domingo, 14 de junho de 2009

I Can't Let Go - Cap 21 - Máquina rosa-choque

As batidas ecoaram na porta mais e mais vezes. Pareciam impacientes.Bastante impacientes.Não me dei ao trabalho de levantar da mesa e nem de mudar a posição que eu me encontrava. Tudo parecia tão perfeito que eu não queria que fosse interrompido por nada.Meu coração permanecia acelerado e as mãos um tanto suadas.O que aquilo significava? Será que Daniel estava certo quando disse que eu poderia estar...Não! Claro que não. Que besteira essa minha. O tempo foi se passando e Landon não voltava. O desejo já não era mais o mesmo do momento que ele havia me deixado com saia acima dos joelhos. BEM acima dos joelhos.Sentei-me. Eu poderia ler Sheakspeare sem nenhum problema. Na verdade eu estava ficando tão entediada que poderia ler um daqueles relatórios que eu sempre mentia pra Landon dizendo que já havia enviado para algum lugar, tipo o México.

Ainda nada de Landon. Cogitei a hipótese de tê-lo ouvido mencionar algo quando atendeu à porta, pois o silêncio era tão grande que nem parecia que eu não estava sozinha naquele apartamento enorme.Senti uma vontade enorme de gritar ‘ÉEÉCOOOOOOOO’, mas me contive.Contentei-me em apenas dar uma leve risada da minha própria solidão.Olhem pra mim, pensei. Vim até a casa do meu chefe e estava me pegando muito forte com ele em cima da mesa de jantar! E... com a saia acima dos joelhos.Eu não tenho vergonha?Não.E ainda por cima ele sumiu.Ele deve ter te largado, Isabela, sua boba. Por um instante aquilo me ocorreu de verdade. O que será que ele tanto fazia na sala? Seja o que quer que fosse deveria ser importante, pois ele já estava lá há algum tempo. Minha curiosidade foi maior.Levantei de um salto e resolvi dar uma espiadinha por traz da cortina da sala de jantar.
Ele estava com a porta do hall de entrada semi aberta e havia alguém por traz dela com quem ele não parecia estar muito feliz. Estiquei o pescoço, mas era impossível ver o rosto. A única coisa visível era um par de sapatos feminino bregas com laços extravagantes na ponta.Eles cochichavam.

- Eu não quero mais nada disso, entendeu? Agora suma daqui! E cuide disso pra mim também – consegui ouvir Landon falar. Devia estar quase fazendo linguagem labial.
- Isabela...ISABELA KEMPER? – aquela figura minúscula conseguiu me detectar mesmo sem eu saber que podia ser vista. Linda Kraft segurava um pacote e uma máquina fotográfica – eu sa-bi-a! – falou com voz estridente.Recompus-me colocando os ombros pra traz e caminhei na direção dos dois. Encostei-me levemente na parede cruzando o pé direito por cima do esquerdo e cruzando os braços numa posição de indiferença.
- Sim, Linda. Eu mesm...- mal pude terminar a frase por quase ficar cega com um flash abusivo que veio em meus olhos. Ouvi Linda dar um gritinho de prazer acompanhado de um pulinho infantil.
- O que você pensa que está fazendo? – perguntou Landon irritado enquanto eu esfregava os olhos.
- Garantindo meu emprego, querido – respondeu ela.
- Querido? – falei eu irritada – Desde quando você tem essa liberdade pra falar assim com seu chefe?
- Liberdade com o chefe é? Tem certeza que é de mim que estamos falando Isabela? – e sorriu maliciosamente. Meu sangue ferveu e dei dois passos à frente.
- SRTA KEMPER pra você – falei raivosa. Landon estendeu o braço se opondo a meu corpo.
- Acalme-se. Apague esta foto agora Srta. Kraft. É uma ordem. – Disse Landon nervoso.
- HÁ! Mas não apago mesmo! – respondeu ela.
- Ah, mas apaga sim! – falei feroz erguendo o pé direito para avançar pra cima dela e de sua máquina rosa-choque, mas parei igual a uma bailarina desengonçada no ar presa pelos braços de Landon.Linda deu dois passos para traz amedrontada.
- Encoste um dedo seu em mim e amanha esta foto vai parar na primeira página da National Business Magazine – Landon e eu arregalamos os olhos e ela sorriu – Imaginem só: a funcionária mais queridinha da Own Business na casa do Sr. Dylar em plena luz do dia e...com o batom borrado!Qual seria a manchete? – e deu uma gargalhada prazerosa.Passei os dedos finos em volta da boca e...Sim. Meu batom estava borrado. Landon fez uma expressão de fracasso e eu senti pena – Vocês sabem...Eu fico imaginando o que o Sr. Dylar pai diria se visse esta foto enquanto toma seu café da manhã e – mais risos – lê seu jornal matinal.
Landon abaixou a cabeça e colocou a mão esquerda no bolso.Retirou sua carteira e a abriu.
- Quanto é você quer Linda? – perguntou ele tirando duas notas altas da carteira.Linda arregalou os olhos.
- Não faça isso! – disse eu em tom desesperador e colocando a minha mão sobre a dele – Não entre no jogo sujo dela!
- Jogo sujo? – perguntou ela em tom irônico – E aquelas fotos que o Sr. me pediu pra tirar, por acaso é jogar limpo?
- Quais fotos? – perguntei eu.
- Não há nenhuma foto – Landon se apressou em dizer.
- Não, é? – falou ela me encarando.
- Vá embora Linda! – gritou ele.
- Não quer contar à ela não é?
- Contar o quê? - Perguntei confusa.
- Nada! Saia daqui Linda. – disse Landon desesperado.
- NÃO! – gritei eu – agora eu quero saber do que vocês estão falando!
- O seu querido e sexy Sr. Dylar – começou a explicar Linda dando uma entonação falsa às ultimas palavras – ele me pediu ontem à noite, depois de ter bebido alguma coisa alcoólica pra que tirasse algumas fotos suas e do Sr. Delaney enquanto vocês jantavam.Uma espécie de vigia sabe? – disse ela risonha. Minha expressão foi se mudando de fúria para tristeza e a minha mão que permanecia sobre a dele numa tentativa de impedimento com o dinheiro se retirou como num ato reflexo – E isso não é tudo. Ele me pediu pra que cuidasse do caso do Sr. Delaney nos Estados Unidos até sua data de partida. Não é demais? – Encarei Landon. Ele estava de cabeça baixa.Meus olhos se encheram d’água.
- Olhe pra mim Landon – falei eu.Não houve resposta – OLHE! – berrei.Ele levantou lentamente os olhos e me encarou fundo.Uma lágrima que não consegui conter escorreu pelo meu olho direito.Linda parecia se divertir muito com tudo aquilo – Me diga, por...Por favor, que isto não é verdade – foi tudo o que consegui dizer.Ele não negou e nem assentiu.Apenas permaneceu com o olhar fixo em mim.Um olhar de piedade e desespero.Ele fez um gesto leve com o braço esquerdo e, sem querer, deixou escapar algo que estava preso e escondido por entre seus músculos.Era uma foto.Uma foto minha e de Henry caminhando lado a lado em direção ao carro dele estacionado.
- Bem... – falou linda quebrando o silêncio – acho que não precisamos explicar mais nada não é? – Landon ficou com as bochechas rosadas e sem reação.Eu balancei a cabeça negativamente e me retirei para dentro do apartamento à procura da minha bolsa.Quando a encontrei, passei bruscamente pela porta mas Landon segurou meu braço, como costumava fazer.Eu o olhei, mas não havia o que dizer.
- Eu não esperava que você fosse ter uma atitude tão infantil quanto essa – falei deixando escapar outra lágrima – Eu pensei que todas elas haviam ficado em North High.
Dei ás costas em direção ao elevador.Linda veio logo atrás de mim e eu resolvi usar as escadas, por mais esforço que aquilo fosse exigir.
Como ele pôde?Foi frio e calculista. E há um segundo atrás eu estava me pegando forte com ele com a saia acima dos joelhos! Ora essa! As coisas pareciam estar dando tão certo...Por que logo agora?Eu não devia ter entrado na Own Business. Peguei o primeiro táxi pra Own Business.Enfiar a cabeça no trabalho era a melhor coisa a fazer. Meu celular tocou bruscamente me retirando da minha melancolia. “ Landon chamando”.Apertei o botão ‘ignorar’.

- Olá Srta. Kemper! Pensei que não voltaria mais hoje! – Falou Cyntia sorridente – E porque está andando tão rápido?
- Olá Cyntia. Eu...Eu não sei, estou um pouco nervosa.
- Oh, algo que eu posso ajudar?
- Hã...Não, nada demais. É só...O trânsito caótico! – falei pensando na primeira coisa que me veio à mente.
- Mas a senhorita não veio de táxi? – perguntou ela com um ponto de interrogação na face.
- Vim... É que, sei lá!O trânsito nova-iorquino estressa qualquer um.
- A senhorita tem visita – disse ela.
- Quem? – perguntei eu com uma voz cansada.Cyntia apontou para às minhas costas.
- Eu-posso-saber porque NEM você e NEM o Sr. Dylar, como ele prefere ser chamado, estavam na Own Business até AGORA? – Perguntou –me Angelina batendo o saltindo prateado no chão, com os braços cruzados sentada na cadeira de espera. Eu devia ter entrado tão depressa que nem reparei que ela estava sentada ali.
Mas não. Outra eu não ia agüentar – NHEI? – tornou ela a perguntar.Conforme ia falando seu tom de voz ia subindo.E a minha dor de cabeça acompanhada da minha falta de paciência, também – EU FIZ UMA PERGUNTA!
- POR QUE NÓS ESTÁVAMOS NA CAMA! – berrei.Arrependi-me dois segundos depois de falar, ou melhor, berrar o que havia berrado.Cyntia ficou perplexa e Angelina se encolheu de medo.
- Srta. Kemper! – Falou Cyntia forçando um sorriso – Não precisamos nos exaltar, não é? É CLARO que é está apenas brincando srta. Aniston- a minha sorte foi que não havia ninguém além de nós três ali.Angelina levantou e pegou a bolsa.
- Eu nunca fui tão insultada em toda minha vida – falou ela, e ao dizer isso, percebi que não havia levado à sério o que eu falei. ‘Ufa’ pensei eu – O Sr. Dylar vai saber disso – disse ela saindo com o saltinhos fazendo tac tac.
Que fale! Pensei eu. Eu não queria mais problemas.Trabalhar era a melhor coisa no momento.
- Cyntia, me leve uma xícara de café, por favor.



Isa.

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