terça-feira, 9 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap. 20 - Pijamas

Nunca havia chego tão cedo no trabalho quanto cheguei naquele dia. Estava realmente preocupada com Landon. O que será que havia acontecido com ele depois que o deixei na sua casa? Será que tinha entrado em coma alcoolico? Plausível. Nunca vira ninguém mais bêbado. (tirando minha mãe nas festas de natal, mas acho que isso não conta). Queria colocar preto no branco e saber quel era a sua verdadeira intenção de ter ido para a minha casa naquela noite. Por mais que estivesse com ciumes ele não tinha o direito de invadir a minha vida pessoal. Era a minha vida! A vida que ele escolheu não fazer parte, então ele haveria de aceitar as consequencias de seus atos. Corri até a recepção e avistei Cyntia ao telefone (como sempre).
- Cyntia! - Chamei-a de longe- Lan...Digo, O Sr. Dylar já chegou? - Cyntia olhou-me de relance e continuou a falar ao telefone.
- Só um minuto, Sr. Hellingan. - Disse ao telefone e se virou para mim.- Receio que o Sr. Dylar não venha hoje ao trabalho, Srta. Kemper.- Voltou ao telefone. Meu coração disparou. O que havia acontecido?
- Não vem?! Mas por que? - Perguntei em um tom meio esganiçado. Cyntia suspirou pesadamente.
- Sr. Hellingan, eu terei que retornar a ligação mais tarde. Aconteceu uma emergencia aqui. Tchau Tchau! - Desligou o telefone e me encarou com chamas no olhar. Okay...acho que tinha a irritado. - Não sei, Srta. Ele me ligou não faz muito tempo dizendo que não estava passando bem e que não poderia vir hoje. Pediu para eu cancelar todos os compromissos e é o que eu estou TENTANDO fazer. - Disse dando enfase ao 'tentando'. Sorri meio envergonhada de te-la atrapalhado.
- É urgente? - Perguntou-me.
- É urgente o que? - Respondi sem pensar no que havia perguntado. Cyntia me encarou confusa.
- O que tem para falar com ele... - Ela disso meio reticente. Percebi o quanto deseperada estava parecendo. O que tinha para falar para ele não era nada urgente, na verdade nem sei o que iria falar para ele. Só queria saber se estava... bem.
- Ah, não! Eu posso esperar...acho...- Disse tão baixo que teinha quase certeza que Cyntia nem havia me escutado. - Bem... vou te deixar trabalhar. Obrigada. - Sorri e me distanciei. Senti que Cyntia agradecera mentalmente por eu ter saido dalí. O que será que estava acontecendo? Me direcionei para o meu cubículo sem olhar para os lados. Sentei na poltrona aveludade e suspirei pesadamente. Será que estava tudo bem com ele? Será que estava fingindo ou só não queria me ver? E por que diabos eu estava pensando tanto nele? Eu estava preocupada sim, mas parecia mais coisa alem disso... Era como se...
- Oi para você também. Grossa. - Daniel disse me entregando um copo fumegante de café e se sentando no cubículo do meu lado.
-Ah, oi... - Disse envolvendo meus dedos pelo copo de café.
-Nossa! Que desanimo. Parece que não conseguiu nada com o Sr. Delaney ontem a noite. Acertei? - Sr. Delaney! Meu deus! Havia esquecido completamente dele! ótimo! Mais uma coisa para eu me preocupar. Obrigado Daniel...Afundei ainda mais na cadeira.
-Acertou. Mas não por falta de oportunidade... - Disse desanimada dando um gole no meu café. Daniel arregalou os olhos e veio se sentar na minha mesa.
- O que?! O que aconteceu?! Me conta tudo! E se não me contar eu tiro de você a força! - Eu ri levemente e me indireitei deixando o copo sobre a mesa.
- Ele tentou me beijar... Mas eu não quis...
- O que?! E por que?! Como você pode resistir aquele rostinho?! Meu deus....se fosse eu teria o agarrado naquele momento e...
-Então... - O interompi. Sabia o que ele iria fazer, ele não precisava me dizer. - Acontece que eu não sei por que. Do nada a imagem de Landon veio À minha mente e eu não consegui... Era como estivesse traindo-o. Eu não sei o por que... Estou péssima. - Voltei a me afundar em minha cadeira. Estava tão confusa quanto cego em tiroteio. Era como se tivessem me vendado e me girado sem parar e depois pedissem para eu andar. Era como estava. Daniel torceu o nariz e colocou sua mão em meus ombros.
-Querida... Acho que você sabe o por que... - Ele disse calmamente com uma doçura no olhar.Fiquei o encarando por um certo tempo até a ficha cair. Foi então que entendi o que ele quis dizer.
- Ah não! Eu não estou apaixonada pelo Landon!! Se é o que está querendo dizer!!Nunca! - Eu disse em um tom meio alto, me levantando com pressa da cadeira. Daniel tentanto me fazer ficar quieta puxou meu braço para me jogar novamente sentada nela.
- Você está louca? A Linda Kraft está logo alí! Quer ser despedida é?! - Ele me sussurrou com um tom meio bravo que me fez fechar a cara.
-Biscate... - Disse entre os dentes sentindo a raiva aquecer meu corpo. Linda realmente estava se mostrando uma pequena vadiazinha. Fofoqueira que nem se quer sabe cuidar da sua vida. Daniel me segurou pelo braço e me fez encará-lo.
-Agora escuta aqui. Nós dois sabemos o por que voce ficou confusa, agora só falta voce aceitar! - Eu emburrei a cara e olhei para o lado. Daniel não estava certo... Não podia...Ou podia? Não importava. Importava que estava preocupada com Landon e queria ver se estava tudo bem. Queria vê-lo e era o que iria fazer. Fiquei pensativa por algum tempo e depois voltei a encara-lo.
-Será que pode cobrir o meu dia hoje? É só terminar o relatório do México e envia-lo para o Sr.Juanes. Você consegue? - Perguntei ainda com a voz baixa para ninguem nos ouvir.
-Mas... Você não tinha terminado? - Daniel perguntou confuso.
-Não... Eu menti. - Rimos. - Você faz isso por mim? - Ele contentiu.
- Faço. Agora sái daqui a vai logo para casa dele! Okay? - Eu concenti também.
- Se der eu volto mais tarde.
-Não se preocupe com isso. - Eu sorri e silabei um 'Obrigado'- Vai logo!
Me virei e saí correndo. Sabia que podia confiar em Daniel, além do que ninguém iria presenciar a minha saída. Era quase certo. No meu caminho de ida para casa de Landon parei para compar um café para ele. Não era certo chegar na casa de alguém com as mãos abanando. Minha mãe sempre havia me ensinado a levar coisas quando se vai na casa de alguém. Bem infatil, mas educado. Estacionei meu carro perto do prédio de Landon. Desci e fui para a entrada do prédio. Procurei o numero do seu apartamento no placar dourado. Sm, eu ainda o lembrava de cor. Um barulho soou ao meu lado. Uma senhora estava saindo do prédio com a sua cadelinha na mão.
-Pode segurar a porta para mim? - Pedi e assim ela o fez, me encarando meio maldosamente, mas ignorei. Peguei o elevador e subi no seu andar. Caminhei até a sua porta. Meu coração estava disparado. Por que? Engoli seco e bati levemente na porta. Tinha batido leve demais? Era melhor bater de novo mais forte? Quem sabe. Bati mais forte desta vez, meio impaciente.
-Já vai! - Ouvi a sua voz ecoar dentro do apartamento fazeno meu coração bater mais rápido ainda. Estava parecendo uma menininha do ginásio naquele momento. Respirei fundo e esperei ele abri-la. Ouvia os passos dele se aproximando. A chave rodando e a porta abrindo. Landon apareceu do outro lado e o café nas minhas mãos quase que vai-se ao chão. Era ele, com uma calça de pijamas xadrez, descalço, sem camisa, mostrando a sua barriga definida e seu peito rígido. Realmente parecia esculpida por anjos. Seus cabelos estavam bagunçados e presumi que ele estivesse dormindo.Meu deus... Ele arregalou os olhos como se eu fosse a última pessoa que esperava ver alí.
-Isa- Isabela?! - Ele disse gagejando.- O que...- Ele tociu tentando parar de parecer bobo. - O que.. está fazendo aqui? - Eu encarei o chão por alguns instantes depois voltei a ele.
-Eu fiquei preocupada... Você não foi trabahar e eu queria saber se estava tudo... Bem... - Eu disse pausando em alguns momentos tentando me concentrar no que dizer. Ele ficou me encarando também como se tentando entendero que estava fazendo alí. Um silencio estranho fez-se. Eu ergui o café em sua direção. - Eu trouxe um café... - Disse com voz gentil. Ele sorriu diante da minha ingenuidade e pegou o café de minha mão. Uma risada escapou seus lábios.
-Obrigado... Obrigado, mesmo. - Ele colocou as duas mãos no copo quente e voltou a me encarar. Olhos estranhos que invadiam minha mente. Queria saber o que ele estava pensando daquele momento.- Você não quer entrar? - Ele acordou repentinamente e saiu do caminho para mostrar o seu apartamente ainda impecavel. Como ele mantinha tudo aquilo tão arrumado? Não exitei. Sorri fracamente e entrei, dei alguns passos e parei ainda no hall.- Por que não se senta na sala enquanto eu troco de roupa... - Pensei o quanto aquilo seria um disperdício, mas tudo bem - Volto daqui a pouco.
O obedeci. Fui a sala e me sentei naquele grande sofa de couro negro. Minhas mãos impacientes valsavam pela minha perna pensando em diversas rotas de fuga caso alguma coisa desse errada. Era sempre útil. Mas eu ainda não sabia por que a sua presença ainda me afetava tanto. Era como se voltassemos ao ginásio e eu me sentisse completamente vulneravel, como um filhote sem a mãe. Frágil.
-Pronto! - Ele disse saindo do corredor, só que agora com uma camisa básica branca. Mais bonito que sem, se era possivel. - Hum... posso perguntar o que te trás aqui...Srta. Kemper? - Ele me perguntou com uma voz suave. Eu sorri e me ajeitei no sofá.
- Enquanto estiver vestindo pijamas, prefiro que me chame de Isabela. - Ele riu, um pouco desprevinido, e sentou-se no sofá a minha frente.
- Justo... E então... Isabela... - Eu sorri levemente ao ouvir o meu nome sair de sua boca. Aquilo era estranho. Eu encarei o chão ainda meio vermelha e depois voltei-me.
- Eu fiquei preocupada quando não foi ao trabalho e...depois do que aconteceu ontem... - Eu disse meio sem graça, percebendo a sua feição ficar séria ao ter mencionado o ocorrido. - Eu só vim verificar...na verdade... - Eu disse meio delicada. Ele acentiu levemente e cruzou as pernas formalmente. Percebi que aquilo havia o deixado desconfortável.
- Ah sim... Ontem... Quase me havia esquecido... - Ele disse seriamente encarando o chão. Subtamente ele se levantou ficando na frente do sofá, com as mãos na cintura. - Falando nisso, como foi o seu jantar com o Sr. Delaney? - Ele me perguntou maldosamente. Seu tom de voz havia mudado. Agora estava ríspido e sarcástico, poderia até dizer rigoroso.
- Ahm... Foi bom, na verdade, mas acho que não vem ao... - Eu disse sendo interrompida no meio da frase por ele.
- Ah, sim... Imagino. Ele é muito amável não é? Eu vi como vocês dois estavam se dando bem lá no café. - Landon estava sendo injusto comigo. Eu sei que eu tinha pisado na bola, mas eu estava lá como uma tentativa de me desculpar, e afinal de contas, quem invadiu a minha casa bêbado foi ele, e não eu! Eu não estava lá para jogar na cara dele como eu tinha me saido no jantar, por que nem que quisesse eu teria como... Eu tinha pensado nele o jantar todo e ele havia sido um desastre por causa disso. Ele realmente estava tentando me atingir...de maneira muito baixa. Senti um nó na minha garganta como um choro segurado. Não poderia fazer aquilo na frente dele. Me levantei rapidamente e peguei minha bolsa.
- Quer saber... É melhor eu ir. Me parece que esse não foi um bom momento...- Dei alguns passos e fui interrompida por ele de novo.
- Oh não! Na verdade é um ótimo momento Srta! Se voce veio aqui conversar, vamos conversar! - Disse ele na maior naturalidade dando um tom ironico aquela frase. O nó ficou maior. Eu virei-me irritada.
- Eu não vim aqui conversar sobre isso, OK?! Eu só vim ver como você estava! - Eu disse com o tom um pouco alterado.
- E então... conseguiu mostrar muita coisa de NY para o Sr. Dellaney? - Ele disse ignorando totalmente o que eu tinha dito antes. - Ou não deu tempo? - Eu parei e encare-o confusa tentando entende ro que estva dizendo. Ele se aproximou de mim.
- Do que você está falando?- Eu perguntei irritada.
- Conseguiu dar um tour pela cidade ou ficou só no quarto mesmo? - Ele perguntou naturalmente. O meu sangue subiu. Toda aquela tristeza e aquele nó se trasformaram em ódio. Ele estava sendo vulgar e intrometido. Ele não tinha o direito de falar assim comigo, nem como pessoa e muito menos como a sua funcionaria. Se ele estava acostumado em mandar em todo mundo o problema não era meu, por que sabia que em mim ele não iria mandar. Não podia me dizer todas aquelas baixarias e sair ileso de tudo isso. Em uma explosão de raiva, minha mão subiu rapidamente e foi de encontro ao seu rosto, fazendo um barulho tremendo e fazendo o seu rosto virar-se para o outro lado. Um silencio na sala. Ele virou o seu rosto lentamente e me encarou. Seus olhos ainda me provocavam de mais. A minha mão se levantou novamente e começou a fazer o memso caminho, mas foi interrompida antes pela mão de Landon que segurou meu pulso. Ele ficou me encarando firmemente enquanto sua mão fechava cada vez mais sobre meu pulso. Eu não desviava o olhar, igualmente. Iriamos ficar ali por horas se dependesse de mim. Eu sentia o calor que emanava do seu corpo e ele podia sentir o meu também. Seus olhos eram tão fortes e tão misteriosos. Não estavam irritados nem nada do tipo, estavam culpados. Seus labios deliniados envolviam a sua respiração rápida. Sua mão foi soltando o meu pulso levemente, descendo pelo meu braço, como se o acariciasse. Voltei meus olhos para sua mão sobre meu braço e depois voltei para os seus olhos. Não entendia o que estava acontecendo. Subtamente Landon envolveu suas mãos finas no meu pescoço e me puxou para o dele. Foi tudo tão rápido que eu demorei alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo. Mas não exitei em corresponder. Da onde viera aquilo? Realmente não sabia. Mas eu também nem ligava. Toda a minha raiva se dissipou nos seus beijos e em o toque da sua pele.
Segurei seu rosto com a mesma força quanto segurava meu pescoço enquanto seus beijos violentos tomavam a minha boca. Nunca tinha visto esse lado de Landon, voraz e sedento, tomado por desejo que viera de sei lá aonde, mas eu realmente não ligava. Tudo que eu queria estava literalmente nas minhas mãos naquele momento. Seu rosto macio e seus labios rosados chocando-se contra os meus. Sua mão desceu até as minhas costas e logo após até as minhas coxas, me impulsionando para cima, fazendo minhas pernas se envolverem acima de seu quadril. Sua mão voltou as minhas costas me dando apoio, por que se não iamos os dois para o chão. Eu agarrei seu percoço com força enquanto ele me levava para a mesa do jantar. Me colocou deitava na mesa fria e continuou a me beijar, e eu realmente não queria que ele parasse. Suas mãos em minhas pernas faziam com que o comprimento da minha saia diminuisse e aumentasse conforme seus dedos valsavam pela minha pele quente. Ele se afastou um pouco dos meus lábios e eu conseguia sentir a sua respiração bater contra a minha, seu cabelo jogado sobre seus rosto me empedindo de ver seus olhos. Coloquei alguns fios atrás de sua orelha me fazendo encarar seus olhos esverdeados.
- Me desculpe ter sido um idiota ultimamente... - Ele disse baixo, como uma confissão. Eu sorri abertamente e lhe dei um beijo lento nos lábios e voltei a nos distanciar. Queria que ele soubesse que eu não ligava para o quanto ele tinha sido um idiota, agora não me importava. Não mais. Era a peça do quebra cabeça que me faltava para entender o que eu estava sentidno. - Nunca deveria ter tirado você da minha vida...Mesmo... - Disse ele baixinho contra meu ouvido. Era tudo que eu precisava ouvir naquele momento. Além dos chingamentos e das entrigas e do ciumes que sentiamos um pelo outro sabiamos que havia algo mais. Eu queria Landon perto de mim, e sabia que ele também me queria. Era como se os anos da escola tivessem voltados para tentarmos de novo. Eu tentaria, de coração aberto. Landon se distanciou ainda mais para poder me analisar quase por inteira. Ele sorria. - Não sei como pude deixar você escapar no colégio... Devia ser mesmo um cego... - Ele me dizia ainda com um sorriso no rosto. Eu sorri e levantei as minhas costas me aproximando dele. Coloquei minha mão sobre seu rosto e o beijei novamente. Era como se ele tivesse entrado na minha mente e estava dizendo tudo o que eu queria escutar, e ainda mais.
-Eu não ligo... Mas que bom que agora voce viu...- Eu ri ironica fazendo o rir também. Ele me deitou na mesa e voltou a me beijar.Subtamente pancadas ecoaram por toda a sala. Era a porta. Mas logo agora?! Amaldiçoei quem estivesse do outro lado, nos interrompendo na nossa reconciliação boba, mas memso assim muito importante. Landon olhou para o hall e depois voltou a mim.
-Eu preciso atender... Um segundo... Deve ser Sr. Tanehill com uns relatórios que eu havia pedido. - Ele disse se direcionando à porta. - Voltarei e um segundo! - Gritou ele já de longe. Eu bufei e sentei na mesa, como uma menina emburrada. Arrumei minha saia e esperei que ele voltasse, pena que isso iria demorar mais do que haviamos planejado.

Veri.



domingo, 7 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap 19 - Vinho Branco e Whisky.

Foi ótimo passar o resto do dia trabalhando sabendo o motivo pelo qual Landon estava roendo as unhas. É claro que eu adoraria ir um pouco mais cedo para casa para dar a produção que a noite exigia.Mas eu não podia.Na verdade não podia se quer sair no meu horário normal.Eu chegara atrasada, lembram-se?Eu me lembro.

- Meu Deus, você não está indo longe demais com isto? – perguntou Daniel enquanto preenchia um contrato.
- Não use o pronome você no singular.Não estou fazendo isso sozinha.E além do mais não estou fazendo nada de errado.O que tem demais em levar o sr. Delaney para conhecer NY?- perguntei com toda naturalidade.Daniel parou de preencher o contrato e me lançou um olhar maldoso.
- Nós dois sabemos que esse jantar envolve outros interesses.E não se faça de boba mocinha.Mas não é isso de que quero falar, pois esse é assunto que nós dois estamos carecas de saber.O que você pretende com hoje à noite? – Eu olhei como se tivesse dito algo extremamente obsceno sobre mim – E não faça essa cara.Não sou o Landon.Você sabe que pode ser sincera comigo.
- Está bem – eu disse – você venceu.Na verdade não sei o que realmente quero.Estou um tanto confusa.Não estou me sentindo realmente melhor depois da cena de hoje.Mais confortável, confesso.Mas meu ego continua...Abalado.
- Você não ama o Sr. Delaney, é óbvio que não.Já Landon...Você apenas se sente atraída por Henry.
- Mas ele não me ama! – falei sem pensar.
- Fale baixo – falou Daniel – Você se lembra o que eu disse sobre as paredes terem ouvidos?
- Que se dane.Vou neste jantar e se tiver que acontecer algo, que aconteça!O Sr. Delaney é um homem bonito, educado qual o problema?
- Isabela... – falou Daniel enquanto me entregava o contrato preenchido.Levantei-me.
- Não sou mais a garotinha de North Hight! – e andei sentido à recepção.No corredor Landon vinha vindo na mesma direção que eu.O corredor entre a recepção e o nosso setor é estreito.Conclusão: só cabia uma pessoa.Parei na hora e me virei de lado para que Landon passasse.Ele se frente pra mim e passou lentamente rente.Nosso olhares se encontraram e eu senti o seu perfume novamente.Nós podíamos até se beijar.Eu sei que ele sentiu o mesmo.Por um instante esqueci todas as brigas e as coisas ditas entre nós.Sim, nós poderíamos nos beijar.Se não fosse Linda Kraft aparecer com um aparelho eletrônico na mão dizendo ‘preciso falar urgente com o sr, sr. Dylar’ fazendo questão de dar ênfase às ultimas palavras, cujas quais eram: ‘á sós’, olhando pra mim quase mandando que eu me retirasse com o olhar.Landon se afastou na hora de mim e eu me virei continuando meu trajeto.Como eu odiava Linda!Mas no mesmo instante que sentia ódio lembrei que teria um jantar com o qual me preocupar à noite, então esqueci Linda e me concentrei no contrato que devia entregar a Cintya.

Arrumei tudo após fazer meu horário extra.Não havia mais ninguém na OwnBusiness além de mim e Landon.Até Cintya já havia ido embora.E eu faria o mesmo, pois eu só tinha 1 hora até Henry buzinar em minha casa.Enganchei a bolsa no ombro e olhei pra frente para seguir.Landon estava bem em meu caminho.
- Espero que já tenha terminado todos os seus afazeres srta. Kemper – disse tentando parecer formal.Cruzou os braços e encostou de modo sexy(devo dizer) na grande vidraça que nos dava a linda imagem de Nova York.
- Pode estar certo que sim Sr. Dylar – falei tentado me desviar dele.Mas uma vez ele me interceptou.
- A srta. ligou para o dona da empresa do México?
- Liguei, sr. Dylar.
- Acertou os contratos do Colorado?
- Acertei, sr. Dylar.
- Enviou por e-mail todas as notas fiscais dos produtos do Arizona?
- Enviei Sr. Dylar! – falei irritada.Ele me olhou com surpresa.
- Eu...Só queria confirmar.
- Já confirmou, agora preciso ir, com licença – e me desviei dele.Senti uma mão segurar o meu braço ao passar por ele.
- Para o jantar com sr. Delaney não é? – falou com desdém.Eu o olhei com piedade e não respondi.As palavras simplesmente fugiram da minha boca.E me puxou com certa força da perto dele e nosso lábios quase se tocaram.Eu podia sentir seu hálito quente e seu perfume masculino que eu tanto conhecia.
- Landon...Por favor... – falei quase sem poder resistir.Ele me encarou nos olhos e me soltou.
- Está dispensada srta, Kemper – ajeitou o relógio no pulso e deu às costas me deixando com cara de abandonada.

Eu definitivamente me produzira para o jantar.Estava atraente, devo admitir.Caminhei em direção a Henry que estava parado ao lado do carro esperando para abrir a porta para mim.
- Olá srta. Kemper – falou ele me analisando sem esconder para onde olhava.Estava tão fascinado quanto Landon quando me vira parada na porta de sua casa no nosso primeiro jantar de negócios.Droga!Eu estava lembrando de Landon de novo – A srta. está...maravilhosa! – E beijou minha mão sem tirar os olhos de mim.
- Obrigada sr. Delaney! Digo o mesmo do sr. – a porta do carro foi aberta e nós seguimos para o restaurante.
- E então srta. Kemper – falou ele enquanto dirigia – Em que restaurante a srta. quer ir? – ah não.Aquele sotaque inglês era demais para mim.
- Que tal o Café Pierre? – falei.Era um restaurante francês e Landon me convidara para ir lá uma vez.Devia ser bom – A culinária é francesa, acho que vai gostar, sr. Delaney.
- Ora, pode me chamar apenas de Henry.Não estamos trabalhando e nem na presença de ninguém importante.
- Ok...sr Del...Henry. – risos – Sendo assim me chame de Isabel também.Sem formalidades esta noite – Ele sorriu e se voltou para o transito.
Chegamos ao restaurante.Era mesmo deslumbrante, Landon sabia escolher.Landon de novo?Chega de Landon!Agora sim Henry puxara a cadeira pra eu me sentar.Era acima de tudo, cavalheiro.
- Podemos pedir um vinho branco, srta. Kemper? – perguntou-me ele enquanto analisava o menu.
- Ei, e nosso combinado?Me chame de Isabela. – falei em tom descontraído.
- Oh perdoe-me.Podemos pedir um vinho branco, Isabela?
- Claro Henry, sinta-se à vontade.
- Isabela, eu...Devo dizer que quando conversei com você por telefone na Inglaterra, a única coisa que me atraiu em você foi a sua incrível competência em relação aos negócios.Mas... – ele parou como se estivesse lembrando de algo – quando a vi pela primeira vez na OwnBusiness fiquei totalmente encantado pela sua beleza também.
- Ah...Henry, assim... o sr me deixa sem graça – falei um pouco vermelha.
- Oh, me desculpe.Mas eu precisava dizer isto à você – e sorriu levemente.
- Bem...Quando nos falamos por telefone discutimos apenas assuntos profissionais.
- Claro...Não havia espaço para outros assuntos.Mas neste jantar não precisamos discutir negócios, não é?Fale-me de você.Quero saber mais – falou ele cruzando as mãos em cima da mesa.E assim o jantar se seguiu.Ele me fez algumas indiretas, de certa forma correspondidas.
- Será que agora, ao invés de irmos para casa, você não poderia me levar para conhecer algum outro local de NY? – Henry tinha se mostrado um homem incrivelmente simpático e divertido.Neste ponto até me lembrou Daniel.Com aquele terno e gravata que sempre usava quando nos encontrávamos não passava a impressão desta outra pessoa.Hoje estava usando camisa social.Mas sem terno.Sabem...Ele também tinha braços sexys.
- Mas claro!Afinal é para isso que estamos aqui hoje.

Fomos a uma praça que possuía uma escultura bem na frente do World Trade Center.Ele ficou deslumbrado com tudo.Eu realmente tinha gostado de sua companhia.
- Isabela...Eu, gostaria de agradecer pela noite – e pegou em minhas duas mãos.Ficamos um de frente para o outro – Eu não esperava me divertir tanto com esta vinda para os Estados Unidos.
- É uma honra – falei.Ele me encarava nos olhos.
- Você é mais do que eu esperava conhecer, e quero que sabia disso – foi se aproximando cada vez mais.Eu não devia beijá-lo.Mas queria.
- Você também Henry, se mostrou muito mais simpático do que eu pensei que fosse – agora estava perto demais.Talvez nossos lábios de tocassem agora.Minha mão foi mais rápida que meu pensamento e se colocou rapidamente entre nossas bocas – Você...O sr...Me desculpe! – falei me esquivando de olhar para ele.Eu realmente gostei muito de você, mas...Acho que estamos indo rápido demais.
- Me desculpe! – falou ele envergonhado – Me desculpe mesmo.Eu...Fiz tudo muito depressa.
- Não!Não se desculpe por favor.Eu até quero...Mas, nós trabalhamos juntos e...Vamos esperar um pouco mais, apenas isso.Eu só estou pedindo um pouco de tempo para me organizar.
- Terá todo o tempo que quiser Isabela querida – e me abraçou.Quando me abraçou e poderia mesmo ter virado o rosto e lhe tascado um beijo do qual eu não ia esquecer tão logo, de tão bom que seria.Eu queria muito beijá-lo, mas me segurei.Não sei exatamente o porque.Não estava ‘pronta’.
Henry me levou para casa e se foi.Não perguntou nada do tipo ‘ Não quer me convidar para entra?’.Tadinho.Acho que ficou um pouco traumatizado.
Peguei as chaves para abrir a porta quando escutei um barulho atrás de mim.Olhei para traz e Landon estava parado encostado segurando uma garrafa semi-vazia e whisky.Sua aparência denunciava de estava bêbado.Ainda bem que Henry não se convidou para entrar.Fiquei assustada.
- Landon...O que estava fazendo aqui? – perguntei.
- Esperando fozê chegar! – ele estava claramente fora de si.
- Landon...Entre.Que tal tomar um chá e...Você pode dormir aqui se quiser.Não pode dirigir neste estado!
- NÃO! – gritou ele – Você é uma...Falsa!
- Landon pare com isso.Venha comigo, sim? – Tentei pegar no braço dele, mas ele se esquivou.Ao contrario de atender ao que eu dissera ele algo do bolso.Era o mesmo aparelho eletrônico que eu vira nas mãos de Linda mais cedo.Ele o acionou.

- Que se dane.Vou neste jantar e se tiver acontecer que algo, que aconteça!O Sr. Delaney é um homem bonito, educado qual o problema?

Era um gravador.Ele repetira com a minha voz, exatamente e no mesmo tom o que eu dissera à Daniel a tarde.Fiquei loucamente irritada.
- Quem lhe deu isso Landon? Linda?Linda não foi? – Falei tentando me conter.
- Não importa!Vozê não gosta de mim como eu gosto de vozê!Então fiquei com o... – e fez uma cara de desdém – O sr. Delaney, que é bonito e educado! – ele cambaleava enquanto falava e quase tive certeza que a garrafa ia cair de suas mãos.
- Landon, pelo amor de deus pare com isso!Aonde você quer chegar?
- Isto que eu ouvi, já foi o zufissinete!
- Ela te mostrou o que eu disse um pouco antes também? – perguntei.Mas Landon se quer ouvira o que eu dissera.Seus olhos olhavam paras órbitas inconscientemente.Eu parei um táxi e o levei pra casa.Seria constrangedor ele acordar em minha casa no dia seguinte depois da cena descrita.No caminho ele resmungou coisas do tipo ‘eu te amo, mas que se foda.’E acreditem, pior do que ficar ouvindo isso, e o taxista rindo na frente, foi colocá-lo na cama e fazê-lo ficar lá.Depois que a bebida e o sono falaram mais forte tudo ficou mais fácil.Cheguei em casa e poderia matar Linda se a encontrasse na minha frente.


Isa.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap. 18 - Tempo Britânico

Se fosse para listar as coisas que eu mais odeio nesse mundo, com toda certeza o que estaria no topo desta lista seria “ acordar com o telefone”, e logo em seguida teria “ não achar o telefone”, meu dia começara com ambos. Meus olhos abriram em um susto quando ouvi o som estridente do telefone abafado por alguma coisa. Ainda meio sonolenta procurei-o, em vão, estendendo preguiçosamente minha mão sobre o criado mudo. Consegui enfiar meus dedos no prato de purê de batata ressecado pela noite, que estava ao meu lado. Ponto positivo para mim. Suspirei fundo e limpei meus dedos em minha camisola. O telefone ainda continuava a tocar. Revirei-me procurando-o e achei-o escondido sobre uma dobra da coberta. Tratei logo de apertar qualquer botão para atendê-lo.

-Alô? - Respondi meio aflita.

- Filha!? – Revirei os olhos pensando no que mais iria acontecer nesse dia para torná-lo memorável como “O pior dia de todos”. Agora só o que me faltava era esbarrar com Angelina por aí para torná-lo per-fei-to.

- Oi mãe... – Disse longamente me enfiando de volta nas cobertas.

- Você sabe há quanto tempo estou aqui sem noticias suas?! Faz idéia?! Qual é o problema com a sua secretária eletrônica? Aposto que é você que não ouve as suas mensagens! – É, ela tinha acertado nisso. – Só por que foi morar sozinha acha que não me deve satisfação?! Nada disso, mocinha!

- Mãe, mãe!- Disse interrompendo as ladainhas enfurecidas de minha mãe. - Olha, está tudo bem, Ok?! Eu estou ótima! Só que agora com esse meu trabalho não estou tendo tempo nem para pensar! – O que era até que verdade. - Me desculpa! Ia entrar em contato assim que possível! Mas não deu! Juro!

- Sei, sei! Em falando em trabalho, você não deveria estar no seu escritório já?! – Contemplei a pergunta por alguns instantes em silêncio, minha mãe por fim completou. – Pensei que seu expediente começasse a 15 minutos atrás. – Silencio de novo. – São 08:15, querida. – Meus olhos se arregalaram e uma dose cavalar de adrenalina foi jogada no meu sangue.

-PUTA QUE ... – Lembrei da minha mãe na linha e tentei me conter. – Tenho que correr, mãe! Tchau!! – Joguei o telefone na base e saí o mais rápido que pude. Sabia que depois teria que ligar para minha mãe e ouvir o triplo de ladainhas sobre o meu comportamento e meu vocabulário inadequado, mas que se dane. Voei sobre as ruas de Nova York como realmente pensei que nunca poderia. Nem tinha se quer olhado no espelho, já me faltava ter que chegar na OwnBusiness ter que explicar tudo a Landon. Cafajeste. O que ele havia me dito ontem a noite realmente não descia pela minha garganta. Eu sabia que estava sendo descarada com Sr. Delaney mas bem que Landon mereceu depois de tudo que tinha feito comigo. Não me arrependia. Se fosse para me arrepender me arrependeria de não ter lhe esmurrado a cara ao ter falado aquilo, mas não poderia colocar meu trabalho em risco. Só por isso.

A minha maleta deslizava pelo meu ombro enquanto corria no saguão principal tentando amarrar meu cabelo e pegar o elevador ainda aberto. Estava atrasada a quase 40 minutos e não conseguia deixar de imaginar a cara de Landon quando chegasse até lá. O elevador abriu no meu andar e eu saí correndo, só ouvindo o ressoar dos meus saltos sobre aquele saguão de mármore branco. Na recepção avistei Cintya logo de cara, ocupada sempre com os seus vinte milhões de telefonemas. Nada de Landon por enquanto. Era só pensar no diabo que ele aparecia. Lembrei disso tarde de mais. Derrepente, vindo de não sei aonde, aparece Landon debruçado na mesa da recepção. Ele estava me esperando aparecer ou era só coincidência? Cintya e Landon logo notaram a minha presença. (também com aquele barulho de salto que não repararia?). Senti os olhos dele pesando em mim e sabia que ele não estava ali só por coincidência. Era como se me olhasse com misericórdia, como que se soubesse da burrada que havia feito na noite passada, e eu não o culpava. Ele realmente havia pisado na bola.

- Bom dia , Cintya! – Disse efusiva passando reto e comprimentando-a com os olhos, virei-me para Landon e dei um sorriso fraco e meio irônico. –Landon... – Ele não demonstrou nenhuma reação a não ser encarar-me enquanto passava por ele. Estranho. Landon não perderia nem se quer uma oportunidade de me chacotear.

- Não me deve uma explicação? – Perguntou ele enquanto já mantinha-mos uma distancia até bem grande. Seria bom de mais para ser verdade. Virei-me cínica e encarei-o como se não soubesse do que dizia. Lógico que eu o devia uma explicação sobre o meu atraso. Como chefe, mas como Landon o que eu mais queria era dizer-lhe que não o devia nada além de contratos no final do mês.

- Oh! Me desculpe. O meu despertador não tocou. – Disse simplesmente com um sorriso fraco e continuei a andar. Queria tanto ter lhe dito algo como “ Me desculpe Sr. Dylar, é que eu tive uma noite inteira de sexo animal e hoje não tive nem forças para levantar-me da cama.” Seria realmente um sonho se tornando realidade, mas tinha que respeita-lo como chefe. (infelizmente). Ele sorriu maliciosamente e eu tremi. Sabia que alguma coisa estava prestes a vir.

- Você sabe que terá que cobrir esses seus... – Ele checou o relógio e voltou a me encarar. – 45 minutos de atraso hoje a noite não é? - Ele disse com um ar didático. Eu tinha certeza que ele estava tentando me punir por causa do que tinha acontecido ontem com o Sr. Delaney. Se ele queria brincar esse jogo, eu apostaria todas as minhas fichas então.

- Oh, não tem problema. Tenho certeza que arranjarei uma companhia para ficar até mais tarde aqui. Falando nisso, o Sr. Delaney ainda está aqui em Nova York, não está?! – Perguntei vitoriosa com um ar despreocupado como se não soubesse a ligação entre as minhas duas suposições..

- Sim, Sr. Kemper – Respondeu Cintya que acompanhava a história, mas sem se intrometer. – Na verdade, ele está na sala do Sr. Dylar nesse instante. Ele e o Sr. Tanehill estão tempo uma reunião sobre uma clausula do contrato, mas creio que... – Subitamente Cintya parou ao encarar os olhos enfurecidos de Landon que eram como tentassem faze-la se calar. Eu me senti mais vitoriosa ainda sabendo que ele estava com ciúmes do Sr. Delaney. – Mas... Não sei... Talvez acabem tarde... – Disse reticente, como se quisesse desfazer o que já havia dito. Eu ri despreocupada e encarei Landon satisfeita.

- Ótimo. Falarei com ele assim que acabar. Quem sabe ele não me faz companhia até o meu final do turno. – Disse sorridente. – Prolongado não é? – Landon tossiu levemente e reajustou a gravata como se estivesse nervoso. Nunca havia lhe visto assim.

- Quer saber, Sr. Kemper? – Ele disse retomando a pose de indiferente.- Quem nunca teve um contratempo com o despertador, não é? Não vou te prender aqui por isso. – Ele sorriu levemente.- Até eu mesmo já perdi um dia de trabalho por causa disso! Então por que você não esquece isso e...

- SENHOR DELANEY! – Gritei exaltada ao vê-lo sair da sala de Landon. Ignorei totalmente o que acabara de dizer e passei por ele fazendo questão de esbarrar levemente no seu obro. Sabia que estava fazendo isso só para o irritar. Era uma guerra afinal.

- Senhorita Kemper! – Disse igualmente exaltado dando-me um aperto de mão mais demorado do que o usual, fazendo o sangue de Landon ferver. – Está tudo bem? O que houve ontem a noite eu a senhorita teve que sair as pressas? Aconteceu alguma coisa? – Disse ele se preocupando com um sotaque inglês. O que me fez mais feliz ainda.

- Não, não. Não aconteceu nada. Acontece que algum idiota me ligou dizendo uma bobagem sobre uns contratos que eu tinha feito. Acontece que era só um engano. Um engano de um idiota. – Disse fazendo questão de repetir mais uma vez a palavra ‘idiota’. Servisse a carapuça a quem servisse. – Mas está tudo bem agora. Eu só queria me desculpar por ter saído derrepente, nem consegui te mostrar um pouco de Nova York.- Disse com uma cara decepcionada.

- Não, não, senhorita! Não tem problema algum! Que tal você me recompensar saindo hoje a noite comigo para me mostrar um bom restaurante aonde possamos jantar? Você topa? – Eu senti o calor emanado do corpo de Landon que estava atrás de mim. Não tive coragem nem de me virar para ver a sua cara. Seria trágico de mais. ( ou engraçado de mais). Sabia que ele estava roendo o próprio ego ao presenciar essa cena. Eu já tinha falado que não esperaria por ele a minha vida toda, era bom que ele se lembrasse disso as vezes.

- Oh, sim! Eu vou com toda certeza. Já que hoje ficarei mais tarde aqui no escritório... – Dizendo isso olhei de relance o para Landon. – Será que podemos combinar lá pelas...hum... deixe-me ver... 20:30?

- Sim, claro. Me passe seu endereço que oito e meia passarei por lá. Sou britânico. Britânico são pontuais. – Dizendo isso Henry piscou seu olho esquerdo para mim de leve. Eu dei uma leve risada. Peguei uma caneta no balcão da recepção e um papel e anotei me endereço e meu número.

- Aqui está. Te espero oito e meia então! – Disse sorrindo abertamente. Henry sorriu, se despediu de todos e saiu. Landon estava estático, encarando-me quase boquiaberto diante da minha reação. Aquilo era mais gostoso do que parecia. Estar no controle. – Bem, preciso ir trabalhar então. Desculpe pelo atraso sr. Dylar. – Sorri ironicamente sabendo que na verdade não me desculpava. Virei-me dando as costas para Landon e seu queixo caído.

A vingança nunca me pareceu tão doce.

Veri.

I Can't Let Go - Cap. 17 - Café Habana, at Elizabeth St.

Landon fez questão de dirigir até o café, é claro.Ele não perderia a oportunidade de me pedir ‘gentilmente’ para me sentar no banco de trás.
Durante o trajeto eu fui totalmente excluída da conversa.Landon e Henry discutiram sobre negócios até não ter mais assunto.Citavam o tempo todo, nomes de pessoas que ambos conheciam, e que eu não fazia idéia de quem fosse, o que me colocava ainda mais fora dos assuntos.E quanto mais eles falavam sobre assuntos desconhecidos mais Landon se empolgava.Claro, eu estava sendo obrigada e calar a boca.Ok, 1 a 0 Landon.
Mas não por muito tempo.
Foi um alívio avistar o letreiro ‘Café Habana’, pois assim eu tive uma desculpa para falar algo nem que fosse inútil.
- Olhem, já estamos chegando! – tipo isso.Não foi legal, porque ninguém respondeu.Na verdade pareceram nem ouvir o que eu dissera, porque continuaram falando.Landon ouvira, eu sei que ouvira.Eu seria capaz de berrar um palavrão na orelha dele naquele momento.Ok, ok!2 a 0 Landon.
Quando descemos do carro procurei fazer barulho com os saltinhos para que pelo menos um dois reparasse um pouco mais em mim.Eu estava a beira do desespero.Landon conseguira me irritar.De verdade.
Nenhum dos dois puxou a cadeira para eu me sentar.Por que eu ainda esperava isso?Talvez Henry puxasse, mas estava muito mais preocupado com as taxas de exportação no momento.Peguei o menu e meus óculos.Comecei a lê-lo emburrada e quieta.Era assim que eu ficava quando estava brava e não podia fazer nada respeito para melhorar.A não ser que...Aproveitei da vantagem de estar quase de frente para Henry e cruzei a perna de modo, acreditem, bastante sensual.Se eu não estivesse num café e usasse roupas um pouco menos comportadas, alguém poderia dizer que eu era uma stripper profissional. Empatei o jogo! É claro que eu atraíra a atenção dele.E...De Landon.

- Já escolheu seu pedido, srta Kemper? – falou Henry parando de falar de negócios bruscamente.Era a oportunidade perfeita.
- Ainda não Sr. Delaney, estou esperando que escolha o seu.Afinal, o sr é nosso convidado – ele sorriu, e Landon chamou o garçom.Os pedidos foram feitos.
- É um café muito agradável srta Kemper – comentou ele.
- Por isso o escolhi para trazer o sr. – falei sorridente.
- Eu também adoro esse café – falou Landon tentando não ficar fora da conversa.
- Muitas vezes, quando não tenho nenhum jantar inesperado a noite, Sr. Delaney, venho aqui depois que saio da OwnBusiness.É ótimo depois de um dia estressante de trabalho – falei com leve tom irônico.Landon me lançou um olhar, que tinha certeza que sairiam lasers de olhos.Henry riu descontraidamente.
- E quem é que pode ter um dia estressante naquela empresa?Eu adoraria trabalhar lá, o ambiente parece ótimo – falou para mim e Landon.Eu adoraria dizer ‘parece, SÓ, parece’.Mas não falei, como sempre.
- O ambiente é mesmo ótimo, só que as vezes alguns funcionários passam dos limites, o sr. sabe como é... – falou Landon interrompendo o que eu poderia dizer.Nossos pedidos chegaram, e o garçom nos serviu.
- Claro, sr, Dylar, claro.Não pense que na Inglaterra é diferente – neste momento eu tive vontade de dizer ‘nossa, o sr também tem um caso com uma de suas funcionárias?’ – Nós temos que ser rígidos.
- Com toda certeza – falou Landon dando um galé em seu café.
- Mas eu creio que este é um atributo que não se encaixa em sua funcionária aqui – e me olhou com aqueles olhos azuis e sorriu antes de colocar a xícara nos lábios.Por essa eu não esperava.Esperei que Landon dissesse algo, pois não consegui se quer sorrir.
- A srta. Kemper é... – fiquei com medo do pudesse vir depois – estreitamente profissional – falou Landon.Profissional? Ele estava se referindo ao nosso envolvimento?Agora ele havia apelado.
- Eu não tenho dúvidas, sr. Dylar, eu não tenho dúvidas – completou Henry.
- Sr. Delaney, espero que esteja mesmo gostando da cidade, pois ainda há muita coisa para ver – falei mudando o assunto.
- Oh sim – falou ele – Nova York é mais do que eu esperava! Espero ter mais assuntos de negócios para poder voltar mais vezes aqui.
- Espero que o sr. tenha mais motivos do que assuntos de negócios para poder voltar aqui, sr. Delaney – falei em tom gentil.Landon engasgou com café e começou a tossir.
- Sr. Dylar? – falou Henry – O Sr. Quer ajuda? – disse dando leve batidas nas costas de Landon.
- Não...cof cof! – disse Landon meio desconcertado – Estou bem!Eu só...Preciso ir ao toalete!Ele jogou com certa força seu guardanapo em cima da mesa e se levantou atraindo a atenção das mesas vizinhas e se dirigiu ao banheiro masculino.
- Eu disse alguma coisa? – perguntou Henry a mim.
- Oh, não, não!Acredite o sr. Não disse nada.Landon apenas engasgou.Essas coisas acontecem... – falei me sentindo culpada.Acho que eu tinha ido longe demais.
- A srta. é muito gentil srta. Kemper – E ao dizer tal frase pegou na mão que estava apoiada em cima da mesa.Olhei para o banheiro e Landon estava olhando para nós.Quando meu olhar encontrou o dele e entrou rapidamente no banheiro.
- Será que ele esta bem mesmo? – perguntou Henry em tom preocupado.
- Eu não sei...Talvez...Talvez seja melhor eu verificar – E me levantei também indo na direção de Landon.Henry ficou sentado na mesa, e reparei que ele me observou durante meu trajeto.Ainda tenho dúvidas se seu olhar era de ansiedade por conta do que acontecera ou se apenas era para as minhas curvas.Fiquei com a primeira opção.
A porta do banheiro masculino estava aberta, e eu não sabia como fazer para tirar Landon de lá.Olhei para os lados.Nenhum homem a vista.Dei meu primeiro passo para dentro do banheiro masculino, quando um homem veio saindo lá de dentro dando de cara comigo.
- Ah! – exclamei desconcertada – Banheiro...errado!
- O feminino é o da frente senhorita – falou ele apontando para as minhas costas.
- Ah, eu sabia! – falei rindo de vergonha – Não...na verdade não sabia – mais um riso – eu vou pra lá então – e apontei para trás.O homem me olhava com ar de pena.
- Á vontade! – falou ele se desviando de mim e de minha ridicularidade para se dirigir a sua mesa.Corei de vergonha.Como eu faria para falar com Landon a sós?Eu não ficaria gritando ‘Landon...Landon...LANDON!’ na porta do banheiro porque além de parecer uma maluca, pareceria uma idiota.De repente avistei Landon saindo do banheiro.Não pensei duas vezes.Agarrei com toda força no braço dele e o puxei.
- Mas o que...? – tentou ele.
- SHHHHHH! – falei depressa tampando sua boca e o jogando para dentro do banheiro feminino.Abri o primeiro box que havia e tratei de nos enfiar lá dentro.Felizmente não havia nenhuma mulher no banheiro.Bem, na verdade havia, mas elas estavam dentro dos boxes então não fez diferença.
- Você ficou louca? – falou ele ofegante.
- Fiquei.Assim como você ficou!Que cena foi essa na frente do Sr. Delaney?
- Ora...Quem é que está sendo ousado aqui? – falou ele nervoso.
- Fale baixo! – falei – Você não podia ter feito isso.Foi uma atitude infantil!O Sr. Delaney é muito importante para empresa, será que não percebe isso?
- Para a empresa e para você não é?Parece que não é só a OwnBusiness que precisa dele! – eu lhe lancei um olhar irritado – E eu é quem deveria ter dito a sua ultima frase.Sou seu chefe!

- Querida, você acha que meus seios ficaram muito grandes depois do silicone?
- Oh!Não, estão ótimos, seu marido gostou?
- Adorou!Ontem à noite então...uma loucura!Ele tirou minha blusa e o sutiã com os dentes e...

Eu e Landon nos entreolhamos.As vozes foram sumindo, indicando que as donas do diálogo deixaram o banheiro.Aquele não era o momento para ouvir aquela conversa.
- Então é disso que vocês falam no banheiro? – perguntou Landon tentando conter o riso, assim como eu.
- Não.É disso que elas falam! – falei voltando a ficar irritada.
- Ah...Claro – falou ele – você não deve ser mulher então.
- Não seja ridículo Landon! – falei com a voz alterada – E que tipo de chefe é você, que não sabe ao menos tratar um cliente?
- O que você esta querendo dizer? – falou ele corando.
- Que eu acho que você entendeu! – eu estava tão nervosa quanto ele.
- Porque não abriu logo as pernas pra ele lá na mesa e o agarrou, então?Seria, mas fácil e rápido para os dois! – Percebi que ao dizer isso Landon se arrependeu na hora.Mas já era tarde demais.Meus olhos se marejaram e eu me senti como uma prostituta.Ele conseguira mesmo me atingir.
- Não...Isabela...Olhe... – falou ele tentado consertar.Abri a porta do box violentamente e saí andando em direção à saída.Quando Landon saiu atrás de mim duas mulheres que estavam no banheiro olharam horrorizadas.E então ouvi Landon dizer alterando a voz:
- Não tão depressa querida!Vai gastar as solas dos sapatos! – Ok, aquilo fora engraçado.Mas eu não senti vontade nenhuma de rir.
- Sr. Delaney, o sr realmente me desculpe! – falei pegando a bolsa – eu tive um contratempo agora mesmo e vou ter que...
- Ai meu DEUS! – falou uma figura com salto alto, óculos escuros e bolsa Prada à minha frente – O Habana andou contratando garçonetes novas e não me avisaram? – Angelina Aniston, como sempre, não descia do salto.Literalmente.
- Ah não! – ouvi Landon dizer as minhas costas com ar de desânimo.
- Quem é ela? – perguntou Henry.
- É o que eu também estou me perguntado Sr. Delaney – falei depressa e baixinho.
- LANDON! - berrou ela com voz estridente atraindo a atenção de todo o café.Ela correu até Landon fazendo questão de esbarrar em mim e o abraçou com tanta força que achei que fosse esmagá-lo – O que está fazendo aqui?
- Com toda certeza, não o mesmo que você – falou ele.
- Ora...eu estava dando uma passadinha em um shopping aqui perto e aproveitei para vir tomar um café aqui!Você sabe que aqui há o me-lhor muffin da cidade!
- É...devo saber - respondeu ele desanimado.
- Quem é ele? – disse ela apontando para o sr. Delaney.
- Eu perguntei o mesmo da srta a pouco – falou Henry cavalheiramente – permita que eu me apresente – e se levantou – Henry Delaney.Encantado – e ao dizer isto beijou delicadamente a mão esquerda de Angelina.Ela sorriu acanhada, e visivelmente atraída.Mas também...Que mulher que não ficaria?
- O prazer é meu – respondeu ela – Lamento que um homem como o senhor esteja desfrutando de tão más companhias - e olhou para mim de cima em baixo.Eu já não agüentava mais.Já havia ouvido o suficiente.Tudo o que eu não precisava era dos insultos de Angelina.
- Até logo sr. Delaney – Me limitei a dizer dando às costas.
- Mas já vai? – falou ela – Sendo que ainda nem fechou o expediente?
- O meu expediente termina às 9 – falei me virando para ela e para todos – Na OwnBusiness.E eu já vou, porque ao contrário de você eu tenho muito o que fazer ao invés de fazer comprinhas no shopping numa quarta-feira à tarde! – ela pareceu pasma.Assim como Landon e Henry – Com licença - falei me virando e indo embora.
Definitivamente não me arrependi de nenhuma palavra dita.Cada uma, cada uma valera a pena.Mas as palavras de Landon ainda me martirizavam e eu chorei do café até em casa.
Me larguei no sofá com uma certeza: Purê de batata e muito, MUITO ketchup.


Isa.

domingo, 17 de agosto de 2008

I Can't let Go- Cap. 16 - Coca Diet

-Sério mesmo que você acha que essa cor de blusa combina com o seu tom de pele?! – Exclamou dativamente Daniel enquanto jogava a minha blusa bege que ele acabara de tirar do guarda roupa sobre a pilha de roupas sobre a minha cama.
-Daniel! Para de revirar o meu guarda roupa! – Eu disse furiosa tentando conter a bagunça. – Pela última vez, eu não vou em uma boate gay com você e sim, bege fica bem com o meu tom de pele! – Daniel nem se quer virou, fingiu que não me ouviu e continuou a analisar meu top vermelho.
- Ah, querida! Aí que você se engana! Por que, fato numero um, você vai sair dessa casa hoje nem que eu tenha que arrasta-la, e fato numero 2, bege só combina com calcinha de idoso! – Ele disse afetadamente me fazendo rir. Choraminguei enquanto me tacava sobre a pilha de roupas.
- Porqueeeeee, Daniel?! – Disse birrenta como uma criança. – Por que não posso ficar aqui hoje e assistir um filme na televisão enquanto penso na minha morte?
- Por que se você ficar aqui com certeza vai ficar choramingando pensando no Landon e eu não quero te deixar nesse estado! – Disse ele revirando pela minha gaveta achando uma calcinha rendada preta com alguns lacinhos vermelhos. Até esquecera que tinha isso. – Uuuh! Não sabia que Landon já tinha pulado para ESSA fase!
- Dá isso aqui! – Eu pulei da cama e agarrei a calcinha enquanto Daniel caia na risada.
-Agora aquele cara subiu no meu conceito! – Disse ele mordendo o lábio de baixo. Eu suspirei cansada e joguei a calcinha para outro lado.
- Eu não ia ficar choramingando! – Reivindiquei. - Chorando... Mas não choramingando! – Daniel suspirou alto e eu desisti de convencê-lo do contrario. Ele não ia parar até eu ir. – Está bem! Eu vou! Mas quero estar de volta antes da uma! Não sei se esqueceu, mas amanhã temos que trabalhar! E a última coisa que eu quero é aparecer com cara de acabada na frente do meu chefe. Sem saideira! Uma noite “Alchol Free”!
-Okay! Está bem! Sem Álcool! Entendi!

No outro minuto estava na boate lotada, cheirando a testosterona abafada vendo Daniel na pista de dança se acabar de dançar, bêbado. Enquanto as luzes estroboscópicas me faziam ficar tonta eu tentava me lembrar o que tinha ido fazer ali mesmo.
- A senhora quer outro refrigerante? – Perguntou o garçom do outro lado do bar. Refleti por um segundo.
- Coca. – Disse para ele. Ele sorriu e se abaixou para pegar o meu pedido. – Diet! – Eu completei.
-Parece que alguém ficou encarregada de dirigir essa noite. – Disse enquanto colocava o refrigerante no meu copo. Sorri levemente tentando imaginar o que ele tinha a ver com isso, mas tudo bem.
Fechei os olhos com força tentando me imaginar em outro lugar.Em casa, em Dellawere ou talvez até na Ownbisness. Na sala de Landon.É, um bom lugar.Vendo-o sorrir com aquele sorriso charmoso. Sua mão macia... O jeito que usava as camisas meio desajeitadas...Era muito...
- Está tudo bem, Isa?! – Daniel me interrompeu e eu quase cai de cima do banco alto. Suspirei tremidamente e encarei-o nos olhos. Por que estava pensando no Landon? Pó que eu não poderia simplesmente esquece-lo? Uma súbita enxaqueca toma meu cérebro.
-Na verdade não, Daniel. Minha cabeça está explodindo e eu não agüente mais essa música. Será que você poderia me levar para casa? Por favor...
-Claro, querida. Vamos. Eu levo você. – Ele me levou até o caro e eu fui dirigindo (lógico) e Daniel apagou no banco de trás. Eu o levei para casa, e não o contrário, mas tudo bem.
Coloquei-o na cama e deixei um bilhete no criado mudo agradecendo-o por ter sido tão legal comigo. Mesmo que a festa não tenha sido a melhor de todas, as intenções eram boas. Voltei para casa e também apaguei. Nem tirei a maquiagem e muito menos as minhas roupas. Era isso ou os sapatos. Preferi tirar os saltos.

Acordei com uma música qualquer que tocava no meu rádio-relógio. Seria ótimo um despertador com o modo ‘soneca’ naquele minuto. Nota pessoal para isso. Vesti-me rapidamente e voei para fora de casa. Eu era realmente muito boa em me maquiar nos sinais vermelhos. Se isso fosse uma modalidade olímpica com toda certeza conseguiria ouro. Cumprimentei Cyntia na recepção e fui para o meu cubículo cuidar dos meus relatórios mal terminados. Nada de Landon. Lembrei da memória reconfortante que me viera à cabeça ontem. Por que fizera aquilo afinal? Bonito que fosse ele ainda era um cafajeste, e eu ainda sentia muita mágoa dele. Minha cabeça voltara a martelar. Me joguei sobre a minha cadeira e fechei os olhos. Abri-os lentamente quase não fazendo-o. Para a minha surpresa Daniel estava no cubículo dele à minha frente. Dormindo. Debruçado sobre o teclado e babando no próprio braço. Eu ri de leve e me ajeitei na cadeira.
-Pssiiiiiu! Daniel! – Eu tentei baixinho. Nada. – Pssiiiiiiiiiiiiiiu!! – Tentei de novo. Nada. – DANIEL! – Bradei. Ele levantou em um susto derrubando todas as canetas que estavam dentro de um pote perto do teclado. Eu cai na risada. – Acorda bonitão! Hora de trabalhar! – Daniel me fuzilou com os olhos e voltou a digitar no computador. Eu também voltei a trabalhar, com uma certa relutância, mas voltei.
Já tinha terminado de responder todos os e-mails das empresas solicitando informações ou finalizando contratos. O tempo voara e eu nem me dera conta disso. Minha digitação fora interrompida com o toque do meu telefone. Estendi a mão sem desviar os olhos da tela.
-Isabela Kemper. – Disse.
-Boa tarde, Srta. Kemper. É a Cyntia!
-Ah... Olá Cyntia! O que posso fazer para você?
- Oh, sim. Queria saber se você tem uma outra cópia do contrato da firma McDell.
- A empresa Inglesa?
- Sim. A de chips de computadores. Do Sr.Delaney. Lembra-se de ontem?
-Oh sim. Já levo, Cyntia.
-Obrigada!
Desliguei e tratei de imprimir outra cópia. Eu tinha cuidado de fechar o contrato com essa empresa, um grande salto para o meu trabalho. Tratava-se de uma empresa grande bem sucedida. Tinha falado com o Sr. Delaney pelo telefone para fechar o contrato. Me pareceu muito simpático. Com as copias imprimidas levei-as até Cyntia. Uma grande concentração de pessoa na recepção me fez estranhas aquele movimento. De longe já identifiquei Landon. Chacoalhando mãos e cumprimentando todos. Iria entregar os relatórios e voar dali.
-Aqui estão as cópias, Cyntia.- Disse entregando-a.
- Muito obrigada, Srta. Kemper. – Ela disse com um sorriso simpático. Virei-me e me pus a andar.
- Kemper? Isabela Kemper? – Uma voz masculina chamou-me. Estranhei a voz que pareceu-me familiar. Virei-me lenta.
-Sim? Eu mesma. – Disse estranhamente. Meu queixo quase caiu quando bati os olhos naquela figura. Deveria ter no máximo uns trinta anos. Um homem alto, com os olhos azuis piscina com um cabelo curto e a barba um pouco rala. Um porte atlético muito bem definido por um terno preto com riscas azuis escuras. Tão bonito quanto Landon, mas logo de cara percebi que ele tinha um requisito a mais: Tinha sotaque inglês. Quase gaguejei. (se é que não gaguejei.).
- Delaney! Henry Delaney! – Ele sorriu e eu quase desmaiei.
- Senhor Delaney?! – Pareci assustada ao perguntar. – O Inglês? – Perguntei encabulada.
- Oh! É assim que me chamam por aqui é? – Ele riu. – Então sou eu sim. – Eu fiquei a encarar ele por um certo período de tempo, que se tornou até meio desconfortante. Voltei a mim e estendi-lhe a mão.
- Oh, sim! Me desculpe! Um prazer! – Comprimentei-o – Mas me diga Sr. Delaney o que faz aqui em Nova York? Não é de Londres?
-Sim, sim. Sou. Mas é que vim para Nova York para uma viagem de negócios e resolvi passar aqui para acabar de vez com essa papelada toda e fechar o contrato aqui mesmo. – Enquanto ele falava meus ouvidos eram massageados pelo sotaque Londrino. – Tenho que dizer e a Senhorita é uma ótima vendedora!- Ele virou-se e chamou Landon que estava atrás conversando com outros dois empresários que nem se quer notaram minha presença. Ele virou-se e percebi certo desconforto de sua parte. Delaney colocou um braço sobre o ombro de Landon em uma posição amigável. – Você possui uma ótima funcionária nesta empresa, Sr. Dylar! – Ele sorriu tortamente e consentiu. Esperei pela sua resposta.
- Sim. Eu mesma a contratei. Sei de sua capacidade. – Ele disse descontraidamente.
-Capacidade ou beleza?! Por que pelo visto essa sua funcionária tem os dois! – Ele disse indiscretamente. Ele havia me passado uma cantada? Uma cantada inglesa?! Era bom de mais para ser verdade. Olhei rápido para Landon e o vi sorrir tortamente, agora totalmente desconfortável. Estaria com ciúmes de mim? Eu sorri abertamente. – Escute, eu vou acabar de assinar essa papelada agora e que tal depois você não me mostra um café bom daqui? Estou faminto!
- Sim, Claro! Seria um prazer, Senhor! – Eu disse disposta. Okay, talvez estivesse fazendo aquilo só por que sabia que Landon estaria perto o bastante para ouvir.
- Ótimo! – Disse.
- Senhor, se quiser eu o acompanho também. Poderios terminar aquela conversa sobre as taxas de importação?! Que tal? – Landon disse rapidamente atropelando-me nos meus pensamentos. O que?! Landon iria também?! Era só o que me faltava! Como era indiscreto! Eu o fuzilei com os olhos e ele pareceu não ligar.
-Claro, Sr. Dyalr! Está convidado! Isso claro se a Srta. Kemper não se importar! – Eu sorri e ia abrir a boca para dizer que sim, eu me importava quanto Landon me atropelou.
- Creio que ela não irá se importar! Não é?! – Ele me encarou risonho sem em deixar responder continuou. – Então vamos. Vou lhe acompanhar até a minha sala para assinarmos os papéis!
Suspirei pesadamente tentando engolir minha raiva. Landon iria ver.


Veri.

sábado, 16 de agosto de 2008

I Can't Let go - Cap 15 - Hoje, às 9.

Retornar à minha mesa não fora algo muito legal, basicamente porque todos os funcionários da minha repartição me acompanharam com o olhar como se eu fosse algo anormal.E quando eu digo todos, eram todos mesmo.
- Não pergunte! – falei baixo para Daniel, enquanto este e toda a repartição me olhavam.
- Eu não ia – respondeu ele rindo baixo.
Algum tempo depois, o qual eu não sei dizer quanto, Landon também retornou à sua sala passando pela mesma situação que eu.Por mais que fosse difícil para ambos, era preciso voltar a trabalhar.
Quase não me concentrei no trabalho durante o dia todo.Estava atrapalhada, errava cálculos.Aquilo não podia continuar.Se continuasse meu rendimento na OwnBusiness cairia e muito.Aquilo não era nada bom.Pela primeira vez eu arrumava as minhas coisas exatamente no meu horário de ir embora.Eu já não agüentava mais aquele ambiente.As coisas haviam se encaminhado para um rumo inesperado.Eu devia saber disso quando entrei na OwnBusiness, sim, eu devia saber.Mas não.Eu quis arriscar mesmo assim.Talvez não quisesse só arriscar.Talvez quisesse provar a mim mesma que era mais do que aquela garotinha de North Hight.Talvez quisesse provar a Landon justamente que não precisava provar nada a ele.Ou pior, talvez tivesse alguma esperança de viver algo parecido com o que eu vivera em North Hight, só que com uma diferença, com um final melhor.Era horrível admitir isso ao meu ego.Era como um fracasso pessoal.A verdade, é que eu não devia nem ter começado.Apanhei a minha bolsa e me direcionei à porta que dava acesso a recepção.
- Srta Kemper! – virei-me.Era o sr. Tanehill – Ah...Eu gostaria de lhe entregar isto – falou ele entregando-me um cartão.Na OwnBusiness todos os funcionários(incluindo a mim)tinham dois cartões.Um com o endereço e telefone comercial, para seus contatos, e outro com o endereço e telefone pessoal.Aquele era o pessoal.
- Mas...Sr. Tanehill, este é seu cartão pessoal.
- Sei disso – falou ele colocando seu notebook dentro de sua pasta – é só, caso você precise – e porque eu precisaria?Fiquei confusa.
- E porque eu precisaria? – perguntei num tom educado.
- Ora...Não sei.Sei que a srta mora sozinha, seus pais também não moram em Nova York.É sempre bom ter com quem contar.
- Nossa, eu...Eu agradeço a gentileza Sr. Tanehill.Agradeço mesmo, mas em todo caso, sei me cuidar.
- Eu não tenho dúvidas, mas insisto que fique com o cartão.
- Se o sr. está se referindo ao que aconteceu aqui hoje de manhã quero que saiba...
- A srta não tem que me dar explicação sobre a sua vida, srta. Kemper.Eu não estou aqui para julgar ninguém, muito menos você, querida – era a primeira vez que me chamava de você.Eu lhe retribuí com um sorriso doce e sincero.Não sei porque eu senti algo que não sentia há muito tempo.Algo relacionado a meu pai.Alguém parecia se importar comigo.O sr. Tanehill me olhou com um olhar fraternal, do qual veio meu sentimento descrito.
- Bom, preciso ir – falou ele – Vou buscar Amanda no aeroporto.
- Amanda?
- Sim, minha filha – e se foi.Então o Sr. Tanehill era pai.Uma lembrança casta de minha infância com meu pai me fez ficar com pequenas lágrimas nos olhos.Agora me dava conta do quanto aquele homem me fazia falta.Eu ia guardar o cartão, mas havia algo no verso.

‘Pedi para o Sr. Tanehill lhe entregar isto.Eu não ia importunar Cyntia mais uma vez com este pedido.Caso esteja interessada vou estar no Café Pierre hoje à noite.Fifth Avenue at 61st St.Te espero às 9. P.S: espero que aprecie a culinária franscesa’

Ele realmente achou que eu iria.Claro.Que mulher não resiste a um bilhete tentador deste?Eu.Eu não resisto.Apesar de que devo confessar que pensei mesmo na possibilidade de ir.Cheguei até a pensar em que roupa usar.Jesus!Como fui boba.Afinal, é tão fácil tentar uma mulher daquele jeito, não é?Depois é só marcar um jantarzinho e pedir desculpas.Desculpas...Talvez esta fosse uma palavra que Landon desconhecia.Pelo menos foi o que ele deu a entender no nosso dia de trabalho seguinte.

Cheguei na OwnBusiness no horário de sempre, arrumei minha mesa como sempre, reli os relatórios ou documentos do dia anterior como sempre, e...Não.Não desviei o olhar para frente tentando encontrar a figura de Landon, como sempre.Estava magoada e ocupada demais para tal.Que ousadia a dele!Me mandar um bilhete...Covarde.Deveria ter vindo falar comigo pessoalmente.Não, ele não era homem o suficiente para isso!Era um sedutor, um conquistador, um falso, hipócrita e...

- Srta Kemper, perdoe-me a ousadia, mas porque a srta está rasgando os relatórios de Ohio com tanta voracidade? – O Sr. Tanehill estava parado bem ao meu lado me olhando com ar interrogativo por traz dos óculos redondos.
- Eu estou? – perguntei a ele e a mim mesma – É...estou – repeti baixinho – Ah...bem... – ele continuava analisando a minha confusão – Talvez seja porque eles não tenham mais nenhuma utilidade! – e despejei o que restava do relatório no lixo ao meu lado.
- Ah, é mesmo? – perguntou ele sorrindo – Não devem ter mesmo...Já que o Sr. George da empresa de Ohio ligou ontem para acertar os contratos de vendas.
- Ah – exclamei eu tentando forçar um sorriso – Deve ser porque eu já mandei os relatórios via e-mail.
- Jura? – perguntou ele em tom informal, mas sem deixar de me analisar.
- Juro - repeti educadamente.
- Eu confio na srta.Não me deixe perder isto. – e se foi.
- Mas que merda! – Exclamei baixinho, voltando-me para o computador rezando para que eu ainda não tivesse deletado os relatórios de Ohio, e ainda desse tempo de mandá-los.Landon estava mesmo atrapalhando minha vida cotidiana.
- Srta Kemper! – chamou Linda ás minhas costas.
- O que é? – perguntei irritada.
- Eu tenho uma cópia dos relatórios de Ohio, caso a srta queira – falou ela me entregando um conjunto de papéis.O que ela pretendia?Por que estava sendo gentil?
- Não, obrigada Linda.Não me ouviu dizer que eles não tinham mais utilidade? – preferi não arriscar.Graças à Deus eu ainda tinha uma cópia deles em meu computador.

Definitivamente estava impossível me concentrar.O tempo todo uma voz em minha cabeça ecoava ‘Landon...Bilhete...Landon...Bilhete...’ Era terrível.Daniel fez sinal com a cabeça para que eu o acompanhasse até café, e assim o fiz.

- O que aconteceu ontem a noite afinal? – perguntou ele baixinho enquanto mexia a colher no copinho de café tentando dissolver o açúcar.
- Landon me... – houve uma pausa – me mandou um bilhete.Convidando-me para jantar – disse por fim.
- Não! – disse ele levantando a voz.No mesmo momento eu fiz sinal para que baixasse – Não acredito!E você foi?
- Claro que não.Não depois de tudo.Ele foi um covarde!Não acredito que me envolvi com ele.
- Está certo.Certíssimo...E nossa meu deus! – falou ele desviando o olhar para o traseiro de um funcionário que passou por nós.
- Daniel!Estava ouvindo o que eu estava dizendo?
- Claro que estava querida.Mas é claro que devia ter se envolvido com ele!A vida curta, passa rápido, o cara é um tesão, qual o problema? – acabei engolindo o café rápido de mais.
- Isto Danny – e apontei para lado esquerdo do peito – isto é o problema.
- Ah, tadinha! – falou ele me dando o um abraço discreto – E vocês já se falaram hoje?
- Não!Eu nem o vi hoje...E nem pretendo ver.
- Eu te entendo.Mas você precisa se animar!E eu tenho o remédio certo pra isso.Uma boate... – Ele sorriu maldosamente.
- Que boate Sr. Daniel Skeeter? – perguntei com o mesmo sorriso maldoso.
- Gay! – falou ele apontando pra mim e dando uma piscada.Eu soltei um leve riso.
- Está falando sério?
- Mas é claro que estou!Todos os contratos já foram assinados, só falta eu lhe entregar para que você os envie – eu o encarei com um ponto de interrogação na face.O olhar dele se desviou para o nosso lado direito, apontando-me algo.Linda e mais duas funcionárias estavam paradas diante de nós com um olhar desconfiado.
- Obrigada, sr. Skeeter – falei rapidamente.Lancei um olhar sincero a Daniel – Obrigada, mesmo.

Nos dirigimos às nossas mesas mas antes que eu pudesse me sentar, Cyntia me chamou.
- Srta Kemper, pode fazer algo para mim?
- Claro.
- Leve estes papéis à sala do sr. Dylar e diga-lhe que não há mais necessidade de mandá-los para mim – Meu coração disparou.
- Ah...Mas Cyntia, eu estou realmente ocupada agora...E eu...
- Por favor querida!Você é quarta pessoa para quem peço isso!É rápido.Só não levo eu mesma porque estou com o Sr. Delaney na outra linha.
- O sr. Delaney?O executivo daquela empresa da Inglaterra?
- Sim...Agora pode levar os papéis por favor? – e antes que eu pudesse responder eu me vi com uma pequena pilha de papéis nas mãos, em pé, olhando para frente.Olhei para Daniel implorando ajuda, mas este também havia atendido ao telefone, e falava em espanhol.Não havia ninguém mais.’Bosta’ Pensei eu.Por que aquilo acontecia justo comigo?

Caminhei até a sala de Landon e dei duas batidas na porta para anunciar minha chegada.
- Com licença – disse-lhe abrindo a porta de cabeça baixa rezando para sala estar vazia.
- Entre – falou a voz dele.Droga...Não estava vazia.Caminhei um pouco mais até a frente com dificuldades para que pudesse alcançar a mesa.
- Cyntia me pediu para entregá-los a você – e depositei os papéis em cima da mesa.
- Obrigado – falou em tom cortes.
- Não há mais necessidade de mandá-los para ela – e me virei em direção à porta.
- Você não vai mais receber nenhum, eu garanto.Eu cometi erros – falou ele em tom de desculpa.
- Não, não para mim – falei – Para ela.Cyntia.
- Eu sei.Ela não receberá mais.Da próxima vez irei pessoalmente.
- Ótimo – falei, como se perguntasse o que tenho a ver com aquilo.Coloquei a mão na maçaneta disposta a girá-la.
- Você também prefere, não prefere?
- O que? – perguntei.
- Que eu vá pessoalmente – Aquela voz estava me provocando de novo.
- Tanto faz!Eu não me importo! – falei irritada – São só papéis.
- Só...PAPEIS? – falou ele aumentando o tom de voz e levantando-se – Eu demorei pelo menos 1 hora para escrever cada um!Cuidando detalhadamente para que cada palavra saísse perfeita!
- Que bom para você! – falei.Meus olhos ficaram marejados.Por que ele estava me torturando?
- Então é assim? – exclamou sentando-se na sua poltrona.
- Acho que sim, não é?
- Agora entendo porque não apareceu ontem à noite.
- O que isto tem a haver com os papéis? – falei tentando parecer profissional.(tentando)
- Tudo, oras – falou ele com um tom deprimente na voz – Eu o entreguei ao sr. Tanehill.
- Espere um instante – disse eu – Do que você esta falando?
- Ah, por favor!Não se faça de desentendi...- sua fala também cessou – Dos bilhetes que eu te mandei – concluiu.
- Estou achando que esta se referindo aos papéis que vim entregar! – nós nos olhamos e olhamos os papéis.Quando voltamos a nos encarar o riso foi inevitável para ambos.Quando terminamos de rir, nos encontramos em uma situação desconfortável.
- Por um momento achei que você estava falando sério – disse ele quebrando o silêncio.
- Eu também – falei sem poder me conter – Bem – exclamei rapidamente – era só isso.Agora vou deixá-lo trabalhar.Com licença – e me virei.
- Acha mesmo que vou conseguir trabalhar depois do que acabou de acontecer aqui?
- E por que não conseguiria?Eu tenho conseguido – falei tristemente.
- Porque vou pensar em você o tempo todo.
- Como se eu não pensasse. – 1 segundo depois me arrependi por completo da frase que deixei escapar.
- Pensa? – falou ele com entusiasmo e esperança.
- Eu...Preciso voltar à minha mesa – abri a porta e saí.Quando a fechei escutei Landon dizer ‘Isabela!Srta Kemper espere.Eu preciso...’ Mas a voz foi calada pela porta fechada.Consultei o relógio e vi que meu horário de expediente chegara ao fim.Comemorei por dentro e arrumei as coisas.
- Você não está pensando que vai pra casa, não é? – ouvi alguém dizer às minhas costas.Era Daniel – Nada disso garota!Vou te levar para se divertir de verdade! – e ao dizer isso, pegou no braço e saímos juntos.


Isa.

terça-feira, 22 de julho de 2008

I Can't Let Go - Cap. 14 - Paisagem

Quando dei por mim já me encontrava dentro da sala de Landon. Malditos pés! Meu corpo estava me traindo de novo, fazendo coisas que a minha razão deveria me deter.

- Feche a porta quando entrar, por favor. - Ele pediu com uma voz meiga, bem mais meiga do que ele havia falado com Angelina ( que não era muita coisa por que até um cachorro era tratado melhor do que Angelina foi, e com razão!). Assim o fiz. Quando virei-me Landon se direcionava para a mesa grande de sua sala, onde estavam uma pilha de arquivos organizados sobre ela , junto com alguns materiais de escritórios e um computador muito bonito ( bem mais sofisticado que o meu, pelo menos). Ele encostou suas costas na beirada da mesa, cruzando os braços enquanto me encarava. Sentia seus olhos passeando pelo meu corpo, des dos meus sapatos finos até o ultimo fio de cabelo preso em um coque mal apanhado. Mas por mais estranho que parecesse, seu olhar não me julgava ou me analisava, era como se me reverenciasse, como se apreciasse cada curva feita pelo meu contorno. Aquilo estava me deixando desconfortavel. Não pelo fato que não gostava, mas pelo fato que estava gostando. E até demais, e aquilo não iria ser bom. Toci levemente fazendo-o se dar conta do que estava fazendo, mas ele não pareceu nenhum pouco envergonhado pelo ato, pelo contrário, era como se perguntasse se havia gostado. Ele e seu sorriso. Meu coração disparou e eu corei furiosamente. Eu tinha que ser breve e voar dali o mais rápido possivel.

- Então, o que foi? - Perguntei diretamente, sem nenhum tipo de floriação pelo fato dele ser meu chefe. Ele suspirou demoradamente e mordeu o canto do lábio. (meu deus...)

- Eu só queria me desculpar pela cena de agora pouco... A Angelina as vezes tem um comportamente imprevissivel!- Ele disse gesticulando sem desviar os olhos dos meus. Aquela segurança havia voltado de novo. - Eu sei que você só queria ajudar. - Ele sorriu levemente e eu forcei outro.

- É... Eu tenho que aprender a deixar de me meter em problemas que não me pertencem. - Eu disse rispidamente, algo que fez seu sorriso murchar levemente. Eu estava tentando controlar a minha raiva que praticamente dominava o meu corpo. Angelina... Noiva?! A sua fala ficava se repetindo em minha mente enquanto eu tentava dessesperadamente não pensar naquilo, mas era impossivel. Aquilo me atingiu como um soco na boca do estomago. Um silencio incomodo tomou a sala. Meu olhar as vezes caia no chão, mas o dele pareceu-me mais seguro do que nunca.

- Eu não sou um assunto que te pertence? - Ele disse objetivamente. Tá... eu não estava esperando por esta. Eu estava tentando tomar as rédeas da situação, mas parecia que sempre quando eu estava perto de alcança-las, Landon sempre fazia primeiro. Mas não essa vez.

- Não o seu noivado. - Eu disse transparecendo um pouco de dor na minha voz. Algo que não pude conter por que era o que realmente estava sentindo. Landon encarou-me fixamente e agora a seu rosto não tranparecia qualquer tipo de emoção. Estava apático, e eu não sabia o que pensar. Ele descruzou os braços do peito e apoio-se na mesa, se distanciando um pouco desta.

- Então não há mais nada a se preocupar... - Disse ele reticente enquanto se distanciava cada vez mais da mesa.-Por que o meu noivado é um assunto que também não me pertence. - Ele disse enquanto caminhava e as mãos seguiam suas pernas.
- Não foi o que ouvi Angelina dizer. - Eu retruquei rispidamente tentando me manter firme. Ele se aproximava. Lentamente se aproximava. Eu já sentia o seu calor atravessando aquela coluna de ar frio que se encontrava entre nós.

-Não confie em nada do que Angelina diz. Mas eu acho que voce já sabe disso, não? - Sua voz ia abaixando a medida que seu corpo se aproximava do meu. Deixei que minha respiração atacada saisse baixa por entre meus lábios abertos. Seus olhos brilhavam sedução, um brilho ofuscante que acabou por me cegar e me envolver.

-Não... - Sussurrei baixinho enquanto seu rosto se mantinha a cerca de um malmo do meu. Era impossivel resistir. - Mas então... em quem devo confiar? - Eu perguntei com os olhos nos seus, tentando não ceder sobre as minhas pernas bambas. Ele nos aproximou ainda mais, e eu sentia seu hálito quante batendo no meu. Ele tinha algo... algo que me fazia sair de mim. Era como se perto dele eu me transformasse em outra pessoa, uma pessoa sem controle. Sua mão veio afastar algumas mechas sobre a minha maça do rosto.

- Confie em mim... Você pode fazer isso? - Suas palavras batento em meus lábios calados. ~Eu era como uma panela de pressão prestes a explodir, mais um pouco e eu ia...

- Seu café, Sr. Dylar! - Disse Cyntia abrindo a porta e entrando. - Ah meu Deus!!! - Ela gritou quando deu-se com a imagem de ambos. Landon tratou de se afastar de mim o mais rápido que pude, e eu fiz o mesmo. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem sei como. Cyntia fechou os olhos com força como se desculpando por ver a cena, ao memso tempo ela tentou entregar o café com os olhos fechados, o que não deu certo. O café quente virou-se quase inteiro sobre a camisa e principalmente sobre a Calça de Landon. - Céus!! Sr. Dylar me desculpe! Ai meu deus! - Cyntia gritava enquanto se ajoelhava para limpar a calça social do chefe. Se alguem entrasse naquela hora iria pensar algo pervertido sobre aquela situação. Landon sorria e tentava recuar sobre a mão da secretária que apertava veementimente a o pano da calça.

- Não! Tudo bem Cyntia, eu me limpo! - Ele repetia. Ela negava e continuava a limpar, estranhamente, a sua calça.

- Sr. Dylar! Me desculpe eu não sei o que dizer! Céus! - Landon sorria constrandido e eu ficava a encarar aquela sem saber o que fazer. A primeira coisa que se passou na minha cabeça foi o que acabei por fazer ; Fugir. Sim, eu sei que foi uma ação de uma criançinha assustada, mas estar com Landon era estar fora de mim! Eu eu gostava de saber o que eu estava fazendo. Quanto mais longe de Landon, melhor seria. Em todos os aspéctos. Eu caminhava nervosa pelos corredores, tentando me afastar o mais rápido de sua sala.

- Isabela! Espere! - Eu ouvi a voz de Landon ecoando pelos corredores. Olhei para trás e vi a cena, que no minimo, era engraçada. Landon Corria de maneira desengonçada, com a calça manchada, enquando Cyntia corria atrás dele com uam pano na mão, e enquanto todos do escritório pararam seus afazeres para presenciar tal cena. Fingi que não havia escutado ele gritar meu nome e virei o corredor. Agora tinha mais razões para permanecer longe dele do que perto. Avistei uma porta a minha esquerda. Ouvia os passos de Landon se aproximando, e como instindo, abri a porta o mais rápido que pude e entrei. Me deparei com um grande lance de escadas de concreto. Nunca havia subido pelas escadas no periodo que trabalhava ali, então a sua existencia era desconhecida para mim. Olhei para cima para ver, a cerca de uns cinco andares para cima , a cobertura do edifício. Era melhor levar Landon para conversar lá, já que sabia que ele não iria parar de correr atrás de mim até sentarmos e conversamos. Era melhor correr e esperar que ele me seguisse. Era estranho pensar que desde quando o conheci eu tratava a nossa relação como uma garotinha brinca de pega-pega. Eu já era madura o suficiente para parar, pensar e adimitir meus sentimentos, então por que eu insistia em fugir? Era algo além do meu controle. Minhas pernas doiam enquanto eu me esforçava para subir o último andar. Conseguia ouvir os passos e os gritos de Landon (sozinhos, agora), que me seguiam escadaria a cima. Joguei-me na barra da porta e ela se abriu com força. Corri até o parapeito e apoiei-me tentando recuperar o folego. O vento era frio e intenso na quela altura e eu conseguia avistar praticamente toda Nova Iorque. Algo embriagante, mas ao memso tempo, vertiginoso. Outro som forte ecoou e eu sabia que era Landon.

- Qual é o seu problema? - Disse arfando entre os suspiros em busca de ar, apoiando-se na porta recem aberta.

- Eu sabia que você iria me seguir, é só um lugar melhor para nós conversarmos. - Eu disse me aproximando dele.

- Ah... - Disse ele levantando os olhos cansados para mim. - Nesse caso, bem pensado! - Ele agora sorriu como se aquilo o surpreendesse. Eu fiquei o abservando por bastante tempo enquanto ele se recompunha. Tempo que me permitiu pensar no que dizer.

- Landon... - Chamei-o e ele me fitou. - Vamos acabar com isso logo... Vamos parar de...nos enganar... Eu... - Ele ergue-se e voltou as suas proporções o que me intimidou um pouco para continuar a falar. Eu neguei a cabeça levemente apertando os dedos. - O que aconteceu naquela noite foi...

- Mágico. - Ele me interrompeu completando a minha sentença. Eu sorri tristemente por que sabia que havia sido mágico, sabia que era o que eu queria, mas não era certo. Iria somente complicar ainda mais a vida já complicada que tinhamos. Eu neguei levemente e agi pela primeira vez como uma adulta alí naquela relação.

- Foi um erro... E eu sei que voce também sente isso. - Ele desviou os olhos para o chão e bufou, como um sinal de negação. Eu me aproximei tentando me manter o mais firme possivel. - Não, Landon... Olha... Vamos terminar antes mesmo que isso começe e chegue a algum lugar. Esse é o melhor jeito.Você tem... tinha a sua vida pronta antes de me conhecer e tenho certeza que vai continuar com ela assim que eu sair. - Eu me aproximei e depositei de leve minha mão no lado de seu braço, e ele permaneceu imovel.- Não estou negando o que aconteceu entre nós, estou apenas tentando deixar as coisas mais fáceis para nós dois! Por favor... - Ele sorriu fracamente esquivou-se de minhas mãos, passou por mim e caminhou até o parapeito. Fiquei imóvel e surpresa pelo seu ato.

- Desde quando você se tornou adulta? - Ele perguntou de maneira sarcástica como se tivesse ignorado tudo aquilo que eu havia dito até agora. Eu encarava suas costas arqueadas sobre o para-peito e seus cabelos castanhos claros moldando-se com o vento. Aquela afirmação realmente me abalou. Ele via-me como antes... Apenas aquela pequena garota indefesa e sem vontade própria que o seguiu pelos corredores. Eu queria realmente mostrar que aquela pessoa não era mais eu. Aquela menina morreu...há muito. Agora, quem ditava as regras da minha própria vida era eu, não mais um menino qualquer que me enganava por nada. Enguli todas aquelas memórias e voltei a encara-lo nervosa.

- E desde quando você me viu como uma criança? - Perguntei firme. Ele não se moveu. Permaneceu a encarar a vista com os olhos baixos. Ele não tinha nada para me dizer, como sempre. Sorri forçadamente e afirmei levemente. - Que bom que tivemos essa conversa. - Eu afirmei ironicamente diante de seu silêncio. Caminhei pelo terraço até a porta de metal. Empurrei-a e olhei novamente para trás, como uma despedida. - E não pense que vou esperar pelo dia que voce amadureçer, Landon... Receio que a vida não seja tão longa... - Disse por fim fechando a porta atrás de mim e descendo os lances de escadas tranquilamente. Era duro perceber que aquilo tudo que voce sentia era apenas uma ilusão, por que não estava apaixonada por Landon... Estava apaixonada apenas pelas memórias, e queria revivê-las mais uma vez.

Mas sabia que isso era impossivel.

I Can't Let Go - Cap 13 - Ex.

Era óbvio.Me apaixonar por Landon não só tornaria as coisas mais difíceis como também atrapalharia minha vida cotidiana.Agora sim.Agora amava Landon como antes, por mais que não quisesse.Por mais que tentasse arrancá-lo de meus pensamentos durante todo o tempo, era inútil.O dia de trabalho estava próximo e eu sabia que tinha de enfrentá-lo.Pensei em ligar pra Cyntia e dizer que estava com os olhos e a boca inchados, mas não seria suficiente.Pensei então em dizer que se tratava quase de uma elefantíase facial, mas Landon não aceitaria esta desculpa.Não.Fugir do problema não era a solução.Eu deveria enfrentá-lo como sempre fiz em minha vida.
Em minha secretária eletrônica havia 7 recados não respondidos.Um de minha mãe, dois do Dani, três de Landon e um da loja de lingeries que eu esquecera de pagar.Mas isto não vem ao caso.O fato é que eu achava que não devia responder os recados de Landon, ainda.
O dia amanheceu e não acordei de forma realmente positiva e disposta, propriamente porque acordei com a secretária eletrônica gritando.
- Alô?Filha?Já faz 48 horas que não ouço sua voz!Onde você está?Será que você morreu?Será que foi seqüestrada?Santo Deus, NY é uma cidade perigosíssima!Além do mais você ainda não sabe se cui...
- Alô...?Mãe...?
- Filha?Ai graças à Deus!O que aconteceu?Você está...
- Eu estou bem mãe...É, eu estava dormindo.
- Ah, que bom.Pode voltar a dormir meu bem, eu não queria te incomodar.Só queria saber se estava tudo bem mesmo.
Desliguei o telefone naquele exato momento.Eu não estava a fim de dar nenhuma resposta à minha mãe.O máximo que podia fazer era me aprontar para o trabalho.
Cheguei na OwnBusiness e Linda Kraft era a única que ocupava o seu cubículo com um copinho de café em cima da mesa.Ela possuía um sorriso vitorioso.
- Bom dia srta Kemper – falou ela com a mesma voz estridente.
- Bom dia srta Kraft – respondi secamente.Eu ia me preparar para começar a trabalhar, mas meus olhos correram para frente em direção à sala de Landon.A poltrona estava vazia.De repente uma sensação de arrependimento me invadiu.Talvez não devesse ter beijado Landon.Contaria tudo a Daniel quando ele chegasse.
- Ah, Bom dia srta Kemper, aqui estão os documentos daquela empresa de Ohio que a srta me pediu – disse Cyntia.Assustei-me ao ouvi-la chegar.De onde ela tinha vindo?
- Ah, obrigada Cyntia, não sei o que eu faria sem você – ela sorriu e se retirou.Eu ainda pensava em Landon, mas precisava me distrair rapidamente para afastá-lo de minha mente.Comecei a estudar os documentos, mas fui interrompida por uma voz que falava um tanto alto na recepção.
- Querida você sabe quem eu sou?
- Mas senhora, eu realmente não tenho autorização... – essa era a voz de Cyntia.O que estaria acontecendo?Achei melhor verificar.Olhei para Linda.Esta estava escrevendo mas permanecia com o mesmo sorriso.
- Algum problema, Cyntia ? – perguntei.Em seguida olhei para a mulher com quem ela discutia.Angelina Aniston não mudara quase nada desde a época de colégio.Estava apenas com a face mais velha e mais bonita.E, ah sim, estava mais perua.Meu olhar se concentrou inteiramente nela.
- Esta senhora, ela deseja falar com o senhor Dylar, e gostaria de esperá-lo na sala dela, mas acontece que eu realmente não tenho autorização para deixar ninguém entrar lá sem que ele esteja aqui...- respondeu Cyntia.Angelina me fitou calmamente.Nem eu, nem ela tinha reação alguma.
- Eu...Eu não conheço você? – perguntou-me ela após alguns segundos.Fiquei imóvel.Não reagi. – Sim...você era aquela garota meio esquisitinha de North Hight – ela riu brevemente – Céus, como o mundo é pequeno.O que você está fazendo aqui?
- Eu trabalho aqui – respondi.Cyntia olhava de um lado para o outro procurando entender.
- Mas...qual era mesmo o seu nome?Srta...Kaper.Não era isso? – disse ela num tom um pouco irônico.
- Kemper, srta Kemper – falei corrigindo-a secamente – E a srta me desculpe, mas eu se quer lembro o seu nome, e muito menos sei quem você é – Ela pareceu pasma por um instante.Como se eu fosse a primeira pessoa no mundo que não soubesse seu nome.
- Claro – falou sorrindo – Srta. Dylar – e estendeu a mão.’Srta, Dylar?’ pensei eu.Mas eles se quer estavam namorando, até onde eu sabia.E pelo menos isso Cyntia pareceu entender.Eu realmente pensei em fazer algo não-bacana com a mão dela.Mas só pensei.
- Isabela Kemper, é um prazer.
- O prazer é meu – ok, nós duas sabíamos que não era.
- Creio que estudamos juntas em North Hight – falou ela falsamente.
- Eu creio que não – falei.Ela pareceu querer me interromper quando eu disse isso – Você disse que eu devia ser meio esquisitinha – e tratei de dar ênfase a estas palavras – E se havia algo que eu não era na época de colégio, era esquisitinha.Pessoas esquisitinhas, não ocupam o cargo que eu ocupo, Srta. Aniston – Seus olhos se abriram e ela parecia não acreditar no que ouvia.Seu rosto se contraiu ou ouvir-me pronunciar o seu nome verdadeiro.
- Pra você, querida, é srta. Dylar – falou ela, agora sem esconder o sarcasmo.
- Me desculpe, srta Aniston, mas não chegou ao meu conhecimento que o sr. Dylar seja comprometido – e sorri – ainda.
- E desde quando você sabe ou deixa de saber alguma coisa sobre a vida pessoal do seu patrão querida?
- Mas é verd... - falou Cyntia, mas foi calada pelo olhar de Angelina.Esta se aproximou de mim e pegou com desdém no meu crachá
- Isabela Kemper – falou ela – Gerente de relações exteriores – repetiu ela em maior tom de desdém.
- Ao seu dispor – falei sorrindo ainda mais.
- Então, srta. Kaper...Eu gostaria de falar com o meu noivo, o sr Dylar, sabe?Você teria como chamá-lo pra mim?Ah!E só mais uma coisa, me traga um café quente, porque o aquecedor deste lugar é péssimo! – disse me encarando.
- Lamento – falei ironicamente – Mas o sr. Dylar ainda não chegou – e ela sabia disso – Mas a srta pode esperar por ele aqui na recepção.Ele não deve demorar.E quanto ao seu café, eu vou pedir para a garçonete aqui da empresa, porque sabe...Esta não costuma ser minha função – Angelina deu um passo à frente e colocou o dedo indicador com força em meu peito.
- Escute aqui srta. Kaper...Você sabe com quem está falando?Não...Não deve saber...Eu vou entrar na sala dele e vou esperá-lo chegar lá.E eu faço questão que o meu café seja servido na sala dele...Por você!Pois não vai ser uma gerentesinha desclassificada como você que vai me impedir de entrar na sala do meu NOIVO!
- Eu posso saber de qual noivo você está falando Angelina? – Landon estava parado na porta da recepção assistindo toda a cena, junto de Daniel e do Sr. Tanehill.Ao vê-los Angelina logo se recompôs.
- Landon! – falou ela carinhosamente – Ainda bem que você chegou.Você não sabe o que a sua funcionária me fez passar hoje de manhã – e o abraçou dando beijos no rosto.O abraço não foi correspondido.
- Eu posso imaginar o que você a fez passar – ele disse – O que você está fazendo aqui?
- Eu...Eu vim te ver – e baixou o tom de voz – Nós precisamos conversar...Olha, papai quer te ver, está interessado em te ajudar nos negócios, nós podemos crescer juntos meu amor!
- Nós não temos nada pra conversar Angelina – e pegou nos braços dela tirando-os de seu ombro – vá embora, por favor, aqui é meu local de trabalho – Daniel me olhou e fez uma cara de tédio e depois uma careta, mas eu não consegui sorrir.Landon pegou os braços de Angelina e a levou até a porta dizendo algo que não pude escutar.Agora ele vinha em minha direção.
- Você está bem? – ele perguntou depositando a mão em meu ombro carinhosamente.
- Sim - eu respondi – tudo o que quero ir para a minha mesa.
- Assim como todos nós srta. Kemper – falou o sr. Tanehill passando por mim e dando uma piscada, acompanhado de Daniel.Olhei pra frente e reparei que Angelina permanecia imóvel na porta me fitando com olhar raivoso.Ela veio andando batendo os pés no chão na direção minha e de Landon.
- Mexeu com a mulher errada! – falou ela com o dedo indicador quase tocando meu rosto.Landon virou-se.
- Retire-se Angelina! – falou ele ficando nervoso também.Cyntia estava pálida e sem reação.
- Com a mulher errado ouviu? – falou ela ainda me apontando o dedo, mas ao longe pois estava sendo arrastada por Landon.
- Você...Desculpe-me! – falou ele depois de tirá-la do escritório.Eu estava com raiva, com muita raiva de Angelina.Mas resolvi não cair nas provocações dela – Vamos...até a minha sala.Cyntia, traga-nos café por favor.


Isa.

I Can't Let Go - Cap. 12 - Retratos e maus retratos

Estava empilhando os pratos sobre a mesa e levando-os para pia e estava ajudando Landon, que os lavava. Apesar de ter sido uma noite de grandes progressos (principalmente sobre meu trabalho), me sintia mal. Me senti mal e não sabia por que. Era uma sensação quase como um abandono, mas algo que não tinha explicação. O silêncio invadia os comodos da casa. Percebia que Landon ficava desconfortavel com a nossa falta de diálogo e sempre tentava puxar um assunto aleatório tentando me tirar daquele estado ínfero. E eu me sentia bem bor isso, percebendo que ele se importava um pouco com meu estado. Pelo menos um pouco. Quando voltei novamente para a copa para levar as taças para cozinha, olhei rapida para o movel escuro no canto da parede pastel. Era aquilo, era aquilo que havia me feito sentir abandonada. Aquele retrato da Angelina enquadrado em uma moldura de cedro brilhante. Brilhante de mais. Fiquei encarando aquela foto como se realmente encarasse aqueles olhos vazios daquela ramera. Não, não era ciúmes. Era apenas... despreso. Se ela continuava a ser do jeito que eu lembrava na época de colégio, então continuava aquela pobre menina raquítica e oferecida. Fiquei mais tempo encarando aquela foto do que imaginava. Viajei nos pensamentos e me perdi neles. Percebi a presença de Landon na sala, mas mesmo assim não me movi. Sentia seus olhos sobre mim, e sabia que ele entendia para onde olhava.

- Então, Isabela... - Disse ele reticente escorregando para minha frente e tapando o retrato de minha vista. Ele me olhava com olhos culposos, e sorria estranhamente, como se escondesse algo. Encarei-o surpresa, mas sabia o que ele estava fazendo, e aquilo doeu. Percebia suas mãos tateando sobre o tampo a procura do retrato. Ele abaixou-o levemente enquanto seus olhos distraiam os meus, mas não era tola. - Quer ajuda com as taças? - Disse ele ainda debruçando levemente para trás sobre a pequena mesa. Eu sorri fracamente com um tom meio deprimido.

- Você não precisa fazer isso, Landon . - Eu disse sem desviar-me dele. Ele piscou surpreso como se não esperasse aquela reação de mim.

- Fa-Fazer o que?- Pela primeira vez des do dia que o conhecera reconheci um sinal de fraqueza, uma ação assustatada como se ele não soubesse o que fazer. Ele não era assim (ou pelo menos nunca se demonstrou). Sempre me pareceu tão seguro de sí, tão esperto, e agora ele parecia mais com um cãozinho assustado a espera de um julgamento. Aquilo não era apenas uma brincadeira qualquer, mas eu caira do jogo de Landon. E eu me senti... usada. Usada como a muitos anos atrás, quando ele havia me feito sentir assim. Ele fez de novo. Minha vontade era de cravar-lhe as unhas no pescoço e faze-lo pagar pelo que havia me feito. Mas pelo contrário, um nó se formou em minha garganta e eu me segurei para não chorar com todas aquelas lembranças do passado e como elas me faziam sentir.

- Se importar tanto comigo... - Eu disse fracamente com um sorriso triste abotoado nos lábios. A feição de assustado dele se tornou normal de novo. Transformou-se em arrependimento. Senti meus olhos molhados. Eu não podia deixa-lo me ver assim, tão vulnerável. Peguei duas taças sobre a mesa, rapidamente e fui para a cozinha. Ele não me seguiu, ele não disse nada. Apenas ficou ali, parado, com a mesma feição. Talvez fosse melhor até. Ele com a sua vida, e eu com a minha. Chefe e empegado, somente. Não que eu tivesse outros planos para nós dois ou pensei que fossemos ter algo mais eu só... Achei que ele fosse diferente. Pensei que ele havia mudado daquilo que eu havia conhecido e daquela imagem que eu tinha em minha mente, mas parece que não.

Quase taquei as taças na pia. Virei-me apoiando as costas no mármore escuro e prensei o rosto entre as mãos. Suspirei tremidamente e recoloquei os pensamentos no lugar. - Era melhor eu ir embora- Ir embora como ele havia feito. Estariamos quites, então. Fui até a sala de entrada e pequei a minha bolsa o sofá. Recoloquei meu casaco e me dirigi até a porta.

- Isabela, aonde você está indo? - Landon apareceu na porta da sala com uma cara de preocupação. Algo que fez meu coração bater mais rápido. Eu sorri dissimuladamente e juntei a bolsa no corpo.

- Embora... Amanhã tenho um compromisso logo cedo e eu acho melhor eu ir. - Menti a primeira coisa que havia pensado. Ele olhou-me descrédulo e não disse nada. - Será que você poderia... - Fiz um sinal rápido apontando para a porta trancada. Ele me encarou como se ignorasse o que eu lhe havia pedido e permaneceu parado.

- Olha Isabela... Eu... Sobre o retrato... - Ele disse gesticulando perdidamente enquanto encarava o chão e voltava as vezes os olhos para mim. Eu o interrompi.

- Não, Landon... - Eu disse tentando soar o mais objetiva possivel. - Você não me deve nenhuma explicação... É a sua vida e você já é grande para saber o que faz com ela... - Eu disse respirando fundo no final da frase. Vomitei aquelas palavras sem pensar no que estava falando. Percebi que havia sido meio grossa mas não estava falando mais do que a verdade. Ele permaneceu a me encarar e acenou com a cabeça de leve.

- Eu sei que não é problema seu... Eu sei... Eu só quero me explicar sobre o que voce viu e... Bem... Deixar as coisas claras... - Ele disse vagamente quase sem rumo.

- Não, Sr. Dylar . - Interrompi-o novamente voltando a formalidade de chefe, mostrando que estava pensando em meu trabalho acima de minhas emoções. - A sua vida amorosa não é problema meu, não mesmo. Agora se me der licença... - Eu disse rispidamente. Encontrei as chaves na mesa, peguei-as e abri a porta. Em um instante senti sua mão em meu braço. Meu coração saltou em meu peito. Aquela mão me relembrou o dia no corredor. O seu cheiro não havia mudado e eu lembrava de como elas eram quentes. Suspirei pesadamente fechando os olhos. Não... Não podia voltar a sentir o que já havia sentido. Era passado. Deveria fujir antes que acabasse como tivera acabado; Apaixonada.

- Isabela, por favor! - Ele disse em tom mais alto, mas ainda educado, como se implorasse por uma chance. Eu permaneci em silêncio e ele entendeu como uma brecha para que ele continuasse. - Eu e a Angelina... Nós estavamos namorando e... Não sei... Nosso relacionamento estava decaindo e eu resolvi acabar de vez com tudo... Era melhor para os dois. - Ele disse desviando os olhos as vezes.

- Então por que ainda tem uma foto dela na sua mesa? - Indaguei com as palavras que praticamente saltaram da minha boca. "Não, Isabela, não!", eu pensava, "fique quieta!". Ele encarou-me abrindo a boca as vezes pensando em uma resposta boa para dar. Mentiroso. Quase caira em seu jogo de novo. Eu sorri levemente ao perceber que ele não tinha nenhuma resposta para isso. Concenti levemente e soltei-me de seus braços, continuando a andar pelo corredor sem olhar para trás. Novamente senti sua mão em meu braço. Aquilo estava me deixando mais irritada do que imaginava. Se ambos sabiamos da verdade, por que ele não me deixava ir?

- Isabela... - Ele chamou meu nome baixinho fazendo meu coração derreter. Ele era bom... Bom nesses jogos, mas eu estava cansada de ser o peão. - Eu só...

- Quer saber, Landon?! - Eu disse com um tom de voz meio alterado, soltando-me dos dedos finos. Ele encarou-me surpresa. - Você me deve uma explicação sim! Mas não sobre isto! Por que eu não dou a mínima para quem você leva ou deixa de levar para sua cama, okay? Eu realmente não me interesso! - Ele me olhava quase boquiaberto. - Eu realmente só queria saber o por que... - Exitei por um instante mas depois voltei a encará-lo nervosa. Ele me olhava realmente surpreso esperando pela minha continuação. - O por que você sumiu da minha vida... o por que... me usou... o por que... você fez aquilo... - Minha voz saiu falhada, melancólica, e naquela altura eu já sentia meus olhos marejados e eu acho que aquilo mexeu com ele de algma maneira. Ele não respondeu, mas sabia que ele lembrava do que estava falando. Era lógico que sabia. Ele fitou-me rapidamente e voltou os olhos para o chão ainda com os lábios entre abertos, agora como se estivesse envergonhado de tal ato. Eu concenti levemente vendo que ele não iria nem se quer responder a minha pergunta. Uma lágrima despancou em minha bochecha. É... ele realmente não havia mudado. Eu me aproximei lentamente até seu ouvido. - Estou indo embora como você foi... - Susurrei com a voz rouca. Enguli mais um nó em minha garganta e prossegui. - Estamos quites... - Virei sobre meus calcanhares e segui quase correndo até o elevador. Dobrei rapidamente o corredor e apertei inumeras vezes o botão do elevador esperando que assim ele chegasse mais rápido. " Por favor... porfavor..."eu susurrava para mim entre os soluços que tentava tapar com a boca. Só queria ir para casa e esquecer de mim por um tempo. Esquecer da vida... de tudo... de Landon. Um sino fino indicou o elevador em meu andar. Me espremi aflita entre porta que se abria lentamente. Muito lento para mim. Cliquei o mais rapidamente em qualquer botão que me tirasse daquele andar e me levasse para casa, que por sorte fora o terreo. A porta se fechava e eu só esperava que ninguem a segurasse. Se fechava... Se fechava em instantes que me lebravam a eternidade. Passei as mãos sobre a face molhada tentando enxuga-la inultilmente. Apenas uma fresta... Uma fresta que foi interrompida. Mais um suspiro atônito. A porta faz o reverso do que peço. Ela começa a reabrir-se rapidamente. Agora, rápida de mais. A mão de Landon que empedia a porta que se fechar-se abaixou-se. Eu fechei os olhos com força esperando que aquilo tudo fosse apenas mais um sonho ruim...Abri-os e Landon ainda permanecia lá. Eu não contive mais um choro. Eu negava a cabeça freneticamente.

- Não, Landon... Por... - Minhas palavras foram cessadas quando encontraram as dele. Ele prendeu meu rosto entre suas mãos finas e trouxe meu rosto para o encontro do seu. Tentei resistir, mas não consegui. O passado te persegue e finalmente... te alcança. Seus lábios continuavam tão macios quanto a última vez. Lembrava de tudo. Segurei seu rosto como ele segurava o meu. Com pavor e com medo, como se segura-se no último fio que me liga a vida. Segurei e não soltei. Nem por um instante. Desci a mão para a sua nuca e colei as nossas testas.

Eu chorava baixiho e ele me deixava chorar. Mas naquele silêncio achei conforto. Ele tentava enxugar a minha bochecha enquanto sussurrava baixinho e repetidamente um " me desculpe...me desculpe", como um mantra. Eu sei que não era o bastante para me fazer esquecer do que aconteceu, mas naquela situação aquilo me confortava. Era como se tudo aquilo que neguei, tivesse em um instante voltado a tona. Sobre tudo, não apenas de Landon. Chorei por tudo aquilo que tentei esquecer, e por mais que quisesse ficar ali nos braços dele para sempre, eu não podia. Não era certo. Tanto pelo meu trabalho quanto por Angelina ou pelo passado mal resolvido. Eu precisava ir... Precisava repensar... Precisava me colocar no lugar novamente. Eu neguei levemente com a a cabeça e me afastei lentamente de seu rosto. Por mais que doesse, por mais que não quisesse.

- Preciso ir... Preciso ir... - Eu disse em som quase inaldivel. Ele compreendeu, como pela primeira vez. Ele deu um passo longo para trás e para fora do elevador. Ficamos nos encarando enquanto a porta fechava-se até vermos o nosso próprio reflexo na porta brilhante de metal. Prenssei o rosto entra as mãos e suspirei veementimente.

- Isso vai tornar as coisas mais difíceis...-



Veri.