Estava empilhando os pratos sobre a mesa e levando-os para pia e estava ajudando Landon, que os lavava. Apesar de ter sido uma noite de grandes progressos (principalmente sobre meu trabalho), me sintia mal. Me senti mal e não sabia por que. Era uma sensação quase como um abandono, mas algo que não tinha explicação. O silêncio invadia os comodos da casa. Percebia que Landon ficava desconfortavel com a nossa falta de diálogo e sempre tentava puxar um assunto aleatório tentando me tirar daquele estado ínfero. E eu me sentia bem bor isso, percebendo que ele se importava um pouco com meu estado. Pelo menos um pouco. Quando voltei novamente para a copa para levar as taças para cozinha, olhei rapida para o movel escuro no canto da parede pastel. Era aquilo, era aquilo que havia me feito sentir abandonada. Aquele retrato da Angelina enquadrado em uma moldura de cedro brilhante. Brilhante de mais. Fiquei encarando aquela foto como se realmente encarasse aqueles olhos vazios daquela ramera. Não, não era ciúmes. Era apenas... despreso. Se ela continuava a ser do jeito que eu lembrava na época de colégio, então continuava aquela pobre menina raquítica e oferecida. Fiquei mais tempo encarando aquela foto do que imaginava. Viajei nos pensamentos e me perdi neles. Percebi a presença de Landon na sala, mas mesmo assim não me movi. Sentia seus olhos sobre mim, e sabia que ele entendia para onde olhava.
- Então, Isabela... - Disse ele reticente escorregando para minha frente e tapando o retrato de minha vista. Ele me olhava com olhos culposos, e sorria estranhamente, como se escondesse algo. Encarei-o surpresa, mas sabia o que ele estava fazendo, e aquilo doeu. Percebia suas mãos tateando sobre o tampo a procura do retrato. Ele abaixou-o levemente enquanto seus olhos distraiam os meus, mas não era tola. - Quer ajuda com as taças? - Disse ele ainda debruçando levemente para trás sobre a pequena mesa. Eu sorri fracamente com um tom meio deprimido.
- Você não precisa fazer isso, Landon . - Eu disse sem desviar-me dele. Ele piscou surpreso como se não esperasse aquela reação de mim.
- Fa-Fazer o que?- Pela primeira vez des do dia que o conhecera reconheci um sinal de fraqueza, uma ação assustatada como se ele não soubesse o que fazer. Ele não era assim (ou pelo menos nunca se demonstrou). Sempre me pareceu tão seguro de sí, tão esperto, e agora ele parecia mais com um cãozinho assustado a espera de um julgamento. Aquilo não era apenas uma brincadeira qualquer, mas eu caira do jogo de Landon. E eu me senti... usada. Usada como a muitos anos atrás, quando ele havia me feito sentir assim. Ele fez de novo. Minha vontade era de cravar-lhe as unhas no pescoço e faze-lo pagar pelo que havia me feito. Mas pelo contrário, um nó se formou em minha garganta e eu me segurei para não chorar com todas aquelas lembranças do passado e como elas me faziam sentir.
- Se importar tanto comigo... - Eu disse fracamente com um sorriso triste abotoado nos lábios. A feição de assustado dele se tornou normal de novo. Transformou-se em arrependimento. Senti meus olhos molhados. Eu não podia deixa-lo me ver assim, tão vulnerável. Peguei duas taças sobre a mesa, rapidamente e fui para a cozinha. Ele não me seguiu, ele não disse nada. Apenas ficou ali, parado, com a mesma feição. Talvez fosse melhor até. Ele com a sua vida, e eu com a minha. Chefe e empegado, somente. Não que eu tivesse outros planos para nós dois ou pensei que fossemos ter algo mais eu só... Achei que ele fosse diferente. Pensei que ele havia mudado daquilo que eu havia conhecido e daquela imagem que eu tinha em minha mente, mas parece que não.
Quase taquei as taças na pia. Virei-me apoiando as costas no mármore escuro e prensei o rosto entre as mãos. Suspirei tremidamente e recoloquei os pensamentos no lugar. - Era melhor eu ir embora- Ir embora como ele havia feito. Estariamos quites, então. Fui até a sala de entrada e pequei a minha bolsa o sofá. Recoloquei meu casaco e me dirigi até a porta.
- Isabela, aonde você está indo? - Landon apareceu na porta da sala com uma cara de preocupação. Algo que fez meu coração bater mais rápido. Eu sorri dissimuladamente e juntei a bolsa no corpo.
- Embora... Amanhã tenho um compromisso logo cedo e eu acho melhor eu ir. - Menti a primeira coisa que havia pensado. Ele olhou-me descrédulo e não disse nada. - Será que você poderia... - Fiz um sinal rápido apontando para a porta trancada. Ele me encarou como se ignorasse o que eu lhe havia pedido e permaneceu parado.
- Olha Isabela... Eu... Sobre o retrato... - Ele disse gesticulando perdidamente enquanto encarava o chão e voltava as vezes os olhos para mim. Eu o interrompi.
- Não, Landon... - Eu disse tentando soar o mais objetiva possivel. - Você não me deve nenhuma explicação... É a sua vida e você já é grande para saber o que faz com ela... - Eu disse respirando fundo no final da frase. Vomitei aquelas palavras sem pensar no que estava falando. Percebi que havia sido meio grossa mas não estava falando mais do que a verdade. Ele permaneceu a me encarar e acenou com a cabeça de leve.
- Eu sei que não é problema seu... Eu sei... Eu só quero me explicar sobre o que voce viu e... Bem... Deixar as coisas claras... - Ele disse vagamente quase sem rumo.
- Não, Sr. Dylar . - Interrompi-o novamente voltando a formalidade de chefe, mostrando que estava pensando em meu trabalho acima de minhas emoções. - A sua vida amorosa não é problema meu, não mesmo. Agora se me der licença... - Eu disse rispidamente. Encontrei as chaves na mesa, peguei-as e abri a porta. Em um instante senti sua mão em meu braço. Meu coração saltou em meu peito. Aquela mão me relembrou o dia no corredor. O seu cheiro não havia mudado e eu lembrava de como elas eram quentes. Suspirei pesadamente fechando os olhos. Não... Não podia voltar a sentir o que já havia sentido. Era passado. Deveria fujir antes que acabasse como tivera acabado; Apaixonada.
- Isabela, por favor! - Ele disse em tom mais alto, mas ainda educado, como se implorasse por uma chance. Eu permaneci em silêncio e ele entendeu como uma brecha para que ele continuasse. - Eu e a Angelina... Nós estavamos namorando e... Não sei... Nosso relacionamento estava decaindo e eu resolvi acabar de vez com tudo... Era melhor para os dois. - Ele disse desviando os olhos as vezes.
- Então por que ainda tem uma foto dela na sua mesa? - Indaguei com as palavras que praticamente saltaram da minha boca. "Não, Isabela, não!", eu pensava, "fique quieta!". Ele encarou-me abrindo a boca as vezes pensando em uma resposta boa para dar. Mentiroso. Quase caira em seu jogo de novo. Eu sorri levemente ao perceber que ele não tinha nenhuma resposta para isso. Concenti levemente e soltei-me de seus braços, continuando a andar pelo corredor sem olhar para trás. Novamente senti sua mão em meu braço. Aquilo estava me deixando mais irritada do que imaginava. Se ambos sabiamos da verdade, por que ele não me deixava ir?
- Isabela... - Ele chamou meu nome baixinho fazendo meu coração derreter. Ele era bom... Bom nesses jogos, mas eu estava cansada de ser o peão. - Eu só...
- Quer saber, Landon?! - Eu disse com um tom de voz meio alterado, soltando-me dos dedos finos. Ele encarou-me surpresa. - Você me deve uma explicação sim! Mas não sobre isto! Por que eu não dou a mínima para quem você leva ou deixa de levar para sua cama, okay? Eu realmente não me interesso! - Ele me olhava quase boquiaberto. - Eu realmente só queria saber o por que... - Exitei por um instante mas depois voltei a encará-lo nervosa. Ele me olhava realmente surpreso esperando pela minha continuação. - O por que você sumiu da minha vida... o por que... me usou... o por que... você fez aquilo... - Minha voz saiu falhada, melancólica, e naquela altura eu já sentia meus olhos marejados e eu acho que aquilo mexeu com ele de algma maneira. Ele não respondeu, mas sabia que ele lembrava do que estava falando. Era lógico que sabia. Ele fitou-me rapidamente e voltou os olhos para o chão ainda com os lábios entre abertos, agora como se estivesse envergonhado de tal ato. Eu concenti levemente vendo que ele não iria nem se quer responder a minha pergunta. Uma lágrima despancou em minha bochecha. É... ele realmente não havia mudado. Eu me aproximei lentamente até seu ouvido. - Estou indo embora como você foi... - Susurrei com a voz rouca. Enguli mais um nó em minha garganta e prossegui. - Estamos quites... - Virei sobre meus calcanhares e segui quase correndo até o elevador. Dobrei rapidamente o corredor e apertei inumeras vezes o botão do elevador esperando que assim ele chegasse mais rápido. " Por favor... porfavor..."eu susurrava para mim entre os soluços que tentava tapar com a boca. Só queria ir para casa e esquecer de mim por um tempo. Esquecer da vida... de tudo... de Landon. Um sino fino indicou o elevador em meu andar. Me espremi aflita entre porta que se abria lentamente. Muito lento para mim. Cliquei o mais rapidamente em qualquer botão que me tirasse daquele andar e me levasse para casa, que por sorte fora o terreo. A porta se fechava e eu só esperava que ninguem a segurasse. Se fechava... Se fechava em instantes que me lebravam a eternidade. Passei as mãos sobre a face molhada tentando enxuga-la inultilmente. Apenas uma fresta... Uma fresta que foi interrompida. Mais um suspiro atônito. A porta faz o reverso do que peço. Ela começa a reabrir-se rapidamente. Agora, rápida de mais. A mão de Landon que empedia a porta que se fechar-se abaixou-se. Eu fechei os olhos com força esperando que aquilo tudo fosse apenas mais um sonho ruim...Abri-os e Landon ainda permanecia lá. Eu não contive mais um choro. Eu negava a cabeça freneticamente.
- Não, Landon... Por... - Minhas palavras foram cessadas quando encontraram as dele. Ele prendeu meu rosto entre suas mãos finas e trouxe meu rosto para o encontro do seu. Tentei resistir, mas não consegui. O passado te persegue e finalmente... te alcança. Seus lábios continuavam tão macios quanto a última vez. Lembrava de tudo. Segurei seu rosto como ele segurava o meu. Com pavor e com medo, como se segura-se no último fio que me liga a vida. Segurei e não soltei. Nem por um instante. Desci a mão para a sua nuca e colei as nossas testas.
Eu chorava baixiho e ele me deixava chorar. Mas naquele silêncio achei conforto. Ele tentava enxugar a minha bochecha enquanto sussurrava baixinho e repetidamente um " me desculpe...me desculpe", como um mantra. Eu sei que não era o bastante para me fazer esquecer do que aconteceu, mas naquela situação aquilo me confortava. Era como se tudo aquilo que neguei, tivesse em um instante voltado a tona. Sobre tudo, não apenas de Landon. Chorei por tudo aquilo que tentei esquecer, e por mais que quisesse ficar ali nos braços dele para sempre, eu não podia. Não era certo. Tanto pelo meu trabalho quanto por Angelina ou pelo passado mal resolvido. Eu precisava ir... Precisava repensar... Precisava me colocar no lugar novamente. Eu neguei levemente com a a cabeça e me afastei lentamente de seu rosto. Por mais que doesse, por mais que não quisesse.
- Preciso ir... Preciso ir... - Eu disse em som quase inaldivel. Ele compreendeu, como pela primeira vez. Ele deu um passo longo para trás e para fora do elevador. Ficamos nos encarando enquanto a porta fechava-se até vermos o nosso próprio reflexo na porta brilhante de metal. Prenssei o rosto entra as mãos e suspirei veementimente.
- Isso vai tornar as coisas mais difíceis...-
Veri.
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