojo sentando-se no cubículo ao lado. Eu nem desviei os olhos, meu queixo pesando sobre minha mão. Nem lembrava de como estava meu cabelo. Preso, talvez.
- Não sei. Provavelmente um esquilo tenha feito um ninho nele, sei lá. – Disse suspirando. Daniel torceu o nariz com uma cara de desapontamento e me entregou um copo fumegante de café, como de costume. O cheiro me animou um pouco. Sorri meio de lado. – Obrigada...
Daniel continuou a me encarar.
- Você precisa sair dessa fossa! Me diz, o que vai fazer essa noite? – Bufei baixo e depois dei um gole longo no café.
‘ - Hum...além de planejar meu suicídio. Nada. Por que?- Daniel não pareceu achar graça.
- Então você vai sair comigo! Vamos sair para jantar ou dançar! Que tal? – Ele me pareceu muito animado, mas só de pensar em sair daquela poltrona me dava mal estar.
-Muito obrigada, Dan, mas acho que vou passar dessa vez.- Afundei na cadeira me empurrando de volta para o computador.- Quem sabe na semana que vem, não? – Disse tentando parecer tão animada quanto ele. Não deu muito certo. Ele me fuzilou com os olhos e não disse nada. Apenas empurrou a cadeira e voltou a trabalhar. Que ótimo. Agora até ele estava bravo comigo. Mordi os lábios e também me ajeitei na cadeira.
O som do telefone veio mais alto do que o costume ( ou eu tinha mesmo esquecido do quanto ele era alto). Estendi o braço lentamente hesitando em descobrir quem era na outra linha. Tirei-o do gancho.
-Alo?- Soei rouco.
- Srta. Kemper?- Meu coração deu um salto gigantesco no meu peito. Achei que fosse parar. Aquela voz grossa... Aquele sotaque...
-S-Sim...Pois não?- Tentei soar natural.
-É o Sr. Delaney... - Eu congelei. – Da Inglaterra...está lembrada? – Continuou ele não ouvindo nenhuma resposta. Ele ainda estava aqui?!
- Sim! Oh! Claro! – Eu estava prestes a ter um ataque. Como poderia ter me esquecido que o meu monstruoso problema também envolvia Sr. Delaney? – Como tem passado?
- Perdido na verdade. Não sei como vocês, Nova-iorquinos, se acostumam com essa cidade caótica! – Tentei forçar uma risada que não saiu.
- É verdade. Nem sei como me acostumei! – Não me acostumei, simples assim. Pensei comigo mesma.- Então, o que posso fazer pelo senhor?
- Oh, sim. Eu estou indo embora amanhã logo cedo. Tenho que pegar os contratos assinados para levar de volta para a empresa. Agora está uma boa hora para você?
- Boa hora para que? – Soei confusa.
- ...Para pegar os contratos...! – Ele pareceu mais. Constrangimento.
-Ah! Sim! – Tentei retomar a conversa sem parecer estúpida. – Claro que está! O senhor pode vir a qualquer momento que os contratos já estão aqui na minha mesa. – Na verdade não estavam, mas acho que ele não ia perceber minha mentira do outro lado da linha telefônica.
- Está certo então. Passarei aí daqui uma hora. – Por que eu não conseguia parecer tão calma e indiferente como ele?
- Esperarei! Até! – Desliguei o telefone e uma corrente gelada subiu pelas minhas costas. Talvez fosse pavor. Suspirei fundo e passei a mão pelo rosto. “Calma, Isabela. Você pode fazer isso! Só pareça o mais indiferente e profissional possível!”. Repeti para mim. Passei a mão pelo cabelo. Parecia realmente um ninho de esquilos! Eu precisaria pelo menos passar uma água no rosto antes do Sr. Delaney chegar. Pulei na cadeira e corri para o banheiro, tentando não notar o olhar de todas as funcionárias que me seguiram até o corredor. Linda Kraft era mesmo uma vadia fofoqueira.

Não demorou muito até Cintya me ligar dizendo que o Sr. Delaney havia chego. Ele não estava brincando quando disse que os Ingleses eram pontuais. Peguei os contratos recém imprimidos e me dirigi a recepção tentando parecer o mais indiferente possível, mas foi só vê-lo esperando por mim no saguão que senti minhas pernas enfraquecerem. Tentei sorrir e estendi a mão para cumprimentá-lo.
-Sempre pontual! – Disse com um sorriso forçado. Ele estendeu a mão e apertou suavemente a minha sorrindo também. Meu deus, havia me esquecido o quanto ele era bonito!
- Srta. Kemper! Posso ressaltar o quanto está encantadora hoje? – Nossa. E mentia bem também! Respondi apenas com um sorriso meio sem graça. Mesmo depois da nossa noite catastrófica ele ainda achava forças para me parecer cortes e extremamente educado. Como conseguia segurar as pontas daquele jeito quando eu estava prestes a despedaçar?
- Vamos entrar, então? – Disse estendendo a mão para mostrar a sala de vidro que usávamos para atender os outros empresários. Ele passou por mim adentrando na sala e eu logo o segui, tentando manter uma distancia... Profissional? Eu sentei primeiramente e ele logo veio sentar-se do meu lado, quase na ponta da mesa. Engoli seco tentando fingir que a proximidade não me incomodava. Retirei os contratos da maleta sem ao menos encara-lo nos olhos, mas podia sentir os seus colados na minha face. Por que ele estava me encarando? Minhas mãos tremiam de leve. Parecia ter voltado aos meus 15 anos no North High. O que estava acontecendo comigo? Por que não conseguia me comportar como uma mulher adulta que era? Dês do incidente com Landon não conseguia mais pensar direito. Era como se só pudesse ser uma mulher completa....ao lado dele. Aquela constatação me deu um nó na garganta. Doeu engoli-lo. Querendo ou não, eu sentia falta de sua presença. Sentia falta mais do que deveria sentir. Mas era doloroso de mais ficar ao seu lado,e pior ainda sem ele. Tentei me recompor.
- Bem, os contratos estão aqui, prontos, o que falta é a sua assinatura de alegação. – Disse encarando o papel que explicava.- Bem aqui. – Apontei com a caneta e estendi para ele assinar. Ele não a pegou. Eu fui obrigada a levantar o olhar para ver o por que daquilo. Ele ainda me encarava com aqueles olhos fundos de um azul escuro. Um sorriso leve florescia no canto dos lábios. Eu estremeci.
-Está tu-tudo bem? – Minha voz saiu falhada e um pouco mais assustada do que deveria. Ele assentiu devagar e pousou sua mão levemente na minha. O que estava acontecendo? Meu coração deu outro pulo sem entender. Tinha alguma coisa estranha. De repente ouvi a porta ser aberta atrás de nós. Virei a cadeira, sua mão ainda sobre a minha. Meus olhos arderam como nunca antes. Landon estava lá. Parado na porta, sem entender assim como eu. Afinal, o que ele estava fazendo aqui? Minha respiração saiu dolorida. Foi quando percebi o que o incomodava. Tratei de retirar rapidamente minha mão debaixo da do Sr. Delaney, ainda não entendendo o porquê daquela ação. Landon encarou-me com um olhar indecifrável. Eu respondi o olhar, não ao menos sabendo o que queria dizer. Demorou para percebermos que não estávamos sozinhos na sala e que aquilo provavelmente não seria adequado junto de um cliente. Ele baixou o olhar e voltou para Henry.
-O senhor pediu para me chamar, Sr. Delaney? – Ele havia? Quando? E Por que? O procedimento era simples, não havia necessidade de chamar o chefe para tal reunião.
-Sim, pedi para Cintya. Sente-se, por favor. Eu já ia falar com a Srta. Kemper mas já que se juntou a nós agora falarei de uma vez.- Ele assentiu e pos se a caminhar. Meus olhos acompanhavam cada passo como se fosse um ato perfeito. Eu não podia entender como eu me sentia sobre ele. Era um amor tão incondicional, mas ao mesmo tempo uma vontade de fugir o mais longe possível. Ele deu a volta na mesa e foi se sentar do outro lado, de frente para nós.
-Prossiga, então. – Ele disse com um leve tom de curiosidade.
-Bem, eu estava falando com o gerente da minha empresa e ele acabou por mencionar que um novo cargo se tornou desocupado, o de gerente de compras. Um cargo bem importante para o nosso setor. – Landon assentia enquanto Henry falava, esperando fazer o seu ponto.- E eu acabei me perguntando... qual seria a importância da Srta. Kemper nesta empresa?
Nós dois permanecemos estáticos. Será mesmo que ele estava querendo dizer aquilo? Sr. Delaney continuou a esperar pela resposta.
- Qual seria a importância de Isabela nessa empresa? – Landon repetiu, me tratando com mais casualidade do que o de costume. O meu nome soou estranho de seus lábios.
-Sim. – Confirmou Henry.- Eu acho que Isabela realmente se enquadra no perfil de nosso trabalho.- Landon abaixou a cabeça por alguns instantes. O que aquilo significaria? Me mudar dali? Mas eu acabara de chegar! Ele levantou os olhos para mim.
-Acho que quem deveria decidir essa questão é a própria Senhorita Kemper.- Disse voltando ao tom coloquial, soando ainda sim com a voz meio arranhada. – Sei que acharei outra pessoa para trabalhar em seu lugar. Se ela quiser ir, pode ir.- Seu semblante era neutro. Uma total indiferença. Aquilo foi como uma flechada no peito. Tive que fechar os olhos por alguns instantes para não demonstrar o quanto estavam vermelhos. Eu realmente seria substituída. O que estava pensando? Que Landon me pediria em casamento e viveríamos felizes para sempre? Era apenas um caso, como qualquer outro. Eu me deixei ter um valor que não tinha. Para ele, eu era apenas mais uma funcionária. Como qualquer outra.
- E então Isabela? O que me diz? – Perguntou Sr. Delaney virando-se para mim. – Gostaria de fazer parte da minha repartição? Sei que será bem vinda!
Eu suspirei tepidamente. Encarei os olhos de Landon com a mesma anestesia que tinha vivido nos últimos tempos. Minha esperança acabara de ser destruída. Eu não era nada, e me sentia assim. Que diferença teria estar aqui, ou do outro lado do mundo se em nenhum lugar teria-o? Ele não me amava, e eu o amava de mais. Aquilo nunca iria terminar bem.
- Eu adoraria, Sr. Delaney, fazer parte de sua repartição. – Nenhum sorriso. Nenhuma entonação. Meus olhos fixos nos de Landon. Ele desviou quando ou respondi.
- Que ótimo! Estou muito satisfeito Srta. Kemper! Bem vinda! – A voz de Henry soavam no fundo e eu nem se quer prestava atenção. Só via Landon de levantar em um silencio pavoroso, me encarar de canto de canto dos olhos e sorrir fraco.
- Parabéns, Isabela... – Foi o que ele conseguiu dizer. Aquilo me estilhaçou. Tudo que havia segurado se desfez em milhões de pedaços. Ele se retirou em uma calma despedaçante, ou será que eu que passei a viver em câmera lenta? O que importava? Nada. Para mim a vida acabara de acabar.

domingo, 14 de junho de 2009

I Can't Let Go - Cap 21 - Máquina rosa-choque

As batidas ecoaram na porta mais e mais vezes. Pareciam impacientes.Bastante impacientes.Não me dei ao trabalho de levantar da mesa e nem de mudar a posição que eu me encontrava. Tudo parecia tão perfeito que eu não queria que fosse interrompido por nada.Meu coração permanecia acelerado e as mãos um tanto suadas.O que aquilo significava? Será que Daniel estava certo quando disse que eu poderia estar...Não! Claro que não. Que besteira essa minha. O tempo foi se passando e Landon não voltava. O desejo já não era mais o mesmo do momento que ele havia me deixado com saia acima dos joelhos. BEM acima dos joelhos.Sentei-me. Eu poderia ler Sheakspeare sem nenhum problema. Na verdade eu estava ficando tão entediada que poderia ler um daqueles relatórios que eu sempre mentia pra Landon dizendo que já havia enviado para algum lugar, tipo o México.

Ainda nada de Landon. Cogitei a hipótese de tê-lo ouvido mencionar algo quando atendeu à porta, pois o silêncio era tão grande que nem parecia que eu não estava sozinha naquele apartamento enorme.Senti uma vontade enorme de gritar ‘ÉEÉCOOOOOOOO’, mas me contive.Contentei-me em apenas dar uma leve risada da minha própria solidão.Olhem pra mim, pensei. Vim até a casa do meu chefe e estava me pegando muito forte com ele em cima da mesa de jantar! E... com a saia acima dos joelhos.Eu não tenho vergonha?Não.E ainda por cima ele sumiu.Ele deve ter te largado, Isabela, sua boba. Por um instante aquilo me ocorreu de verdade. O que será que ele tanto fazia na sala? Seja o que quer que fosse deveria ser importante, pois ele já estava lá há algum tempo. Minha curiosidade foi maior.Levantei de um salto e resolvi dar uma espiadinha por traz da cortina da sala de jantar.
Ele estava com a porta do hall de entrada semi aberta e havia alguém por traz dela com quem ele não parecia estar muito feliz. Estiquei o pescoço, mas era impossível ver o rosto. A única coisa visível era um par de sapatos feminino bregas com laços extravagantes na ponta.Eles cochichavam.

- Eu não quero mais nada disso, entendeu? Agora suma daqui! E cuide disso pra mim também – consegui ouvir Landon falar. Devia estar quase fazendo linguagem labial.
- Isabela...ISABELA KEMPER? – aquela figura minúscula conseguiu me detectar mesmo sem eu saber que podia ser vista. Linda Kraft segurava um pacote e uma máquina fotográfica – eu sa-bi-a! – falou com voz estridente.Recompus-me colocando os ombros pra traz e caminhei na direção dos dois. Encostei-me levemente na parede cruzando o pé direito por cima do esquerdo e cruzando os braços numa posição de indiferença.
- Sim, Linda. Eu mesm...- mal pude terminar a frase por quase ficar cega com um flash abusivo que veio em meus olhos. Ouvi Linda dar um gritinho de prazer acompanhado de um pulinho infantil.
- O que você pensa que está fazendo? – perguntou Landon irritado enquanto eu esfregava os olhos.
- Garantindo meu emprego, querido – respondeu ela.
- Querido? – falei eu irritada – Desde quando você tem essa liberdade pra falar assim com seu chefe?
- Liberdade com o chefe é? Tem certeza que é de mim que estamos falando Isabela? – e sorriu maliciosamente. Meu sangue ferveu e dei dois passos à frente.
- SRTA KEMPER pra você – falei raivosa. Landon estendeu o braço se opondo a meu corpo.
- Acalme-se. Apague esta foto agora Srta. Kraft. É uma ordem. – Disse Landon nervoso.
- HÁ! Mas não apago mesmo! – respondeu ela.
- Ah, mas apaga sim! – falei feroz erguendo o pé direito para avançar pra cima dela e de sua máquina rosa-choque, mas parei igual a uma bailarina desengonçada no ar presa pelos braços de Landon.Linda deu dois passos para traz amedrontada.
- Encoste um dedo seu em mim e amanha esta foto vai parar na primeira página da National Business Magazine – Landon e eu arregalamos os olhos e ela sorriu – Imaginem só: a funcionária mais queridinha da Own Business na casa do Sr. Dylar em plena luz do dia e...com o batom borrado!Qual seria a manchete? – e deu uma gargalhada prazerosa.Passei os dedos finos em volta da boca e...Sim. Meu batom estava borrado. Landon fez uma expressão de fracasso e eu senti pena – Vocês sabem...Eu fico imaginando o que o Sr. Dylar pai diria se visse esta foto enquanto toma seu café da manhã e – mais risos – lê seu jornal matinal.
Landon abaixou a cabeça e colocou a mão esquerda no bolso.Retirou sua carteira e a abriu.
- Quanto é você quer Linda? – perguntou ele tirando duas notas altas da carteira.Linda arregalou os olhos.
- Não faça isso! – disse eu em tom desesperador e colocando a minha mão sobre a dele – Não entre no jogo sujo dela!
- Jogo sujo? – perguntou ela em tom irônico – E aquelas fotos que o Sr. me pediu pra tirar, por acaso é jogar limpo?
- Quais fotos? – perguntei eu.
- Não há nenhuma foto – Landon se apressou em dizer.
- Não, é? – falou ela me encarando.
- Vá embora Linda! – gritou ele.
- Não quer contar à ela não é?
- Contar o quê? - Perguntei confusa.
- Nada! Saia daqui Linda. – disse Landon desesperado.
- NÃO! – gritei eu – agora eu quero saber do que vocês estão falando!
- O seu querido e sexy Sr. Dylar – começou a explicar Linda dando uma entonação falsa às ultimas palavras – ele me pediu ontem à noite, depois de ter bebido alguma coisa alcoólica pra que tirasse algumas fotos suas e do Sr. Delaney enquanto vocês jantavam.Uma espécie de vigia sabe? – disse ela risonha. Minha expressão foi se mudando de fúria para tristeza e a minha mão que permanecia sobre a dele numa tentativa de impedimento com o dinheiro se retirou como num ato reflexo – E isso não é tudo. Ele me pediu pra que cuidasse do caso do Sr. Delaney nos Estados Unidos até sua data de partida. Não é demais? – Encarei Landon. Ele estava de cabeça baixa.Meus olhos se encheram d’água.
- Olhe pra mim Landon – falei eu.Não houve resposta – OLHE! – berrei.Ele levantou lentamente os olhos e me encarou fundo.Uma lágrima que não consegui conter escorreu pelo meu olho direito.Linda parecia se divertir muito com tudo aquilo – Me diga, por...Por favor, que isto não é verdade – foi tudo o que consegui dizer.Ele não negou e nem assentiu.Apenas permaneceu com o olhar fixo em mim.Um olhar de piedade e desespero.Ele fez um gesto leve com o braço esquerdo e, sem querer, deixou escapar algo que estava preso e escondido por entre seus músculos.Era uma foto.Uma foto minha e de Henry caminhando lado a lado em direção ao carro dele estacionado.
- Bem... – falou linda quebrando o silêncio – acho que não precisamos explicar mais nada não é? – Landon ficou com as bochechas rosadas e sem reação.Eu balancei a cabeça negativamente e me retirei para dentro do apartamento à procura da minha bolsa.Quando a encontrei, passei bruscamente pela porta mas Landon segurou meu braço, como costumava fazer.Eu o olhei, mas não havia o que dizer.
- Eu não esperava que você fosse ter uma atitude tão infantil quanto essa – falei deixando escapar outra lágrima – Eu pensei que todas elas haviam ficado em North High.
Dei ás costas em direção ao elevador.Linda veio logo atrás de mim e eu resolvi usar as escadas, por mais esforço que aquilo fosse exigir.
Como ele pôde?Foi frio e calculista. E há um segundo atrás eu estava me pegando forte com ele com a saia acima dos joelhos! Ora essa! As coisas pareciam estar dando tão certo...Por que logo agora?Eu não devia ter entrado na Own Business. Peguei o primeiro táxi pra Own Business.Enfiar a cabeça no trabalho era a melhor coisa a fazer. Meu celular tocou bruscamente me retirando da minha melancolia. “ Landon chamando”.Apertei o botão ‘ignorar’.

- Olá Srta. Kemper! Pensei que não voltaria mais hoje! – Falou Cyntia sorridente – E porque está andando tão rápido?
- Olá Cyntia. Eu...Eu não sei, estou um pouco nervosa.
- Oh, algo que eu posso ajudar?
- Hã...Não, nada demais. É só...O trânsito caótico! – falei pensando na primeira coisa que me veio à mente.
- Mas a senhorita não veio de táxi? – perguntou ela com um ponto de interrogação na face.
- Vim... É que, sei lá!O trânsito nova-iorquino estressa qualquer um.
- A senhorita tem visita – disse ela.
- Quem? – perguntei eu com uma voz cansada.Cyntia apontou para às minhas costas.
- Eu-posso-saber porque NEM você e NEM o Sr. Dylar, como ele prefere ser chamado, estavam na Own Business até AGORA? – Perguntou –me Angelina batendo o saltindo prateado no chão, com os braços cruzados sentada na cadeira de espera. Eu devia ter entrado tão depressa que nem reparei que ela estava sentada ali.
Mas não. Outra eu não ia agüentar – NHEI? – tornou ela a perguntar.Conforme ia falando seu tom de voz ia subindo.E a minha dor de cabeça acompanhada da minha falta de paciência, também – EU FIZ UMA PERGUNTA!
- POR QUE NÓS ESTÁVAMOS NA CAMA! – berrei.Arrependi-me dois segundos depois de falar, ou melhor, berrar o que havia berrado.Cyntia ficou perplexa e Angelina se encolheu de medo.
- Srta. Kemper! – Falou Cyntia forçando um sorriso – Não precisamos nos exaltar, não é? É CLARO que é está apenas brincando srta. Aniston- a minha sorte foi que não havia ninguém além de nós três ali.Angelina levantou e pegou a bolsa.
- Eu nunca fui tão insultada em toda minha vida – falou ela, e ao dizer isso, percebi que não havia levado à sério o que eu falei. ‘Ufa’ pensei eu – O Sr. Dylar vai saber disso – disse ela saindo com o saltinhos fazendo tac tac.
Que fale! Pensei eu. Eu não queria mais problemas.Trabalhar era a melhor coisa no momento.
- Cyntia, me leve uma xícara de café, por favor.



Isa.