-Sério mesmo que você acha que essa cor de blusa combina com o seu tom de pele?! – Exclamou dativamente Daniel enquanto jogava a minha blusa bege que ele acabara de tirar do guarda roupa sobre a pilha de roupas sobre a minha cama.
-Daniel! Para de revirar o meu guarda roupa! – Eu disse furiosa tentando conter a bagunça. – Pela última vez, eu não vou em uma boate gay com você e sim, bege fica bem com o meu tom de pele! – Daniel nem se quer virou, fingiu que não me ouviu e continuou a analisar meu top vermelho.
- Ah, querida! Aí que você se engana! Por que, fato numero um, você vai sair dessa casa hoje nem que eu tenha que arrasta-la, e fato numero 2, bege só combina com calcinha de idoso! – Ele disse afetadamente me fazendo rir. Choraminguei enquanto me tacava sobre a pilha de roupas.
- Porqueeeeee, Daniel?! – Disse birrenta como uma criança. – Por que não posso ficar aqui hoje e assistir um filme na televisão enquanto penso na minha morte?
- Por que se você ficar aqui com certeza vai ficar choramingando pensando no Landon e eu não quero te deixar nesse estado! – Disse ele revirando pela minha gaveta achando uma calcinha rendada preta com alguns lacinhos vermelhos. Até esquecera que tinha isso. – Uuuh! Não sabia que Landon já tinha pulado para ESSA fase!
- Dá isso aqui! – Eu pulei da cama e agarrei a calcinha enquanto Daniel caia na risada.
-Agora aquele cara subiu no meu conceito! – Disse ele mordendo o lábio de baixo. Eu suspirei cansada e joguei a calcinha para outro lado.
- Eu não ia ficar choramingando! – Reivindiquei. - Chorando... Mas não choramingando! – Daniel suspirou alto e eu desisti de convencê-lo do contrario. Ele não ia parar até eu ir. – Está bem! Eu vou! Mas quero estar de volta antes da uma! Não sei se esqueceu, mas amanhã temos que trabalhar! E a última coisa que eu quero é aparecer com cara de acabada na frente do meu chefe. Sem saideira! Uma noite “Alchol Free”!
-Okay! Está bem! Sem Álcool! Entendi!
No outro minuto estava na boate lotada, cheirando a testosterona abafada vendo Daniel na pista de dança se acabar de dançar, bêbado. Enquanto as luzes estroboscópicas me faziam ficar tonta eu tentava me lembrar o que tinha ido fazer ali mesmo.
- A senhora quer outro refrigerante? – Perguntou o garçom do outro lado do bar. Refleti por um segundo.
- Coca. – Disse para ele. Ele sorriu e se abaixou para pegar o meu pedido. – Diet! – Eu completei.
-Parece que alguém ficou encarregada de dirigir essa noite. – Disse enquanto colocava o refrigerante no meu copo. Sorri levemente tentando imaginar o que ele tinha a ver com isso, mas tudo bem.
Fechei os olhos com força tentando me imaginar em outro lugar.Em casa, em Dellawere ou talvez até na Ownbisness. Na sala de Landon.É, um bom lugar.Vendo-o sorrir com aquele sorriso charmoso. Sua mão macia... O jeito que usava as camisas meio desajeitadas...Era muito...
- Está tudo bem, Isa?! – Daniel me interrompeu e eu quase cai de cima do banco alto. Suspirei tremidamente e encarei-o nos olhos. Por que estava pensando no Landon? Pó que eu não poderia simplesmente esquece-lo? Uma súbita enxaqueca toma meu cérebro.
-Na verdade não, Daniel. Minha cabeça está explodindo e eu não agüente mais essa música. Será que você poderia me levar para casa? Por favor...
-Claro, querida. Vamos. Eu levo você. – Ele me levou até o caro e eu fui dirigindo (lógico) e Daniel apagou no banco de trás. Eu o levei para casa, e não o contrário, mas tudo bem.
Coloquei-o na cama e deixei um bilhete no criado mudo agradecendo-o por ter sido tão legal comigo. Mesmo que a festa não tenha sido a melhor de todas, as intenções eram boas. Voltei para casa e também apaguei. Nem tirei a maquiagem e muito menos as minhas roupas. Era isso ou os sapatos. Preferi tirar os saltos.
Acordei com uma música qualquer que tocava no meu rádio-relógio. Seria ótimo um despertador com o modo ‘soneca’ naquele minuto. Nota pessoal para isso. Vesti-me rapidamente e voei para fora de casa. Eu era realmente muito boa em me maquiar nos sinais vermelhos. Se isso fosse uma modalidade olímpica com toda certeza conseguiria ouro. Cumprimentei Cyntia na recepção e fui para o meu cubículo cuidar dos meus relatórios mal terminados. Nada de Landon. Lembrei da memória reconfortante que me viera à cabeça ontem. Por que fizera aquilo afinal? Bonito que fosse ele ainda era um cafajeste, e eu ainda sentia muita mágoa dele. Minha cabeça voltara a martelar. Me joguei sobre a minha cadeira e fechei os olhos. Abri-os lentamente quase não fazendo-o. Para a minha surpresa Daniel estava no cubículo dele à minha frente. Dormindo. Debruçado sobre o teclado e babando no próprio braço. Eu ri de leve e me ajeitei na cadeira.
-Pssiiiiiu! Daniel! – Eu tentei baixinho. Nada. – Pssiiiiiiiiiiiiiiu!! – Tentei de novo. Nada. – DANIEL! – Bradei. Ele levantou em um susto derrubando todas as canetas que estavam dentro de um pote perto do teclado. Eu cai na risada. – Acorda bonitão! Hora de trabalhar! – Daniel me fuzilou com os olhos e voltou a digitar no computador. Eu também voltei a trabalhar, com uma certa relutância, mas voltei.
Já tinha terminado de responder todos os e-mails das empresas solicitando informações ou finalizando contratos. O tempo voara e eu nem me dera conta disso. Minha digitação fora interrompida com o toque do meu telefone. Estendi a mão sem desviar os olhos da tela.
-Isabela Kemper. – Disse.
-Boa tarde, Srta. Kemper. É a Cyntia!
-Ah... Olá Cyntia! O que posso fazer para você?
- Oh, sim. Queria saber se você tem uma outra cópia do contrato da firma McDell.
- A empresa Inglesa?
- Sim. A de chips de computadores. Do Sr.Delaney. Lembra-se de ontem?
-Oh sim. Já levo, Cyntia.
-Obrigada!
Desliguei e tratei de imprimir outra cópia. Eu tinha cuidado de fechar o contrato com essa empresa, um grande salto para o meu trabalho. Tratava-se de uma empresa grande bem sucedida. Tinha falado com o Sr. Delaney pelo telefone para fechar o contrato. Me pareceu muito simpático. Com as copias imprimidas levei-as até Cyntia. Uma grande concentração de pessoa na recepção me fez estranhas aquele movimento. De longe já identifiquei Landon. Chacoalhando mãos e cumprimentando todos. Iria entregar os relatórios e voar dali.
-Aqui estão as cópias, Cyntia.- Disse entregando-a.
- Muito obrigada, Srta. Kemper. – Ela disse com um sorriso simpático. Virei-me e me pus a andar.
- Kemper? Isabela Kemper? – Uma voz masculina chamou-me. Estranhei a voz que pareceu-me familiar. Virei-me lenta.
-Sim? Eu mesma. – Disse estranhamente. Meu queixo quase caiu quando bati os olhos naquela figura. Deveria ter no máximo uns trinta anos. Um homem alto, com os olhos azuis piscina com um cabelo curto e a barba um pouco rala. Um porte atlético muito bem definido por um terno preto com riscas azuis escuras. Tão bonito quanto Landon, mas logo de cara percebi que ele tinha um requisito a mais: Tinha sotaque inglês. Quase gaguejei. (se é que não gaguejei.).
- Delaney! Henry Delaney! – Ele sorriu e eu quase desmaiei.
- Senhor Delaney?! – Pareci assustada ao perguntar. – O Inglês? – Perguntei encabulada.
- Oh! É assim que me chamam por aqui é? – Ele riu. – Então sou eu sim. – Eu fiquei a encarar ele por um certo período de tempo, que se tornou até meio desconfortante. Voltei a mim e estendi-lhe a mão.
- Oh, sim! Me desculpe! Um prazer! – Comprimentei-o – Mas me diga Sr. Delaney o que faz aqui em Nova York? Não é de Londres?
-Sim, sim. Sou. Mas é que vim para Nova York para uma viagem de negócios e resolvi passar aqui para acabar de vez com essa papelada toda e fechar o contrato aqui mesmo. – Enquanto ele falava meus ouvidos eram massageados pelo sotaque Londrino. – Tenho que dizer e a Senhorita é uma ótima vendedora!- Ele virou-se e chamou Landon que estava atrás conversando com outros dois empresários que nem se quer notaram minha presença. Ele virou-se e percebi certo desconforto de sua parte. Delaney colocou um braço sobre o ombro de Landon em uma posição amigável. – Você possui uma ótima funcionária nesta empresa, Sr. Dylar! – Ele sorriu tortamente e consentiu. Esperei pela sua resposta.
- Sim. Eu mesma a contratei. Sei de sua capacidade. – Ele disse descontraidamente.
-Capacidade ou beleza?! Por que pelo visto essa sua funcionária tem os dois! – Ele disse indiscretamente. Ele havia me passado uma cantada? Uma cantada inglesa?! Era bom de mais para ser verdade. Olhei rápido para Landon e o vi sorrir tortamente, agora totalmente desconfortável. Estaria com ciúmes de mim? Eu sorri abertamente. – Escute, eu vou acabar de assinar essa papelada agora e que tal depois você não me mostra um café bom daqui? Estou faminto!
- Sim, Claro! Seria um prazer, Senhor! – Eu disse disposta. Okay, talvez estivesse fazendo aquilo só por que sabia que Landon estaria perto o bastante para ouvir.
- Ótimo! – Disse.
- Senhor, se quiser eu o acompanho também. Poderios terminar aquela conversa sobre as taxas de importação?! Que tal? – Landon disse rapidamente atropelando-me nos meus pensamentos. O que?! Landon iria também?! Era só o que me faltava! Como era indiscreto! Eu o fuzilei com os olhos e ele pareceu não ligar.
-Claro, Sr. Dyalr! Está convidado! Isso claro se a Srta. Kemper não se importar! – Eu sorri e ia abrir a boca para dizer que sim, eu me importava quanto Landon me atropelou.
- Creio que ela não irá se importar! Não é?! – Ele me encarou risonho sem em deixar responder continuou. – Então vamos. Vou lhe acompanhar até a minha sala para assinarmos os papéis!
Suspirei pesadamente tentando engolir minha raiva. Landon iria ver.
Veri.
domingo, 17 de agosto de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
I Can't Let go - Cap 15 - Hoje, às 9.
Retornar à minha mesa não fora algo muito legal, basicamente porque todos os funcionários da minha repartição me acompanharam com o olhar como se eu fosse algo anormal.E quando eu digo todos, eram todos mesmo.
- Não pergunte! – falei baixo para Daniel, enquanto este e toda a repartição me olhavam.
- Eu não ia – respondeu ele rindo baixo.
Algum tempo depois, o qual eu não sei dizer quanto, Landon também retornou à sua sala passando pela mesma situação que eu.Por mais que fosse difícil para ambos, era preciso voltar a trabalhar.
Quase não me concentrei no trabalho durante o dia todo.Estava atrapalhada, errava cálculos.Aquilo não podia continuar.Se continuasse meu rendimento na OwnBusiness cairia e muito.Aquilo não era nada bom.Pela primeira vez eu arrumava as minhas coisas exatamente no meu horário de ir embora.Eu já não agüentava mais aquele ambiente.As coisas haviam se encaminhado para um rumo inesperado.Eu devia saber disso quando entrei na OwnBusiness, sim, eu devia saber.Mas não.Eu quis arriscar mesmo assim.Talvez não quisesse só arriscar.Talvez quisesse provar a mim mesma que era mais do que aquela garotinha de North Hight.Talvez quisesse provar a Landon justamente que não precisava provar nada a ele.Ou pior, talvez tivesse alguma esperança de viver algo parecido com o que eu vivera em North Hight, só que com uma diferença, com um final melhor.Era horrível admitir isso ao meu ego.Era como um fracasso pessoal.A verdade, é que eu não devia nem ter começado.Apanhei a minha bolsa e me direcionei à porta que dava acesso a recepção.
- Srta Kemper! – virei-me.Era o sr. Tanehill – Ah...Eu gostaria de lhe entregar isto – falou ele entregando-me um cartão.Na OwnBusiness todos os funcionários(incluindo a mim)tinham dois cartões.Um com o endereço e telefone comercial, para seus contatos, e outro com o endereço e telefone pessoal.Aquele era o pessoal.
- Mas...Sr. Tanehill, este é seu cartão pessoal.
- Sei disso – falou ele colocando seu notebook dentro de sua pasta – é só, caso você precise – e porque eu precisaria?Fiquei confusa.
- E porque eu precisaria? – perguntei num tom educado.
- Ora...Não sei.Sei que a srta mora sozinha, seus pais também não moram em Nova York.É sempre bom ter com quem contar.
- Nossa, eu...Eu agradeço a gentileza Sr. Tanehill.Agradeço mesmo, mas em todo caso, sei me cuidar.
- Eu não tenho dúvidas, mas insisto que fique com o cartão.
- Se o sr. está se referindo ao que aconteceu aqui hoje de manhã quero que saiba...
- A srta não tem que me dar explicação sobre a sua vida, srta. Kemper.Eu não estou aqui para julgar ninguém, muito menos você, querida – era a primeira vez que me chamava de você.Eu lhe retribuí com um sorriso doce e sincero.Não sei porque eu senti algo que não sentia há muito tempo.Algo relacionado a meu pai.Alguém parecia se importar comigo.O sr. Tanehill me olhou com um olhar fraternal, do qual veio meu sentimento descrito.
- Bom, preciso ir – falou ele – Vou buscar Amanda no aeroporto.
- Amanda?
- Sim, minha filha – e se foi.Então o Sr. Tanehill era pai.Uma lembrança casta de minha infância com meu pai me fez ficar com pequenas lágrimas nos olhos.Agora me dava conta do quanto aquele homem me fazia falta.Eu ia guardar o cartão, mas havia algo no verso.
‘Pedi para o Sr. Tanehill lhe entregar isto.Eu não ia importunar Cyntia mais uma vez com este pedido.Caso esteja interessada vou estar no Café Pierre hoje à noite.Fifth Avenue at 61st St.Te espero às 9. P.S: espero que aprecie a culinária franscesa’
Ele realmente achou que eu iria.Claro.Que mulher não resiste a um bilhete tentador deste?Eu.Eu não resisto.Apesar de que devo confessar que pensei mesmo na possibilidade de ir.Cheguei até a pensar em que roupa usar.Jesus!Como fui boba.Afinal, é tão fácil tentar uma mulher daquele jeito, não é?Depois é só marcar um jantarzinho e pedir desculpas.Desculpas...Talvez esta fosse uma palavra que Landon desconhecia.Pelo menos foi o que ele deu a entender no nosso dia de trabalho seguinte.
Cheguei na OwnBusiness no horário de sempre, arrumei minha mesa como sempre, reli os relatórios ou documentos do dia anterior como sempre, e...Não.Não desviei o olhar para frente tentando encontrar a figura de Landon, como sempre.Estava magoada e ocupada demais para tal.Que ousadia a dele!Me mandar um bilhete...Covarde.Deveria ter vindo falar comigo pessoalmente.Não, ele não era homem o suficiente para isso!Era um sedutor, um conquistador, um falso, hipócrita e...
- Srta Kemper, perdoe-me a ousadia, mas porque a srta está rasgando os relatórios de Ohio com tanta voracidade? – O Sr. Tanehill estava parado bem ao meu lado me olhando com ar interrogativo por traz dos óculos redondos.
- Eu estou? – perguntei a ele e a mim mesma – É...estou – repeti baixinho – Ah...bem... – ele continuava analisando a minha confusão – Talvez seja porque eles não tenham mais nenhuma utilidade! – e despejei o que restava do relatório no lixo ao meu lado.
- Ah, é mesmo? – perguntou ele sorrindo – Não devem ter mesmo...Já que o Sr. George da empresa de Ohio ligou ontem para acertar os contratos de vendas.
- Ah – exclamei eu tentando forçar um sorriso – Deve ser porque eu já mandei os relatórios via e-mail.
- Jura? – perguntou ele em tom informal, mas sem deixar de me analisar.
- Juro - repeti educadamente.
- Eu confio na srta.Não me deixe perder isto. – e se foi.
- Mas que merda! – Exclamei baixinho, voltando-me para o computador rezando para que eu ainda não tivesse deletado os relatórios de Ohio, e ainda desse tempo de mandá-los.Landon estava mesmo atrapalhando minha vida cotidiana.
- Srta Kemper! – chamou Linda ás minhas costas.
- O que é? – perguntei irritada.
- Eu tenho uma cópia dos relatórios de Ohio, caso a srta queira – falou ela me entregando um conjunto de papéis.O que ela pretendia?Por que estava sendo gentil?
- Não, obrigada Linda.Não me ouviu dizer que eles não tinham mais utilidade? – preferi não arriscar.Graças à Deus eu ainda tinha uma cópia deles em meu computador.
Definitivamente estava impossível me concentrar.O tempo todo uma voz em minha cabeça ecoava ‘Landon...Bilhete...Landon...Bilhete...’ Era terrível.Daniel fez sinal com a cabeça para que eu o acompanhasse até café, e assim o fiz.
- O que aconteceu ontem a noite afinal? – perguntou ele baixinho enquanto mexia a colher no copinho de café tentando dissolver o açúcar.
- Landon me... – houve uma pausa – me mandou um bilhete.Convidando-me para jantar – disse por fim.
- Não! – disse ele levantando a voz.No mesmo momento eu fiz sinal para que baixasse – Não acredito!E você foi?
- Claro que não.Não depois de tudo.Ele foi um covarde!Não acredito que me envolvi com ele.
- Está certo.Certíssimo...E nossa meu deus! – falou ele desviando o olhar para o traseiro de um funcionário que passou por nós.
- Daniel!Estava ouvindo o que eu estava dizendo?
- Claro que estava querida.Mas é claro que devia ter se envolvido com ele!A vida curta, passa rápido, o cara é um tesão, qual o problema? – acabei engolindo o café rápido de mais.
- Isto Danny – e apontei para lado esquerdo do peito – isto é o problema.
- Ah, tadinha! – falou ele me dando o um abraço discreto – E vocês já se falaram hoje?
- Não!Eu nem o vi hoje...E nem pretendo ver.
- Eu te entendo.Mas você precisa se animar!E eu tenho o remédio certo pra isso.Uma boate... – Ele sorriu maldosamente.
- Que boate Sr. Daniel Skeeter? – perguntei com o mesmo sorriso maldoso.
- Gay! – falou ele apontando pra mim e dando uma piscada.Eu soltei um leve riso.
- Está falando sério?
- Mas é claro que estou!Todos os contratos já foram assinados, só falta eu lhe entregar para que você os envie – eu o encarei com um ponto de interrogação na face.O olhar dele se desviou para o nosso lado direito, apontando-me algo.Linda e mais duas funcionárias estavam paradas diante de nós com um olhar desconfiado.
- Obrigada, sr. Skeeter – falei rapidamente.Lancei um olhar sincero a Daniel – Obrigada, mesmo.
Nos dirigimos às nossas mesas mas antes que eu pudesse me sentar, Cyntia me chamou.
- Srta Kemper, pode fazer algo para mim?
- Claro.
- Leve estes papéis à sala do sr. Dylar e diga-lhe que não há mais necessidade de mandá-los para mim – Meu coração disparou.
- Ah...Mas Cyntia, eu estou realmente ocupada agora...E eu...
- Por favor querida!Você é quarta pessoa para quem peço isso!É rápido.Só não levo eu mesma porque estou com o Sr. Delaney na outra linha.
- O sr. Delaney?O executivo daquela empresa da Inglaterra?
- Sim...Agora pode levar os papéis por favor? – e antes que eu pudesse responder eu me vi com uma pequena pilha de papéis nas mãos, em pé, olhando para frente.Olhei para Daniel implorando ajuda, mas este também havia atendido ao telefone, e falava em espanhol.Não havia ninguém mais.’Bosta’ Pensei eu.Por que aquilo acontecia justo comigo?
Caminhei até a sala de Landon e dei duas batidas na porta para anunciar minha chegada.
- Com licença – disse-lhe abrindo a porta de cabeça baixa rezando para sala estar vazia.
- Entre – falou a voz dele.Droga...Não estava vazia.Caminhei um pouco mais até a frente com dificuldades para que pudesse alcançar a mesa.
- Cyntia me pediu para entregá-los a você – e depositei os papéis em cima da mesa.
- Obrigado – falou em tom cortes.
- Não há mais necessidade de mandá-los para ela – e me virei em direção à porta.
- Você não vai mais receber nenhum, eu garanto.Eu cometi erros – falou ele em tom de desculpa.
- Não, não para mim – falei – Para ela.Cyntia.
- Eu sei.Ela não receberá mais.Da próxima vez irei pessoalmente.
- Ótimo – falei, como se perguntasse o que tenho a ver com aquilo.Coloquei a mão na maçaneta disposta a girá-la.
- Você também prefere, não prefere?
- O que? – perguntei.
- Que eu vá pessoalmente – Aquela voz estava me provocando de novo.
- Tanto faz!Eu não me importo! – falei irritada – São só papéis.
- Só...PAPEIS? – falou ele aumentando o tom de voz e levantando-se – Eu demorei pelo menos 1 hora para escrever cada um!Cuidando detalhadamente para que cada palavra saísse perfeita!
- Que bom para você! – falei.Meus olhos ficaram marejados.Por que ele estava me torturando?
- Então é assim? – exclamou sentando-se na sua poltrona.
- Acho que sim, não é?
- Agora entendo porque não apareceu ontem à noite.
- O que isto tem a haver com os papéis? – falei tentando parecer profissional.(tentando)
- Tudo, oras – falou ele com um tom deprimente na voz – Eu o entreguei ao sr. Tanehill.
- Espere um instante – disse eu – Do que você esta falando?
- Ah, por favor!Não se faça de desentendi...- sua fala também cessou – Dos bilhetes que eu te mandei – concluiu.
- Estou achando que esta se referindo aos papéis que vim entregar! – nós nos olhamos e olhamos os papéis.Quando voltamos a nos encarar o riso foi inevitável para ambos.Quando terminamos de rir, nos encontramos em uma situação desconfortável.
- Por um momento achei que você estava falando sério – disse ele quebrando o silêncio.
- Eu também – falei sem poder me conter – Bem – exclamei rapidamente – era só isso.Agora vou deixá-lo trabalhar.Com licença – e me virei.
- Acha mesmo que vou conseguir trabalhar depois do que acabou de acontecer aqui?
- E por que não conseguiria?Eu tenho conseguido – falei tristemente.
- Porque vou pensar em você o tempo todo.
- Como se eu não pensasse. – 1 segundo depois me arrependi por completo da frase que deixei escapar.
- Pensa? – falou ele com entusiasmo e esperança.
- Eu...Preciso voltar à minha mesa – abri a porta e saí.Quando a fechei escutei Landon dizer ‘Isabela!Srta Kemper espere.Eu preciso...’ Mas a voz foi calada pela porta fechada.Consultei o relógio e vi que meu horário de expediente chegara ao fim.Comemorei por dentro e arrumei as coisas.
- Você não está pensando que vai pra casa, não é? – ouvi alguém dizer às minhas costas.Era Daniel – Nada disso garota!Vou te levar para se divertir de verdade! – e ao dizer isso, pegou no braço e saímos juntos.
Isa.
- Não pergunte! – falei baixo para Daniel, enquanto este e toda a repartição me olhavam.
- Eu não ia – respondeu ele rindo baixo.
Algum tempo depois, o qual eu não sei dizer quanto, Landon também retornou à sua sala passando pela mesma situação que eu.Por mais que fosse difícil para ambos, era preciso voltar a trabalhar.
Quase não me concentrei no trabalho durante o dia todo.Estava atrapalhada, errava cálculos.Aquilo não podia continuar.Se continuasse meu rendimento na OwnBusiness cairia e muito.Aquilo não era nada bom.Pela primeira vez eu arrumava as minhas coisas exatamente no meu horário de ir embora.Eu já não agüentava mais aquele ambiente.As coisas haviam se encaminhado para um rumo inesperado.Eu devia saber disso quando entrei na OwnBusiness, sim, eu devia saber.Mas não.Eu quis arriscar mesmo assim.Talvez não quisesse só arriscar.Talvez quisesse provar a mim mesma que era mais do que aquela garotinha de North Hight.Talvez quisesse provar a Landon justamente que não precisava provar nada a ele.Ou pior, talvez tivesse alguma esperança de viver algo parecido com o que eu vivera em North Hight, só que com uma diferença, com um final melhor.Era horrível admitir isso ao meu ego.Era como um fracasso pessoal.A verdade, é que eu não devia nem ter começado.Apanhei a minha bolsa e me direcionei à porta que dava acesso a recepção.
- Srta Kemper! – virei-me.Era o sr. Tanehill – Ah...Eu gostaria de lhe entregar isto – falou ele entregando-me um cartão.Na OwnBusiness todos os funcionários(incluindo a mim)tinham dois cartões.Um com o endereço e telefone comercial, para seus contatos, e outro com o endereço e telefone pessoal.Aquele era o pessoal.
- Mas...Sr. Tanehill, este é seu cartão pessoal.
- Sei disso – falou ele colocando seu notebook dentro de sua pasta – é só, caso você precise – e porque eu precisaria?Fiquei confusa.
- E porque eu precisaria? – perguntei num tom educado.
- Ora...Não sei.Sei que a srta mora sozinha, seus pais também não moram em Nova York.É sempre bom ter com quem contar.
- Nossa, eu...Eu agradeço a gentileza Sr. Tanehill.Agradeço mesmo, mas em todo caso, sei me cuidar.
- Eu não tenho dúvidas, mas insisto que fique com o cartão.
- Se o sr. está se referindo ao que aconteceu aqui hoje de manhã quero que saiba...
- A srta não tem que me dar explicação sobre a sua vida, srta. Kemper.Eu não estou aqui para julgar ninguém, muito menos você, querida – era a primeira vez que me chamava de você.Eu lhe retribuí com um sorriso doce e sincero.Não sei porque eu senti algo que não sentia há muito tempo.Algo relacionado a meu pai.Alguém parecia se importar comigo.O sr. Tanehill me olhou com um olhar fraternal, do qual veio meu sentimento descrito.
- Bom, preciso ir – falou ele – Vou buscar Amanda no aeroporto.
- Amanda?
- Sim, minha filha – e se foi.Então o Sr. Tanehill era pai.Uma lembrança casta de minha infância com meu pai me fez ficar com pequenas lágrimas nos olhos.Agora me dava conta do quanto aquele homem me fazia falta.Eu ia guardar o cartão, mas havia algo no verso.
‘Pedi para o Sr. Tanehill lhe entregar isto.Eu não ia importunar Cyntia mais uma vez com este pedido.Caso esteja interessada vou estar no Café Pierre hoje à noite.Fifth Avenue at 61st St.Te espero às 9. P.S: espero que aprecie a culinária franscesa’
Ele realmente achou que eu iria.Claro.Que mulher não resiste a um bilhete tentador deste?Eu.Eu não resisto.Apesar de que devo confessar que pensei mesmo na possibilidade de ir.Cheguei até a pensar em que roupa usar.Jesus!Como fui boba.Afinal, é tão fácil tentar uma mulher daquele jeito, não é?Depois é só marcar um jantarzinho e pedir desculpas.Desculpas...Talvez esta fosse uma palavra que Landon desconhecia.Pelo menos foi o que ele deu a entender no nosso dia de trabalho seguinte.
Cheguei na OwnBusiness no horário de sempre, arrumei minha mesa como sempre, reli os relatórios ou documentos do dia anterior como sempre, e...Não.Não desviei o olhar para frente tentando encontrar a figura de Landon, como sempre.Estava magoada e ocupada demais para tal.Que ousadia a dele!Me mandar um bilhete...Covarde.Deveria ter vindo falar comigo pessoalmente.Não, ele não era homem o suficiente para isso!Era um sedutor, um conquistador, um falso, hipócrita e...
- Srta Kemper, perdoe-me a ousadia, mas porque a srta está rasgando os relatórios de Ohio com tanta voracidade? – O Sr. Tanehill estava parado bem ao meu lado me olhando com ar interrogativo por traz dos óculos redondos.
- Eu estou? – perguntei a ele e a mim mesma – É...estou – repeti baixinho – Ah...bem... – ele continuava analisando a minha confusão – Talvez seja porque eles não tenham mais nenhuma utilidade! – e despejei o que restava do relatório no lixo ao meu lado.
- Ah, é mesmo? – perguntou ele sorrindo – Não devem ter mesmo...Já que o Sr. George da empresa de Ohio ligou ontem para acertar os contratos de vendas.
- Ah – exclamei eu tentando forçar um sorriso – Deve ser porque eu já mandei os relatórios via e-mail.
- Jura? – perguntou ele em tom informal, mas sem deixar de me analisar.
- Juro - repeti educadamente.
- Eu confio na srta.Não me deixe perder isto. – e se foi.
- Mas que merda! – Exclamei baixinho, voltando-me para o computador rezando para que eu ainda não tivesse deletado os relatórios de Ohio, e ainda desse tempo de mandá-los.Landon estava mesmo atrapalhando minha vida cotidiana.
- Srta Kemper! – chamou Linda ás minhas costas.
- O que é? – perguntei irritada.
- Eu tenho uma cópia dos relatórios de Ohio, caso a srta queira – falou ela me entregando um conjunto de papéis.O que ela pretendia?Por que estava sendo gentil?
- Não, obrigada Linda.Não me ouviu dizer que eles não tinham mais utilidade? – preferi não arriscar.Graças à Deus eu ainda tinha uma cópia deles em meu computador.
Definitivamente estava impossível me concentrar.O tempo todo uma voz em minha cabeça ecoava ‘Landon...Bilhete...Landon...Bilhete...’ Era terrível.Daniel fez sinal com a cabeça para que eu o acompanhasse até café, e assim o fiz.
- O que aconteceu ontem a noite afinal? – perguntou ele baixinho enquanto mexia a colher no copinho de café tentando dissolver o açúcar.
- Landon me... – houve uma pausa – me mandou um bilhete.Convidando-me para jantar – disse por fim.
- Não! – disse ele levantando a voz.No mesmo momento eu fiz sinal para que baixasse – Não acredito!E você foi?
- Claro que não.Não depois de tudo.Ele foi um covarde!Não acredito que me envolvi com ele.
- Está certo.Certíssimo...E nossa meu deus! – falou ele desviando o olhar para o traseiro de um funcionário que passou por nós.
- Daniel!Estava ouvindo o que eu estava dizendo?
- Claro que estava querida.Mas é claro que devia ter se envolvido com ele!A vida curta, passa rápido, o cara é um tesão, qual o problema? – acabei engolindo o café rápido de mais.
- Isto Danny – e apontei para lado esquerdo do peito – isto é o problema.
- Ah, tadinha! – falou ele me dando o um abraço discreto – E vocês já se falaram hoje?
- Não!Eu nem o vi hoje...E nem pretendo ver.
- Eu te entendo.Mas você precisa se animar!E eu tenho o remédio certo pra isso.Uma boate... – Ele sorriu maldosamente.
- Que boate Sr. Daniel Skeeter? – perguntei com o mesmo sorriso maldoso.
- Gay! – falou ele apontando pra mim e dando uma piscada.Eu soltei um leve riso.
- Está falando sério?
- Mas é claro que estou!Todos os contratos já foram assinados, só falta eu lhe entregar para que você os envie – eu o encarei com um ponto de interrogação na face.O olhar dele se desviou para o nosso lado direito, apontando-me algo.Linda e mais duas funcionárias estavam paradas diante de nós com um olhar desconfiado.
- Obrigada, sr. Skeeter – falei rapidamente.Lancei um olhar sincero a Daniel – Obrigada, mesmo.
Nos dirigimos às nossas mesas mas antes que eu pudesse me sentar, Cyntia me chamou.
- Srta Kemper, pode fazer algo para mim?
- Claro.
- Leve estes papéis à sala do sr. Dylar e diga-lhe que não há mais necessidade de mandá-los para mim – Meu coração disparou.
- Ah...Mas Cyntia, eu estou realmente ocupada agora...E eu...
- Por favor querida!Você é quarta pessoa para quem peço isso!É rápido.Só não levo eu mesma porque estou com o Sr. Delaney na outra linha.
- O sr. Delaney?O executivo daquela empresa da Inglaterra?
- Sim...Agora pode levar os papéis por favor? – e antes que eu pudesse responder eu me vi com uma pequena pilha de papéis nas mãos, em pé, olhando para frente.Olhei para Daniel implorando ajuda, mas este também havia atendido ao telefone, e falava em espanhol.Não havia ninguém mais.’Bosta’ Pensei eu.Por que aquilo acontecia justo comigo?
Caminhei até a sala de Landon e dei duas batidas na porta para anunciar minha chegada.
- Com licença – disse-lhe abrindo a porta de cabeça baixa rezando para sala estar vazia.
- Entre – falou a voz dele.Droga...Não estava vazia.Caminhei um pouco mais até a frente com dificuldades para que pudesse alcançar a mesa.
- Cyntia me pediu para entregá-los a você – e depositei os papéis em cima da mesa.
- Obrigado – falou em tom cortes.
- Não há mais necessidade de mandá-los para ela – e me virei em direção à porta.
- Você não vai mais receber nenhum, eu garanto.Eu cometi erros – falou ele em tom de desculpa.
- Não, não para mim – falei – Para ela.Cyntia.
- Eu sei.Ela não receberá mais.Da próxima vez irei pessoalmente.
- Ótimo – falei, como se perguntasse o que tenho a ver com aquilo.Coloquei a mão na maçaneta disposta a girá-la.
- Você também prefere, não prefere?
- O que? – perguntei.
- Que eu vá pessoalmente – Aquela voz estava me provocando de novo.
- Tanto faz!Eu não me importo! – falei irritada – São só papéis.
- Só...PAPEIS? – falou ele aumentando o tom de voz e levantando-se – Eu demorei pelo menos 1 hora para escrever cada um!Cuidando detalhadamente para que cada palavra saísse perfeita!
- Que bom para você! – falei.Meus olhos ficaram marejados.Por que ele estava me torturando?
- Então é assim? – exclamou sentando-se na sua poltrona.
- Acho que sim, não é?
- Agora entendo porque não apareceu ontem à noite.
- O que isto tem a haver com os papéis? – falei tentando parecer profissional.(tentando)
- Tudo, oras – falou ele com um tom deprimente na voz – Eu o entreguei ao sr. Tanehill.
- Espere um instante – disse eu – Do que você esta falando?
- Ah, por favor!Não se faça de desentendi...- sua fala também cessou – Dos bilhetes que eu te mandei – concluiu.
- Estou achando que esta se referindo aos papéis que vim entregar! – nós nos olhamos e olhamos os papéis.Quando voltamos a nos encarar o riso foi inevitável para ambos.Quando terminamos de rir, nos encontramos em uma situação desconfortável.
- Por um momento achei que você estava falando sério – disse ele quebrando o silêncio.
- Eu também – falei sem poder me conter – Bem – exclamei rapidamente – era só isso.Agora vou deixá-lo trabalhar.Com licença – e me virei.
- Acha mesmo que vou conseguir trabalhar depois do que acabou de acontecer aqui?
- E por que não conseguiria?Eu tenho conseguido – falei tristemente.
- Porque vou pensar em você o tempo todo.
- Como se eu não pensasse. – 1 segundo depois me arrependi por completo da frase que deixei escapar.
- Pensa? – falou ele com entusiasmo e esperança.
- Eu...Preciso voltar à minha mesa – abri a porta e saí.Quando a fechei escutei Landon dizer ‘Isabela!Srta Kemper espere.Eu preciso...’ Mas a voz foi calada pela porta fechada.Consultei o relógio e vi que meu horário de expediente chegara ao fim.Comemorei por dentro e arrumei as coisas.
- Você não está pensando que vai pra casa, não é? – ouvi alguém dizer às minhas costas.Era Daniel – Nada disso garota!Vou te levar para se divertir de verdade! – e ao dizer isso, pegou no braço e saímos juntos.
Isa.
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