O despertador tocou ao som de ‘Same Mistake’, de James Blunt. Abri os olhos delicadamente, pois antes de abri-los já sabia que dia seria aquele. O primeiro de muitos (pelo menos era o que eu esperava) na OwnBusiness. Por isso, como uma das poucas vezes na minha vida eu já havia despertado antes do despertador tocar. Como uma boa supersticiosa que era levantei com o pé direito. Como fazia falta um velho bauzinho que eu tinha, daqueles que você compra nessas lojas de mágicas abandonadas, mas que parecem que fazem milagres quando o assunto é prever alguma coisa. Suas citações sempre fizeram sentido. Mas eu o acabei perdendo em uma das minhas mudanças malucas e desorganizadas. A bacia de purê ainda permanecia com algum conteúdo no criado ao lado da cama, o que fez com que aquele fizesse parte do meu café da manhã.
A maquiagem estava perfeita, nem fraca demais, nem acentuada demais. Eu deveria arrasar hoje. Landon, definitivamente, precisava notar o quanto eu não era mais aquela garotinha que levava tombos quando ele olhava pra mim com aquele sorriso de canto boca... E que convenhamos... Que sorriso! Não, Isabela, não! Landon Dylar não te atraía mais.
A vida agitada de NY era convidativa e no prédio da OwnBusiness parecia que as pessoas estavam cada vez mais apressadas, principalmente no Hall principal. Logo eu seria uma delas.
- Bom dia, senhorita Kemper! – falou Cyntia.
- Bom dia, Cyntia.
- Ah, você precisa assinar estes papéis. – disse ela me entregando duas folhas – São nestes dois lugares. Não é nada muito importante. É apenas um controle das pessoas que estiveram aqui fazendo a entrevista.
- Sem problemas! – respondi assinando – Ah...Cyntia, você sabe onde fica o meu local de trabalho? É que eu acabei de chegar e...
- Ah, claro, claro! Por favor, me acompanhe – Cyntia me levou em direção a uma ala do andar que eu não havia reparado que existia. Era ao leste da sala de Landon, o que indicava que trabalharia próxima a ele. O lugar era espaçoso com varia mesas e poltronas, todas acompanhadas de computadores. Não deixava de ter um certo luxo. A janelas possuíam vidro espelhado, o que nos dava uma boa visão da cidade. Havia um pequeno lugar ao fundo reservado ao café com alguns biscoitos. Os funcionários olharam curiosos quando entramos.
– Bem senhorita, esta é a sua repartição. Esta é a sua mesa! – Que sorte! Pensei eu. Bem do lado da janela! Dali eu teria uma vista privilegiada da cidade... E... Da mesa de Landon?! Ah, não...! Na mesa onde eu me encontrava conseguia ver perfeitamente sua poltrona através do vidro de sua sala. Por que ele não colocara uma cortina? Homens! Não entendem nada, mesmo, de decoração – Bem, se precisar de mim, é só chamar! – e ao dizer isso Cyntia colocou disfarçadamente a mão do canto da boca e disse baixinho - E aproveite, pois muitos queriam ocupar esta poltrona! – e piscou de leve, saindo como se não tivesse dito nada com seus saltinhos fazendo barulho no chão.
Sentei-me e comecei a me organizar na minha nova mesa de madeira branca. Ao fazer, reparei que havia um homem na mesa ao lado olhando pra mim. Sim, as mulheres percebem quando são observadas. Ele sorria. Bem... Se não estivesse usando um sapato numero 37 de couro preto aveludado diria que estava interessado em mim. Retribuí o sorriso. Desviei meu olhar para frente por distração e reparei que Landon não estava mais em sua poltrona.
- Seja bem-vinda... – disse uma voz ao meu lado. Assustei-me quase imperceptivelmente ao ver quem era. Ele.Landon. – ...Senhorita Kemper! – falou ele, mais uma vez, dando ênfase a essas palavras. As funcionárias que faziam parte da repartição olharam com um certo olhar curioso, como se Landon e eu fossemos alienígenas. Percebi que pararam o que estavam fazendo.
- Muito obrigada, senhor Dylar. – disse eu retribuindo com um sorriso forçado – O senhor soube rápido da minha chegada. Veio conferir se eu viria mesmo? – Ele riu brevemente. Estava usando uma camisa social azul. Não havia gravata ou palitó, deixando um pequeno pedaço de seu peito a mostra. O relógio grosso no pulso realçava as mãos grandes e sexies que ele possuía.
- Não, não, vim apenas dar boas vindas a minha mais nova funcionária.
- Ora...O senhor não precisava ter se dado ao trabalho... Sua telefonista foi realmente gentil comigo – disse-lhe respondendo no mesmo tom.
- Não tenho dúvidas disso. Quero que sabia que se caso a senhorita precisar de algo, digo... Como informações, por exemplo – O que ele pensava? Que eu era burra? Na época de colégio que tinha notas baixas era ele, não eu! – não hesite em me procurar – as funcionárias se entreolharam e cochicharam algo. Landon olhou para trás intimidando-as.
- Não vou precisar – disse-lhe sorrindo – Mas, em todo caso, obrigada senhor Dylar.
- Espero que obtenha o que veio buscar aqui. – disse com um tom carinhoso. Ok, eu devo admitir, ele sabia como seduzir uma mulher. Uma mulher tonta e fácil é claro.
- Eu também – ele de despediu sorrindo e caminhou em direção a sua sala. Reparei que a mesa do senhor Joey Tanehill ficava bem em frente a minha. Eu havia me esquecido que ele era meu chefe de repartição, mas ele não se encontrava ali quando eu cheguei. Sorriu por trás dos óculos quando viu que eu o observava. As funcionárias ainda me olhavam. Retribuí o olhar para que parassem.
- Não ligue pra elas – disse meu companheiro da mesa ao lado, que a pouco me olhara também – Elas ficam assim quando o senhor Dylar aparece por aqui. É quase um amor platônico. – falou ele arrancando de mim uma risada baixa.
- Ah... É só que elas não param de me olhar!
- Prazer, Daniel, Daniel Skeeter – disse ele estendendo a mão.
- Isabela Kemper. Você... É brasileiro? – perguntei devido ao sotaque do nome.
- Ah, sim, mas vim pra cá ainda criança. Meus pais são americanos – disse ele.
- Que coincidência encontrar um brasileiro bem na minha repartição! – disse eu sorrindo. Ele sorriu também.
- O Lan... Digo... O senhor Dylar nunca aparece por aqui?
- Nunca, só quando é realmente necessário. Ele fica na sala dele praticamente o dia todo. Só sai quando tem reuniões, mas eu realmente simpatizo com ele. Ele trata bem a todos aqui. E é um tipão! – disse arrancando-me mais uma risada. E foi assim que conheci Daniel, meu querido amigo gay. As palavras dele em relação a Landon não me surpreenderam. Ele sempre foi reservado em tudo. Principalmente com as garotas do colégio que gostavam dele. Ele fazia charme para todas elas e no fim nunca ficava com nenhuma, até que um dia... Chega! Não quereria mais lembrar. Parei de pensar naquilo e me concentrei no meu novo trabalho. O dia foi puxado, mas eu amava o que estava fazendo. No fim do dia não encontrei Landon, o que foi ótimo, pois ele passara a tarde toda me observando de sua sala e, quando nossos olhares se encontravam, ele dava aquele sorriso de canto de boca, me deixando furiosa. Cheguei em casa exausta. Caí na cama e dormir.
(Isa.)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário