terça-feira, 22 de julho de 2008

I Can't Let Go - Cap. 14 - Paisagem

Quando dei por mim já me encontrava dentro da sala de Landon. Malditos pés! Meu corpo estava me traindo de novo, fazendo coisas que a minha razão deveria me deter.

- Feche a porta quando entrar, por favor. - Ele pediu com uma voz meiga, bem mais meiga do que ele havia falado com Angelina ( que não era muita coisa por que até um cachorro era tratado melhor do que Angelina foi, e com razão!). Assim o fiz. Quando virei-me Landon se direcionava para a mesa grande de sua sala, onde estavam uma pilha de arquivos organizados sobre ela , junto com alguns materiais de escritórios e um computador muito bonito ( bem mais sofisticado que o meu, pelo menos). Ele encostou suas costas na beirada da mesa, cruzando os braços enquanto me encarava. Sentia seus olhos passeando pelo meu corpo, des dos meus sapatos finos até o ultimo fio de cabelo preso em um coque mal apanhado. Mas por mais estranho que parecesse, seu olhar não me julgava ou me analisava, era como se me reverenciasse, como se apreciasse cada curva feita pelo meu contorno. Aquilo estava me deixando desconfortavel. Não pelo fato que não gostava, mas pelo fato que estava gostando. E até demais, e aquilo não iria ser bom. Toci levemente fazendo-o se dar conta do que estava fazendo, mas ele não pareceu nenhum pouco envergonhado pelo ato, pelo contrário, era como se perguntasse se havia gostado. Ele e seu sorriso. Meu coração disparou e eu corei furiosamente. Eu tinha que ser breve e voar dali o mais rápido possivel.

- Então, o que foi? - Perguntei diretamente, sem nenhum tipo de floriação pelo fato dele ser meu chefe. Ele suspirou demoradamente e mordeu o canto do lábio. (meu deus...)

- Eu só queria me desculpar pela cena de agora pouco... A Angelina as vezes tem um comportamente imprevissivel!- Ele disse gesticulando sem desviar os olhos dos meus. Aquela segurança havia voltado de novo. - Eu sei que você só queria ajudar. - Ele sorriu levemente e eu forcei outro.

- É... Eu tenho que aprender a deixar de me meter em problemas que não me pertencem. - Eu disse rispidamente, algo que fez seu sorriso murchar levemente. Eu estava tentando controlar a minha raiva que praticamente dominava o meu corpo. Angelina... Noiva?! A sua fala ficava se repetindo em minha mente enquanto eu tentava dessesperadamente não pensar naquilo, mas era impossivel. Aquilo me atingiu como um soco na boca do estomago. Um silencio incomodo tomou a sala. Meu olhar as vezes caia no chão, mas o dele pareceu-me mais seguro do que nunca.

- Eu não sou um assunto que te pertence? - Ele disse objetivamente. Tá... eu não estava esperando por esta. Eu estava tentando tomar as rédeas da situação, mas parecia que sempre quando eu estava perto de alcança-las, Landon sempre fazia primeiro. Mas não essa vez.

- Não o seu noivado. - Eu disse transparecendo um pouco de dor na minha voz. Algo que não pude conter por que era o que realmente estava sentindo. Landon encarou-me fixamente e agora a seu rosto não tranparecia qualquer tipo de emoção. Estava apático, e eu não sabia o que pensar. Ele descruzou os braços do peito e apoio-se na mesa, se distanciando um pouco desta.

- Então não há mais nada a se preocupar... - Disse ele reticente enquanto se distanciava cada vez mais da mesa.-Por que o meu noivado é um assunto que também não me pertence. - Ele disse enquanto caminhava e as mãos seguiam suas pernas.
- Não foi o que ouvi Angelina dizer. - Eu retruquei rispidamente tentando me manter firme. Ele se aproximava. Lentamente se aproximava. Eu já sentia o seu calor atravessando aquela coluna de ar frio que se encontrava entre nós.

-Não confie em nada do que Angelina diz. Mas eu acho que voce já sabe disso, não? - Sua voz ia abaixando a medida que seu corpo se aproximava do meu. Deixei que minha respiração atacada saisse baixa por entre meus lábios abertos. Seus olhos brilhavam sedução, um brilho ofuscante que acabou por me cegar e me envolver.

-Não... - Sussurrei baixinho enquanto seu rosto se mantinha a cerca de um malmo do meu. Era impossivel resistir. - Mas então... em quem devo confiar? - Eu perguntei com os olhos nos seus, tentando não ceder sobre as minhas pernas bambas. Ele nos aproximou ainda mais, e eu sentia seu hálito quante batendo no meu. Ele tinha algo... algo que me fazia sair de mim. Era como se perto dele eu me transformasse em outra pessoa, uma pessoa sem controle. Sua mão veio afastar algumas mechas sobre a minha maça do rosto.

- Confie em mim... Você pode fazer isso? - Suas palavras batento em meus lábios calados. ~Eu era como uma panela de pressão prestes a explodir, mais um pouco e eu ia...

- Seu café, Sr. Dylar! - Disse Cyntia abrindo a porta e entrando. - Ah meu Deus!!! - Ela gritou quando deu-se com a imagem de ambos. Landon tratou de se afastar de mim o mais rápido que pude, e eu fiz o mesmo. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem sei como. Cyntia fechou os olhos com força como se desculpando por ver a cena, ao memso tempo ela tentou entregar o café com os olhos fechados, o que não deu certo. O café quente virou-se quase inteiro sobre a camisa e principalmente sobre a Calça de Landon. - Céus!! Sr. Dylar me desculpe! Ai meu deus! - Cyntia gritava enquanto se ajoelhava para limpar a calça social do chefe. Se alguem entrasse naquela hora iria pensar algo pervertido sobre aquela situação. Landon sorria e tentava recuar sobre a mão da secretária que apertava veementimente a o pano da calça.

- Não! Tudo bem Cyntia, eu me limpo! - Ele repetia. Ela negava e continuava a limpar, estranhamente, a sua calça.

- Sr. Dylar! Me desculpe eu não sei o que dizer! Céus! - Landon sorria constrandido e eu ficava a encarar aquela sem saber o que fazer. A primeira coisa que se passou na minha cabeça foi o que acabei por fazer ; Fugir. Sim, eu sei que foi uma ação de uma criançinha assustada, mas estar com Landon era estar fora de mim! Eu eu gostava de saber o que eu estava fazendo. Quanto mais longe de Landon, melhor seria. Em todos os aspéctos. Eu caminhava nervosa pelos corredores, tentando me afastar o mais rápido de sua sala.

- Isabela! Espere! - Eu ouvi a voz de Landon ecoando pelos corredores. Olhei para trás e vi a cena, que no minimo, era engraçada. Landon Corria de maneira desengonçada, com a calça manchada, enquando Cyntia corria atrás dele com uam pano na mão, e enquanto todos do escritório pararam seus afazeres para presenciar tal cena. Fingi que não havia escutado ele gritar meu nome e virei o corredor. Agora tinha mais razões para permanecer longe dele do que perto. Avistei uma porta a minha esquerda. Ouvia os passos de Landon se aproximando, e como instindo, abri a porta o mais rápido que pude e entrei. Me deparei com um grande lance de escadas de concreto. Nunca havia subido pelas escadas no periodo que trabalhava ali, então a sua existencia era desconhecida para mim. Olhei para cima para ver, a cerca de uns cinco andares para cima , a cobertura do edifício. Era melhor levar Landon para conversar lá, já que sabia que ele não iria parar de correr atrás de mim até sentarmos e conversamos. Era melhor correr e esperar que ele me seguisse. Era estranho pensar que desde quando o conheci eu tratava a nossa relação como uma garotinha brinca de pega-pega. Eu já era madura o suficiente para parar, pensar e adimitir meus sentimentos, então por que eu insistia em fugir? Era algo além do meu controle. Minhas pernas doiam enquanto eu me esforçava para subir o último andar. Conseguia ouvir os passos e os gritos de Landon (sozinhos, agora), que me seguiam escadaria a cima. Joguei-me na barra da porta e ela se abriu com força. Corri até o parapeito e apoiei-me tentando recuperar o folego. O vento era frio e intenso na quela altura e eu conseguia avistar praticamente toda Nova Iorque. Algo embriagante, mas ao memso tempo, vertiginoso. Outro som forte ecoou e eu sabia que era Landon.

- Qual é o seu problema? - Disse arfando entre os suspiros em busca de ar, apoiando-se na porta recem aberta.

- Eu sabia que você iria me seguir, é só um lugar melhor para nós conversarmos. - Eu disse me aproximando dele.

- Ah... - Disse ele levantando os olhos cansados para mim. - Nesse caso, bem pensado! - Ele agora sorriu como se aquilo o surpreendesse. Eu fiquei o abservando por bastante tempo enquanto ele se recompunha. Tempo que me permitiu pensar no que dizer.

- Landon... - Chamei-o e ele me fitou. - Vamos acabar com isso logo... Vamos parar de...nos enganar... Eu... - Ele ergue-se e voltou as suas proporções o que me intimidou um pouco para continuar a falar. Eu neguei a cabeça levemente apertando os dedos. - O que aconteceu naquela noite foi...

- Mágico. - Ele me interrompeu completando a minha sentença. Eu sorri tristemente por que sabia que havia sido mágico, sabia que era o que eu queria, mas não era certo. Iria somente complicar ainda mais a vida já complicada que tinhamos. Eu neguei levemente e agi pela primeira vez como uma adulta alí naquela relação.

- Foi um erro... E eu sei que voce também sente isso. - Ele desviou os olhos para o chão e bufou, como um sinal de negação. Eu me aproximei tentando me manter o mais firme possivel. - Não, Landon... Olha... Vamos terminar antes mesmo que isso começe e chegue a algum lugar. Esse é o melhor jeito.Você tem... tinha a sua vida pronta antes de me conhecer e tenho certeza que vai continuar com ela assim que eu sair. - Eu me aproximei e depositei de leve minha mão no lado de seu braço, e ele permaneceu imovel.- Não estou negando o que aconteceu entre nós, estou apenas tentando deixar as coisas mais fáceis para nós dois! Por favor... - Ele sorriu fracamente esquivou-se de minhas mãos, passou por mim e caminhou até o parapeito. Fiquei imóvel e surpresa pelo seu ato.

- Desde quando você se tornou adulta? - Ele perguntou de maneira sarcástica como se tivesse ignorado tudo aquilo que eu havia dito até agora. Eu encarava suas costas arqueadas sobre o para-peito e seus cabelos castanhos claros moldando-se com o vento. Aquela afirmação realmente me abalou. Ele via-me como antes... Apenas aquela pequena garota indefesa e sem vontade própria que o seguiu pelos corredores. Eu queria realmente mostrar que aquela pessoa não era mais eu. Aquela menina morreu...há muito. Agora, quem ditava as regras da minha própria vida era eu, não mais um menino qualquer que me enganava por nada. Enguli todas aquelas memórias e voltei a encara-lo nervosa.

- E desde quando você me viu como uma criança? - Perguntei firme. Ele não se moveu. Permaneceu a encarar a vista com os olhos baixos. Ele não tinha nada para me dizer, como sempre. Sorri forçadamente e afirmei levemente. - Que bom que tivemos essa conversa. - Eu afirmei ironicamente diante de seu silêncio. Caminhei pelo terraço até a porta de metal. Empurrei-a e olhei novamente para trás, como uma despedida. - E não pense que vou esperar pelo dia que voce amadureçer, Landon... Receio que a vida não seja tão longa... - Disse por fim fechando a porta atrás de mim e descendo os lances de escadas tranquilamente. Era duro perceber que aquilo tudo que voce sentia era apenas uma ilusão, por que não estava apaixonada por Landon... Estava apaixonada apenas pelas memórias, e queria revivê-las mais uma vez.

Mas sabia que isso era impossivel.

I Can't Let Go - Cap 13 - Ex.

Era óbvio.Me apaixonar por Landon não só tornaria as coisas mais difíceis como também atrapalharia minha vida cotidiana.Agora sim.Agora amava Landon como antes, por mais que não quisesse.Por mais que tentasse arrancá-lo de meus pensamentos durante todo o tempo, era inútil.O dia de trabalho estava próximo e eu sabia que tinha de enfrentá-lo.Pensei em ligar pra Cyntia e dizer que estava com os olhos e a boca inchados, mas não seria suficiente.Pensei então em dizer que se tratava quase de uma elefantíase facial, mas Landon não aceitaria esta desculpa.Não.Fugir do problema não era a solução.Eu deveria enfrentá-lo como sempre fiz em minha vida.
Em minha secretária eletrônica havia 7 recados não respondidos.Um de minha mãe, dois do Dani, três de Landon e um da loja de lingeries que eu esquecera de pagar.Mas isto não vem ao caso.O fato é que eu achava que não devia responder os recados de Landon, ainda.
O dia amanheceu e não acordei de forma realmente positiva e disposta, propriamente porque acordei com a secretária eletrônica gritando.
- Alô?Filha?Já faz 48 horas que não ouço sua voz!Onde você está?Será que você morreu?Será que foi seqüestrada?Santo Deus, NY é uma cidade perigosíssima!Além do mais você ainda não sabe se cui...
- Alô...?Mãe...?
- Filha?Ai graças à Deus!O que aconteceu?Você está...
- Eu estou bem mãe...É, eu estava dormindo.
- Ah, que bom.Pode voltar a dormir meu bem, eu não queria te incomodar.Só queria saber se estava tudo bem mesmo.
Desliguei o telefone naquele exato momento.Eu não estava a fim de dar nenhuma resposta à minha mãe.O máximo que podia fazer era me aprontar para o trabalho.
Cheguei na OwnBusiness e Linda Kraft era a única que ocupava o seu cubículo com um copinho de café em cima da mesa.Ela possuía um sorriso vitorioso.
- Bom dia srta Kemper – falou ela com a mesma voz estridente.
- Bom dia srta Kraft – respondi secamente.Eu ia me preparar para começar a trabalhar, mas meus olhos correram para frente em direção à sala de Landon.A poltrona estava vazia.De repente uma sensação de arrependimento me invadiu.Talvez não devesse ter beijado Landon.Contaria tudo a Daniel quando ele chegasse.
- Ah, Bom dia srta Kemper, aqui estão os documentos daquela empresa de Ohio que a srta me pediu – disse Cyntia.Assustei-me ao ouvi-la chegar.De onde ela tinha vindo?
- Ah, obrigada Cyntia, não sei o que eu faria sem você – ela sorriu e se retirou.Eu ainda pensava em Landon, mas precisava me distrair rapidamente para afastá-lo de minha mente.Comecei a estudar os documentos, mas fui interrompida por uma voz que falava um tanto alto na recepção.
- Querida você sabe quem eu sou?
- Mas senhora, eu realmente não tenho autorização... – essa era a voz de Cyntia.O que estaria acontecendo?Achei melhor verificar.Olhei para Linda.Esta estava escrevendo mas permanecia com o mesmo sorriso.
- Algum problema, Cyntia ? – perguntei.Em seguida olhei para a mulher com quem ela discutia.Angelina Aniston não mudara quase nada desde a época de colégio.Estava apenas com a face mais velha e mais bonita.E, ah sim, estava mais perua.Meu olhar se concentrou inteiramente nela.
- Esta senhora, ela deseja falar com o senhor Dylar, e gostaria de esperá-lo na sala dela, mas acontece que eu realmente não tenho autorização para deixar ninguém entrar lá sem que ele esteja aqui...- respondeu Cyntia.Angelina me fitou calmamente.Nem eu, nem ela tinha reação alguma.
- Eu...Eu não conheço você? – perguntou-me ela após alguns segundos.Fiquei imóvel.Não reagi. – Sim...você era aquela garota meio esquisitinha de North Hight – ela riu brevemente – Céus, como o mundo é pequeno.O que você está fazendo aqui?
- Eu trabalho aqui – respondi.Cyntia olhava de um lado para o outro procurando entender.
- Mas...qual era mesmo o seu nome?Srta...Kaper.Não era isso? – disse ela num tom um pouco irônico.
- Kemper, srta Kemper – falei corrigindo-a secamente – E a srta me desculpe, mas eu se quer lembro o seu nome, e muito menos sei quem você é – Ela pareceu pasma por um instante.Como se eu fosse a primeira pessoa no mundo que não soubesse seu nome.
- Claro – falou sorrindo – Srta. Dylar – e estendeu a mão.’Srta, Dylar?’ pensei eu.Mas eles se quer estavam namorando, até onde eu sabia.E pelo menos isso Cyntia pareceu entender.Eu realmente pensei em fazer algo não-bacana com a mão dela.Mas só pensei.
- Isabela Kemper, é um prazer.
- O prazer é meu – ok, nós duas sabíamos que não era.
- Creio que estudamos juntas em North Hight – falou ela falsamente.
- Eu creio que não – falei.Ela pareceu querer me interromper quando eu disse isso – Você disse que eu devia ser meio esquisitinha – e tratei de dar ênfase a estas palavras – E se havia algo que eu não era na época de colégio, era esquisitinha.Pessoas esquisitinhas, não ocupam o cargo que eu ocupo, Srta. Aniston – Seus olhos se abriram e ela parecia não acreditar no que ouvia.Seu rosto se contraiu ou ouvir-me pronunciar o seu nome verdadeiro.
- Pra você, querida, é srta. Dylar – falou ela, agora sem esconder o sarcasmo.
- Me desculpe, srta Aniston, mas não chegou ao meu conhecimento que o sr. Dylar seja comprometido – e sorri – ainda.
- E desde quando você sabe ou deixa de saber alguma coisa sobre a vida pessoal do seu patrão querida?
- Mas é verd... - falou Cyntia, mas foi calada pelo olhar de Angelina.Esta se aproximou de mim e pegou com desdém no meu crachá
- Isabela Kemper – falou ela – Gerente de relações exteriores – repetiu ela em maior tom de desdém.
- Ao seu dispor – falei sorrindo ainda mais.
- Então, srta. Kaper...Eu gostaria de falar com o meu noivo, o sr Dylar, sabe?Você teria como chamá-lo pra mim?Ah!E só mais uma coisa, me traga um café quente, porque o aquecedor deste lugar é péssimo! – disse me encarando.
- Lamento – falei ironicamente – Mas o sr. Dylar ainda não chegou – e ela sabia disso – Mas a srta pode esperar por ele aqui na recepção.Ele não deve demorar.E quanto ao seu café, eu vou pedir para a garçonete aqui da empresa, porque sabe...Esta não costuma ser minha função – Angelina deu um passo à frente e colocou o dedo indicador com força em meu peito.
- Escute aqui srta. Kaper...Você sabe com quem está falando?Não...Não deve saber...Eu vou entrar na sala dele e vou esperá-lo chegar lá.E eu faço questão que o meu café seja servido na sala dele...Por você!Pois não vai ser uma gerentesinha desclassificada como você que vai me impedir de entrar na sala do meu NOIVO!
- Eu posso saber de qual noivo você está falando Angelina? – Landon estava parado na porta da recepção assistindo toda a cena, junto de Daniel e do Sr. Tanehill.Ao vê-los Angelina logo se recompôs.
- Landon! – falou ela carinhosamente – Ainda bem que você chegou.Você não sabe o que a sua funcionária me fez passar hoje de manhã – e o abraçou dando beijos no rosto.O abraço não foi correspondido.
- Eu posso imaginar o que você a fez passar – ele disse – O que você está fazendo aqui?
- Eu...Eu vim te ver – e baixou o tom de voz – Nós precisamos conversar...Olha, papai quer te ver, está interessado em te ajudar nos negócios, nós podemos crescer juntos meu amor!
- Nós não temos nada pra conversar Angelina – e pegou nos braços dela tirando-os de seu ombro – vá embora, por favor, aqui é meu local de trabalho – Daniel me olhou e fez uma cara de tédio e depois uma careta, mas eu não consegui sorrir.Landon pegou os braços de Angelina e a levou até a porta dizendo algo que não pude escutar.Agora ele vinha em minha direção.
- Você está bem? – ele perguntou depositando a mão em meu ombro carinhosamente.
- Sim - eu respondi – tudo o que quero ir para a minha mesa.
- Assim como todos nós srta. Kemper – falou o sr. Tanehill passando por mim e dando uma piscada, acompanhado de Daniel.Olhei pra frente e reparei que Angelina permanecia imóvel na porta me fitando com olhar raivoso.Ela veio andando batendo os pés no chão na direção minha e de Landon.
- Mexeu com a mulher errada! – falou ela com o dedo indicador quase tocando meu rosto.Landon virou-se.
- Retire-se Angelina! – falou ele ficando nervoso também.Cyntia estava pálida e sem reação.
- Com a mulher errado ouviu? – falou ela ainda me apontando o dedo, mas ao longe pois estava sendo arrastada por Landon.
- Você...Desculpe-me! – falou ele depois de tirá-la do escritório.Eu estava com raiva, com muita raiva de Angelina.Mas resolvi não cair nas provocações dela – Vamos...até a minha sala.Cyntia, traga-nos café por favor.


Isa.

I Can't Let Go - Cap. 12 - Retratos e maus retratos

Estava empilhando os pratos sobre a mesa e levando-os para pia e estava ajudando Landon, que os lavava. Apesar de ter sido uma noite de grandes progressos (principalmente sobre meu trabalho), me sintia mal. Me senti mal e não sabia por que. Era uma sensação quase como um abandono, mas algo que não tinha explicação. O silêncio invadia os comodos da casa. Percebia que Landon ficava desconfortavel com a nossa falta de diálogo e sempre tentava puxar um assunto aleatório tentando me tirar daquele estado ínfero. E eu me sentia bem bor isso, percebendo que ele se importava um pouco com meu estado. Pelo menos um pouco. Quando voltei novamente para a copa para levar as taças para cozinha, olhei rapida para o movel escuro no canto da parede pastel. Era aquilo, era aquilo que havia me feito sentir abandonada. Aquele retrato da Angelina enquadrado em uma moldura de cedro brilhante. Brilhante de mais. Fiquei encarando aquela foto como se realmente encarasse aqueles olhos vazios daquela ramera. Não, não era ciúmes. Era apenas... despreso. Se ela continuava a ser do jeito que eu lembrava na época de colégio, então continuava aquela pobre menina raquítica e oferecida. Fiquei mais tempo encarando aquela foto do que imaginava. Viajei nos pensamentos e me perdi neles. Percebi a presença de Landon na sala, mas mesmo assim não me movi. Sentia seus olhos sobre mim, e sabia que ele entendia para onde olhava.

- Então, Isabela... - Disse ele reticente escorregando para minha frente e tapando o retrato de minha vista. Ele me olhava com olhos culposos, e sorria estranhamente, como se escondesse algo. Encarei-o surpresa, mas sabia o que ele estava fazendo, e aquilo doeu. Percebia suas mãos tateando sobre o tampo a procura do retrato. Ele abaixou-o levemente enquanto seus olhos distraiam os meus, mas não era tola. - Quer ajuda com as taças? - Disse ele ainda debruçando levemente para trás sobre a pequena mesa. Eu sorri fracamente com um tom meio deprimido.

- Você não precisa fazer isso, Landon . - Eu disse sem desviar-me dele. Ele piscou surpreso como se não esperasse aquela reação de mim.

- Fa-Fazer o que?- Pela primeira vez des do dia que o conhecera reconheci um sinal de fraqueza, uma ação assustatada como se ele não soubesse o que fazer. Ele não era assim (ou pelo menos nunca se demonstrou). Sempre me pareceu tão seguro de sí, tão esperto, e agora ele parecia mais com um cãozinho assustado a espera de um julgamento. Aquilo não era apenas uma brincadeira qualquer, mas eu caira do jogo de Landon. E eu me senti... usada. Usada como a muitos anos atrás, quando ele havia me feito sentir assim. Ele fez de novo. Minha vontade era de cravar-lhe as unhas no pescoço e faze-lo pagar pelo que havia me feito. Mas pelo contrário, um nó se formou em minha garganta e eu me segurei para não chorar com todas aquelas lembranças do passado e como elas me faziam sentir.

- Se importar tanto comigo... - Eu disse fracamente com um sorriso triste abotoado nos lábios. A feição de assustado dele se tornou normal de novo. Transformou-se em arrependimento. Senti meus olhos molhados. Eu não podia deixa-lo me ver assim, tão vulnerável. Peguei duas taças sobre a mesa, rapidamente e fui para a cozinha. Ele não me seguiu, ele não disse nada. Apenas ficou ali, parado, com a mesma feição. Talvez fosse melhor até. Ele com a sua vida, e eu com a minha. Chefe e empegado, somente. Não que eu tivesse outros planos para nós dois ou pensei que fossemos ter algo mais eu só... Achei que ele fosse diferente. Pensei que ele havia mudado daquilo que eu havia conhecido e daquela imagem que eu tinha em minha mente, mas parece que não.

Quase taquei as taças na pia. Virei-me apoiando as costas no mármore escuro e prensei o rosto entre as mãos. Suspirei tremidamente e recoloquei os pensamentos no lugar. - Era melhor eu ir embora- Ir embora como ele havia feito. Estariamos quites, então. Fui até a sala de entrada e pequei a minha bolsa o sofá. Recoloquei meu casaco e me dirigi até a porta.

- Isabela, aonde você está indo? - Landon apareceu na porta da sala com uma cara de preocupação. Algo que fez meu coração bater mais rápido. Eu sorri dissimuladamente e juntei a bolsa no corpo.

- Embora... Amanhã tenho um compromisso logo cedo e eu acho melhor eu ir. - Menti a primeira coisa que havia pensado. Ele olhou-me descrédulo e não disse nada. - Será que você poderia... - Fiz um sinal rápido apontando para a porta trancada. Ele me encarou como se ignorasse o que eu lhe havia pedido e permaneceu parado.

- Olha Isabela... Eu... Sobre o retrato... - Ele disse gesticulando perdidamente enquanto encarava o chão e voltava as vezes os olhos para mim. Eu o interrompi.

- Não, Landon... - Eu disse tentando soar o mais objetiva possivel. - Você não me deve nenhuma explicação... É a sua vida e você já é grande para saber o que faz com ela... - Eu disse respirando fundo no final da frase. Vomitei aquelas palavras sem pensar no que estava falando. Percebi que havia sido meio grossa mas não estava falando mais do que a verdade. Ele permaneceu a me encarar e acenou com a cabeça de leve.

- Eu sei que não é problema seu... Eu sei... Eu só quero me explicar sobre o que voce viu e... Bem... Deixar as coisas claras... - Ele disse vagamente quase sem rumo.

- Não, Sr. Dylar . - Interrompi-o novamente voltando a formalidade de chefe, mostrando que estava pensando em meu trabalho acima de minhas emoções. - A sua vida amorosa não é problema meu, não mesmo. Agora se me der licença... - Eu disse rispidamente. Encontrei as chaves na mesa, peguei-as e abri a porta. Em um instante senti sua mão em meu braço. Meu coração saltou em meu peito. Aquela mão me relembrou o dia no corredor. O seu cheiro não havia mudado e eu lembrava de como elas eram quentes. Suspirei pesadamente fechando os olhos. Não... Não podia voltar a sentir o que já havia sentido. Era passado. Deveria fujir antes que acabasse como tivera acabado; Apaixonada.

- Isabela, por favor! - Ele disse em tom mais alto, mas ainda educado, como se implorasse por uma chance. Eu permaneci em silêncio e ele entendeu como uma brecha para que ele continuasse. - Eu e a Angelina... Nós estavamos namorando e... Não sei... Nosso relacionamento estava decaindo e eu resolvi acabar de vez com tudo... Era melhor para os dois. - Ele disse desviando os olhos as vezes.

- Então por que ainda tem uma foto dela na sua mesa? - Indaguei com as palavras que praticamente saltaram da minha boca. "Não, Isabela, não!", eu pensava, "fique quieta!". Ele encarou-me abrindo a boca as vezes pensando em uma resposta boa para dar. Mentiroso. Quase caira em seu jogo de novo. Eu sorri levemente ao perceber que ele não tinha nenhuma resposta para isso. Concenti levemente e soltei-me de seus braços, continuando a andar pelo corredor sem olhar para trás. Novamente senti sua mão em meu braço. Aquilo estava me deixando mais irritada do que imaginava. Se ambos sabiamos da verdade, por que ele não me deixava ir?

- Isabela... - Ele chamou meu nome baixinho fazendo meu coração derreter. Ele era bom... Bom nesses jogos, mas eu estava cansada de ser o peão. - Eu só...

- Quer saber, Landon?! - Eu disse com um tom de voz meio alterado, soltando-me dos dedos finos. Ele encarou-me surpresa. - Você me deve uma explicação sim! Mas não sobre isto! Por que eu não dou a mínima para quem você leva ou deixa de levar para sua cama, okay? Eu realmente não me interesso! - Ele me olhava quase boquiaberto. - Eu realmente só queria saber o por que... - Exitei por um instante mas depois voltei a encará-lo nervosa. Ele me olhava realmente surpreso esperando pela minha continuação. - O por que você sumiu da minha vida... o por que... me usou... o por que... você fez aquilo... - Minha voz saiu falhada, melancólica, e naquela altura eu já sentia meus olhos marejados e eu acho que aquilo mexeu com ele de algma maneira. Ele não respondeu, mas sabia que ele lembrava do que estava falando. Era lógico que sabia. Ele fitou-me rapidamente e voltou os olhos para o chão ainda com os lábios entre abertos, agora como se estivesse envergonhado de tal ato. Eu concenti levemente vendo que ele não iria nem se quer responder a minha pergunta. Uma lágrima despancou em minha bochecha. É... ele realmente não havia mudado. Eu me aproximei lentamente até seu ouvido. - Estou indo embora como você foi... - Susurrei com a voz rouca. Enguli mais um nó em minha garganta e prossegui. - Estamos quites... - Virei sobre meus calcanhares e segui quase correndo até o elevador. Dobrei rapidamente o corredor e apertei inumeras vezes o botão do elevador esperando que assim ele chegasse mais rápido. " Por favor... porfavor..."eu susurrava para mim entre os soluços que tentava tapar com a boca. Só queria ir para casa e esquecer de mim por um tempo. Esquecer da vida... de tudo... de Landon. Um sino fino indicou o elevador em meu andar. Me espremi aflita entre porta que se abria lentamente. Muito lento para mim. Cliquei o mais rapidamente em qualquer botão que me tirasse daquele andar e me levasse para casa, que por sorte fora o terreo. A porta se fechava e eu só esperava que ninguem a segurasse. Se fechava... Se fechava em instantes que me lebravam a eternidade. Passei as mãos sobre a face molhada tentando enxuga-la inultilmente. Apenas uma fresta... Uma fresta que foi interrompida. Mais um suspiro atônito. A porta faz o reverso do que peço. Ela começa a reabrir-se rapidamente. Agora, rápida de mais. A mão de Landon que empedia a porta que se fechar-se abaixou-se. Eu fechei os olhos com força esperando que aquilo tudo fosse apenas mais um sonho ruim...Abri-os e Landon ainda permanecia lá. Eu não contive mais um choro. Eu negava a cabeça freneticamente.

- Não, Landon... Por... - Minhas palavras foram cessadas quando encontraram as dele. Ele prendeu meu rosto entre suas mãos finas e trouxe meu rosto para o encontro do seu. Tentei resistir, mas não consegui. O passado te persegue e finalmente... te alcança. Seus lábios continuavam tão macios quanto a última vez. Lembrava de tudo. Segurei seu rosto como ele segurava o meu. Com pavor e com medo, como se segura-se no último fio que me liga a vida. Segurei e não soltei. Nem por um instante. Desci a mão para a sua nuca e colei as nossas testas.

Eu chorava baixiho e ele me deixava chorar. Mas naquele silêncio achei conforto. Ele tentava enxugar a minha bochecha enquanto sussurrava baixinho e repetidamente um " me desculpe...me desculpe", como um mantra. Eu sei que não era o bastante para me fazer esquecer do que aconteceu, mas naquela situação aquilo me confortava. Era como se tudo aquilo que neguei, tivesse em um instante voltado a tona. Sobre tudo, não apenas de Landon. Chorei por tudo aquilo que tentei esquecer, e por mais que quisesse ficar ali nos braços dele para sempre, eu não podia. Não era certo. Tanto pelo meu trabalho quanto por Angelina ou pelo passado mal resolvido. Eu precisava ir... Precisava repensar... Precisava me colocar no lugar novamente. Eu neguei levemente com a a cabeça e me afastei lentamente de seu rosto. Por mais que doesse, por mais que não quisesse.

- Preciso ir... Preciso ir... - Eu disse em som quase inaldivel. Ele compreendeu, como pela primeira vez. Ele deu um passo longo para trás e para fora do elevador. Ficamos nos encarando enquanto a porta fechava-se até vermos o nosso próprio reflexo na porta brilhante de metal. Prenssei o rosto entra as mãos e suspirei veementimente.

- Isso vai tornar as coisas mais difíceis...-



Veri.

I Can't Let Go - Cap 11 - Jantar às 7.

Entrei no elevador um tanto trêmula, talvez fora o suspense que Landon havia me causado a pouco.Apertei o botão e esperei.Agora sim me encontrava trêmula.Não por causa de Landon, é óbvio, mas por causa do jantar.Sim, o jantar.Lá estariam pessoas importantes na frente das quais eu deveria ter uma postura exemplar.Lembrei-me de que Daniel estaria lá, o que me deixou um pouco mais tranqüila.Eu possuía autoconfiança, mas não sabia se estaria agindo certo com os executivos sem alguém para me auxiliar.E nisto, Daniel era mestre.Quando percebi, já havia tocado a campainha.Pouco tempo depois à porta se abriu lentamente.
- Boa noite, srta... – a fala de Landon cessou.Ele me observava, e seu olhar percorreu meu corpo de cima em baixo, dando uma pequena parada para admirar as pernas.Talvez a saia estivesse curta demais, mas eu sabia que não era isso.Eu deveria me sentir desconfortável, mas não, pois eu também o observava de tal formar.Ele estava muito elegante, com uma camisa social branca com listras azuis.Puxa...Como ficava bem de social.Ok, talvez eu já tenha feito este comentário outras vezes.Ele estava com aquele relógio que deixava os braços e as mãos sexys e com o cabelo menos arrumado do que no escritório – Você...Está linda – disse ele após um curto tempo, com uma das mãos apoiada da maçaneta.
- Muito obrigada Sr. Dylar – disse eu voltando à realidade – O Sr...Também, está...Está ótimo – Ele sorriu – Ainda não estou dentro da sua casa para não chamá-lo de senhor – e apontei para os meus pés.
- Entre, por favor – disse ele fazendo um gesto cavalheiro com a mão.
Entrei lentamente, um pouco acanhada.Céus!Retiro o que disse quando mencionei que ele tinha mau gosto para decoração!Seu apartamento era...Lindo.O piso era madeira branca, como no escritório, as paredes eram em tons salmão, pastel e branca.Os móveis da sala eram antigos, mas com ar de modernidade.Havia uma lareira.O lugar parecia aconchegante.Na sala de jantar havia um lustre de cristais.As lâmpadas eram incandescentes embutidas no teto, como no cinema.Os sofás eram de couros pretos e a mesa de jantar era de vidro com design interno.Ele realmente tinha bom gosto – Pode deixar sua bolsa no sofá – me disse.Ao fazer isto, reparei que ele encarou meu decote que ficou por um momento a mostra.
- Onde estão os outros? – perguntei não vendo ninguém.
- Ué, achei que você havia chego mais cedo.O jantar é só às 20:30 – respondeu ele se direcionando à cozinha.Eu o segui.
- Mas...Sr Dylar...
- Sr?E o nosso trato? – perguntou.
- Ah...Landon... – como era difícil chamá-lo daquele jeito, só eu sei o quanto – mas no bilhete entregue a mim, dizia 19:30!
- Ei, calma, calma Isabela.Tudo bem...Eu não estou zangado com você – disse ele se aproximando e colocando a mão em meu ombro.
- E nem teria motivo para tal!Sr Dy...Landon! – falei nervosa – No bilhete estava escrito uma hora antes.E...você pode continuar me chamando de Srta – ele me olhou como se dissesse ‘gosta de brincar, hã?’.
- Tudo bem.Cyntia deve ter escrito a hora errada – disse num tom um tanto irônico.Ah...claro!Como eu não havia pensado nisso antes?Ele havia colocado o horário errado de propósito.Definitivamente, continuava o mesmo.Fiz-lhe um rosto zangado e virei às costas.
- Espere – disse ele pegando no meu braço – eu estava terminando o jantar, que me ajudar? – eu o encarei.Ele era realmente sedutor.Mas me enganara.Hei, como havia conseguido preparar toda aquela comida tão rápido?
- Você cozinha? – perguntei.
- Bem, sei o básico.Me ajuda a preparar a mesa? – disse num tom arrependido.Virei os olhos como se dissesse ‘tenho outra opção?’.
A mesa ficou realmente bem arrumada, havia flores em seu centro.Tudo porque eu ajudei, é claro.Acho que se dependesse unicamente dele, não ficaria tão bonito.
Após tudo pronto, sentei-me no sofá.A vista da casa dali era privilegiada.Landon dava os últimos retoques na cozinha.Meus olhos correram seu apartamento de ponta a ponta, até parar em um ponto fixo.Num pequeno porta-retrato que havia em cima do móvel à direita da onde eu estava.Nele havia uma foto conhecida.Na verdade, muito conhecida.Angelina Aniston era uma das poucas garotas com as quais eu não me dava nos tempos de colégio.Era uma garota mimada e egoísta.E pior, vivia grudada em Landon!Era de uma família muito rica, e era o tipo de garota que achava que podia pisar nas pessoas, sendo superior.Mas o que o retrato dela alguns anos mais velho estava fazendo ali?Dei uma risada baixa e irônica.E foi como se todos os meus sentimentos antigos tivessem vindo à tona.Meus olhos encheram de lágrimas, e fiz um grande esforço para que apenas uma ou duas caíssem.Infelizmente caíram todas.Enxuguei o rosto rapidamente para que Landon não percebesse nada.Eu não daria este gostinho à ele.Além disso os executivos não demorariam muito a chegar.
- Ah, onde fica o toalete? – perguntei da sala.
- Do lado esquerdo da sala, querida – ‘querida?’ pensei eu.Como ele ousava?Com retrato daquela lá em sua sala?Pensei em dizer algo que cortasse uma e qualquer intimidade entre nós.Mas me segurei e fui até o toalete.Retoquei a maquiagem que fora borrada com as lágrimas e voltei como se nada estivesse acontecido.
- Você...Gosta de vinho? – disse-me oferecendo uma taça.
- Ah, claro – falei respondendo ao seu olhar sedutor.Porque agira assim?Até hoje não sei.Eu estava realmente zangada e magoada por dentro com ele.Mas respondi.Pela primeira vez desde que nos encontramos.
- Coincidência, não?
- O que? – perguntei vendo que ele se aproximara um passo.
- Nós.
- Nós?
- Sim, termos nos encontrado justamente na mesma cidade e no mesmo local de trabalho.
- Coincidências acontecem, Landon – ele me olhou espantado ao ver-me pronunciar seu nome.Deu um sorriso e encarou meu decote.Eu não me importava que ele olhasse.Era ótimo deixá-lo com água na boca e não lhe dar depois.Ele logo se recompôs e voltou a falar num tom profissional como se conversássemos na empresa.Aquilo sim me seduzia.
- Eu prefiro chamar de destino – e deu um pequeno gole na taça.Juro, estive a milímetros de lhe gritar tudo o que estava entalado na garganta após ver o retrato de Angelina.Era realmente cafajeste.Com quantas mais será que ele tinha essa mesma postura além de mim?Seus olhos encontraram os meus, e como de algumas outras vezes esqueci o que se passava em meu coração e me concentrei neles.Seus lábios se aproximaram e me olhava diferente agora.Meus corpo não se moveu, assim como meu rosto.Sua mão encontrou minha face e nosso lábios realmente iam se tocar.Talvez existisse nele algo além de apenas atração por mim, sim, talvez...
A telefone soou alto como um gongo anunciando a chagada de alguém.Nossos corpos se afastaram rapidamente assustados.Landon correu atender.
- Alô?Ok, podem subir – Ele me olhou como se se desculpasse por algo.Eu o olhei e suspirei fundo.A um minuto atrás eu estava prestes a beijar Landon.Céus.Eu estava me deixando cair novamente.Aquilo não podia acontecer.
A campainha tocou e perguntei a Landon se eu poderia abrir já que este se encontrava ocupado.Supus que devia ter feito sim com a cabeça já que eu estava evitando olhar pra ele.Abri a porta e vi ali parados, Daniel e mais quatro executivos, incluindo o Sr. Tanehill.
- Boa Noite senhores – falei dando-lhes passagem.
- Boa noite – responderam.Menos Daniel que entrou dizendo em linguagem labial ‘Chegou mais cedo, foi?’.Respondi com uma cara zangada.Um dos executivos pensou que fora pra ele, me deixando envergonhada.Apertei as mãos de todos.Ao passear me sala em direção a sala de jantar vi no espelho que havia entre ambas que me maquiagem estava borrada novamente.Droga!Eu havia suado um pouco, enquanto estava na cozinha com Landon.Fui obrigada a ir novamente ao banheiro.De lá ouvi Landon cumprimentar os executivos.
- Boa noite senhores, é sempre prazer recebê-los em minha casa.
- O prazer é nosso Dylar – disse um deles.
- Então é aquela a jovem da qual você nos falou? – pela voz, pensei que devia ter sido o executivo mais velho, de cabelos brancos que entrou.Confesso que fui até a porta do banheiro para ouvir mais claramente.
- Tão nova.Tem certeza de que está apta a ocupar o cargo que ocupa? – acho que esta pergunta era do homem pra o qual eu fizera a cara zangada.
- Mas é claro que está – respondeu Daniel – Isabela não tem só um rostinho bonito.É competente, dedicada e tem vontade de ver a OwnBusiness crescer.
- Nisso eu concordo – falou o Sr. Tanehill.Eu sorri ao vir tais palavras.Mas, o que era que Landon havia falado de mim para os executivos?
Quando voltei todos já estavam sentados.Landon ocupava a ponta, como sempre.O único lugar vago era entre ele e Daniel.Suspirei fundo e fui.O assunto já não era mais sobre mim e sim sobre a marca de um produto que estava fazendo sucesso.Sentei-me sorrindo.Landon me olhou discretamente e piscou pra mim.Não respondi ao olhar.Cutuquei o pé de Daniel por baixou mesa e falei sussurrando ‘precisamos conversar depois’.
O jantar foi servido.Começamos a discutir assuntos de negócios.
- Se taxa realmente subir, nós podemos ter alguma vantagem na venda – Ao dizer isto, Landon a apoiou a mão esquerda sobre a minha perna.Não foi possível que percebesse.A não ser Daniel, que estava sentado ao meu lado.Olhei para Landon pedindo explicação.Este continuou a falar, como se sua mão estivesse apoiada em qualquer outro lugar – Por isso acho que temos motivos para nos preocupar em vender mais para a Ásia.Fiquei em silencio.Eu prestava atenção na face e nos movimentos de sua face enquanto falava.O cabelo estava meio despenteado jogado no rosto.Concentrei-me ele e sua mão em minha perna.
- E a srta, srta Kemper, o que acha? – perguntou o Sr. Colins, um dos executivos.Todos na mesa olhavam para mim.Até Landon assustou-se.
- Ah...So...- minha face se contraiu, pois eu pronunciaria a palavra ‘sobre?’Mas fui interrompida.
- Você acha que devemos vender nossos produtos com impostos? – perguntou Daniel.
- Eu acho que devíamos esperar até termos um controle exatos sobre os impostos, já que o valor destes pode aumentar ou diminuir.Assim, se for viável e lucrativo para nós, vendemos com um preço maior sobre os impostos.
- Brilhante srta. Kemper!Brilhante – falou o Sr. Colins.Suspirei aliviada.Todos na mesa pareciam concordar.O Sr. Tanehill me olhou e sorriu, assim como Landon.
Landon passou o jantar todo tirando e colocando as mãos sobre a minha perna se é o que querem saber.Eu poderia ter cortado isto rapidamente, mas preferi ver até onde ele ia.Felizmente ficou só na perna.Todos já se retiravam para ir embora até que pensei que não seria educado de minha parte ir embora e não ajudar com os pratos.Sim, fora apenas e-du-ca-ção.Me ofereci para ajudá-lo.Landon e eu acompanhamos todos até a porta, e Daniel me falou escondido ‘me conta tudo depois lindona’.Sorri com uma cara nervosa e lhe dei um leve empurrão colocando-o para fora da casa de Landon.Todos haviam saído.Restavam agora, eu, Landon e os pratos.


(Isa.)

I Can't Let Go - Cap. 10 - Sons dourados

- Sr. Kemper! – Gritou a Cyntia de sua mesa na frente do escritório de Landon. Entardecia e o meu expediente havia terminado, então decidi ir para casa para acabar com alguns relatórios que havia esquecido lá. Era hoje o jantar que Landon havia planejado, mas estava tão cansada que estava levando em consideração o fato de ligar dizendo que estava doente ou qualquer desculpa desse tipo e não ir. Talvez ele estivesse até esquecido! Parei perto do elevador olhando Cyntia que se levantou e foi até mim. – Desculpe, sei que estava indo embora...

- Não, não! Não tem problema. O que houve? – Eu disse colocando o meu casaco grosso, mesmo não estando tão frio lá fora. Ela ergueu um pedaço de papel para mim e eu o peguei.

- Aqui está o endereço do Sr. Dylar e a hora marcada do jantar. Ele mandou eu te entregar assim que estivesse saindo. – Eu olhei de relance aquelas letras no cartão e sorri olhando-a. Ótimo. Eu realmente pensava que ele havia esquecido do maldito jantar? Era bom de mais para ser Landon.

- Obrigada, Cyntia. – Eu disse virando sobre meus calcanhares e entrando no elevador. – Até amanhã! – Eu acenei e ela fez o mesmo enquanto a porta de aço grosso se fechava. Os números iam diminuindo na tela dos andares enquanto eu olhava para aquele cartão em minhas mãos.

Av. South Lake com Av. Dr. Munhall

Apt. Saint Victor no. 128 Queens

19:30

Ps. Te espero lá.”

Aquele post script me fez rir. Até em situações onde ele não poderia agir como meu chefe, ele agia. Parecia que ele fazia questão de mostrar a todo segundo que ele tinha uma autoridade maior que a minha. Aquilo me irritava às vezes, mas só às vezes.

Cheguei em casa e olhei par ao relógio. 18:40. Não daria tempo para me arrumar decentemente para ir nesse jantar. Suspirei pesadamente quando percebi que aquele jantar não era um encontro em mim e Landon, e que aquele jantar era sobra negócios. Negócios sérios e que minha profissão estava em jogo ali, e não aspectos da minha vida amorosa. Então me apressei em arrumar-me. Uma banho rápido e nada de frescuras para escolher a minha roupa, por que me lembrando, eram apenas negócios e não um encontro. Peguei uma blusa roxa de seda que havia ganhado de natal de minha mãe (uma das minhas favoritas por sinal), uma saia de tweed um pouco mais curta em um tom marrom escuro com detalhes roxos ( eram negócios , eu sabia, mas não estava indo para um convento também!), um sapato levemente mais claro que a minha saia e meus cabelos soltos ( algo bem diferente do que usava no escritório) . Colar, checado. Brincos, checado. Bolsa, checado. Maquiagem, checado ( e como). Relógio, 19:23. Realmente havia sido rápida. Peguei o cartão com o endereço, coloquei em minha bolsa e saí rapidamente pela porta.

Landon não morava tão distante de mim, tanto que em 10 minutos já havia chego em seu apartamento. Estacionei relativamente perto e admirei a entrada de seu edifício. Era realmente um dos mais bonitos que havia visto por aquela região. Parecia que Landon realmente estava tentando compensar alguma coisa! Chequei mais uma vez no bilhete e apertei do lado de fora, a campainha no. 128 e esperei. Não sei por que mais meu coração bateu forte enquanto esperava Landon atende-la. Por que estava me sentindo assim? O que estava acontecendo comi...

- Pronto. – Disse a voz melodiosa que saia da caixa de som ao meu lado. Meu coração rufou em meu peito. Sua voz parecia realmente mais bonita saindo do fone dourado. Lembrava-me de certa maneira a voz daqueles locutores antigos de tele novela. Comentário que guardei para mim, obviamente.

- Ahm... Boa Noite Sr. Dylar, é a Srta. Kemper aqui. Será que você poderia abrir aqui para mim? – Eu perguntei enquanto pressionava o pequeno botão que o permitia me ouvir. Por um instante fez-se silencio, e eu estranhei.

- Sim. – Ele disse secamente, algo que me fez estranhar, mas mesmo assim voltei-me a ficar erguida e esperei para que a porta se abrisse, algo que ela não fez, estranhei novamente. – Te deixo entrar com uma condição. – Ele disse suavemente, e eu podia ouvir em sua voz a satisfação de em deixar para fora. Ele achava que estávamos brincando de algum jogo por acaso? Eu suspirei levemente irritada e voltei a pressionar o pequeno botão.

- O que é agora? – Eu disse já irritada.

-Wow, Wow! Se estiver tão nervosa assim não vai entrar na minha casa! – Ele disse com uma voz divertida. Aquilo já estava em irritando.

- O que você quer, Sr. Dylar? Seja direto. – Eu disse demonstrando o quanto aquilo me desagradava. Ele suspirou e eu ouvi-lo rir levemente.

- Você só entra se prometer que aqui dentro da minha casa irá me chamar de Landon. – Ele disse com tom sádico. Aquilo de certa maneira me assustou, por que definitivamente não era algo que estava esperando, mas confesso que foi divertido. Suspirei sorrindo e voltei a pressionar o botão.

- Tudo bem Sr. Dylar. Temos um acordo.

- Ahm, Ahm! Não ouviu o que acabei de dizer? – Ele perguntou tentando, novamente, mostrar quem estava no comando. Eu não iria deixar assim. Pode acreditar.

- Ouvi sim, mas até onde eu saiba não estou dentro da sua casa ainda, ou estou? – Perguntei vitoriosa. Novamente um silencio se instalou e eu me senti triunfante. Talvez ele estivesse pensando em uma resposta a altura para dar. Um barulho fino soou e a porta se abriu.

- Bem ressaltado, Srta. Kemper. Bem ressaltado. – Ouvi-o dizer enquanto entrava pela porta se vidro com detalhes dourados. Era realmente muito bom se sentir vitoriosa diante Landon.

Veri.

Can't let go - Cap 9 - Reunião e Jantar de negócios.

As manhãs e tardes na OwnBusiness foram passando sem que eu realmente percebesse.Eu amava trabalhar no que trabalhava, apesar de cenas de indiretas com o Landon serem realmente freqüentes durante o dia, o que aumenta ainda mais o ciúme platônico das funcionárias.Eu e as funcionárias não tínhamos nenhuma e qualquer intimidade.Quando por acaso me encontrava no café com alguma delas, esta me dava um sorrisinho falso e voltava a cochichar com as outras olhando pra mim.Tudo ficava pior na presença de Landon.Mas eu não ligava.Elas eram irrelevantes no meu trabalho.Eu me preocupava em conseguir sempre mais clientes e fornecedores, e não me preocupava de ter que levar relatórios pra casa.
Com o passar das semanas eu fui descobrindo em Joey um grande amigo, além de também é claro, chefe de repartição.Ele, Daniel e Cyntia eram as pessoas com as quais eu mais tinha contato na OwnBusiness.Joey me tratava de maneira inteiramente formal, mas eu sabia que a minha amizade por ele era correspondida.Quando íamos almoçar ele chamava-me de ‘querida’ as vezes, já que no escritório ele não o fazia, não sei se por formalidade ou por vergonha.
Cheguei cedo na manhã seguinte com todos os relatórios da semana terminados.Nem Landon havia chego ainda.Reparei que uma das funcionárias também estava na repartição.Havia apenas nós duas lá.Dei um sorriso de cortesia e acomodei-me em minha mesa.Comecei a rever alguns relatórios.
- Srta Kemper? – disse uma voz as minhas costas.Era a funcionária.Virei-me – Isabela...Isabela Kemper, não é?Posso chamar de Isabela? – Não respondi e nem demonstrei expressão.Não sei o que ela realmente queria ou pretendia, mas seja lá o fosse não podia se algo bom.Ela e as coleguinhas estavam sempre cochichando atrás de mim e de Daniel.Nós nunca havíamos trocado se quer uma palavra desde a minha chegada – Linda, meu nome é Linda Kraft – e estendeu a mão.Bem...Se eu ainda me lembrava bem do meu português, se tinha uma coisa que aquela mulher não era, era linda!Estendi a mão também e a cumprimentei.
- Muito prazer srta...Kraft.- disse eu sem grande entusiasmo.
- Então...Nós somos colegas de repartição e nunca se quer conversamos, não é? – falou ela dando um breve riso – mas nunca é tarde para se fazer novas amizades – eu pensei em responder ‘querida, no seu caso nem se fosse cedo’, mas preferi deixá-la falar – Nós podíamos almoçar juntas qualquer dia – e encarou-me esperando uma resposta.
Dei um sorriso irônico, com o queixo apoiado em uma das mãos.
- Você acha? – perguntei em tom irônico(mas, acho que ela não percebeu).
- Sim, sim.Eu, você, Joey e Daniel podíamos...
- Você que dizer o Sr. Tanehill e o Sr. Skeeter...?- disse eu corrigindo-a.
- Ah...Claro.Eu, a srta, o Sr. Tanehill e o Sr. Skeeter podíamos almoçar qualquer dia.Podemos discutir assuntos da empresa...
- Srta Kraft, quando saio para um almoço, o que definitivamente não faço é discutir assuntos da empresa.Assuntos da empresa são para ser discutidos aqui.
- Claro... – respondeu ela sem graça – Mas...
- Álias, se a senhora não tem nenhum para tratar comigo neste momento, eu sugiro que me procure outra hora, porque eu não sei à senhora, mas eu tenho muito trabalho a fazer agora – girei a cadeira contra ela, mas reparei que ela permaneceu imóvel – Ah, e eu tenho certeza que o Sr, Tanehill e o Sr. Skeeter também homens muito ocupados para almoços convencioais – acrecentei.Sorri docemente para ela e me virei de novo.Desta vez ela se foi.Ah...Jamais vou esquecer a expressão dela naquele dia.Era como se alguém tivesse jogado uma grande quantidade de lama em sua face e ela tivesse engolido 80% do conteúdo.Foi uma mistura de vergonha com nervosismo.Mas não deixou de ser divertido.Eu preciva relatar o espisódio a Daniel.Olhei no relógio para checar as horas e reparei que Daniel estava atrasado, assim como Landon.Na verdade realmente atrasado, o que era estranho, porque nem ele nem Landon costumavam se atrasar.Por um momento me passou algo pela cabeça, do qual eu não gostaria de ter imaginado sobre os dois.
- Srta Kemper!Srta Kemper! – chamou Cyntia da porta – Oh!Céus, a srta me desculpe!Eu me esqueci de avisar que o Sr. Dylar convocou uma reunião as pressas ontem.Eu realmente me esqueci de avisar a srta.Perdoe-me!
- Oh...Claro Cyntia.Mas quando é a reunião?
- Começou a 5 min.
- Oh meu Deus!Então, é melhor eu me apressar, não? – Cyntia confirmou desorientada com a cabeça e me encaminhou para a sala de reuniões.Todos já estavam lá.Landon estava sentado na ponta da mesa e desta vez ele usava terno e gravata.Eu devo confessar que...Ele estava realmente sexy!Céus...Eu nunca tinha o visto tão elegante!O terno era azul escuro, quase preto, e envolvida em seu pescoço havia uma gravata azul-pratiada.Como ele ficava bem de azul.Mas a questão agora era que todos os executivos da empresa estavam olhando para mim e Cyntia de um modo não muito legal.Entrei corando e me sentei na única poltrona que havia vazia.
- Com licença, senhores – disse Cyntia quebrando o silêncio e fechando a porta.Respirei fundo, mas foi inevitável.Todos os olhares se concentravam em mim.Inclusive o de Landon.Daniel estava ao meu lado e sussurrou em tom quase inaudível ‘o que houve?’.
- Bom dia srta Kemper – Falou Landon com as duas mãos unidas apoiadas na mesa.
- Bom dia Sr. Dylar – respondi ofegante - O senhor me desculpe, mas é que eu...
- A srta não me deve satisfações, srta Kemper.Bem, senhores como eu dia dizendo a taxa de impostos sobre os produtos europeus tem se elevado devido... – continuou Landon desviando a atenção dos executivos para a reunião.Daniel me olhou pelo canto dos olhos e sorriu.
A reunião foi muito proveitosa.Discutimos sobre vários assuntos da empresa, e eu me senti importante de ter sido convocada para aquela reunião.Se Landon havia me convocado, era porque estava apreciando meu trabalho.Meu cargo era importante, mas eu não sabia que eu participaria de reuniões como aquela.
- Bem senhores, por hoje é só – falou Landon arrumando uns papéis em cima da mesa.Enquanto os executivos se levantavam para se retirar contei a Daniel o motivo de meu atraso e o que acontecera entre eu e Linda na repartição.Daniel e eu rimos.Enquanto me retirava da sala senti uma mão puxar meu braço – Será que podemos conversar um instante? – Era Landon.Puxou meu braço como naquele dia.Ele não mudava mesmo – No meu escritório.
- Não pode ser aqui mesmo? – perguntei.
- É importante – fomos até a sala dele – fique a vontade – ele falou de modo cortes.
- Com licença Sr. Dylar, aqui estão os relatórios que o Sr...Ah!Me desculpem!Eu volto mais tarde – Falou Cyntia segurando uns papéis e fechando a porta.
- Não, não Cyntia! – falou Landon – pode entrar, você conhece a srta Kemper, não precisa de tantas formalidades – Cyntia deixou os relatórios em cima da mesa de Landon e saiu envergonhada.Achei nobre da parte dele.Antes de Cyntia sair ele me ofereceu café e água.
- Não, obrigada.O senhor poderia ser breve? – falei.
- Claro...Srta Kemper.Já que a srta faz questão que exista tantas formalidades entre nós...
- O senhor é meu chefe, Sr. Dylar.É óbvio que deve haver formalidades – respondi secamente.
- Até na minha sala? – perguntou sorrindo maldosamente.Reparei que ao dizer isso, encarou meu decote.
- Principalmente na sua sala senhor – falei me sentindo desconfortável.
- Ok....Como quiser.Mas quero que saiba que para mim não sou apenas seu chefe – Assustei-me ao ouvir aquilo.
- E o que mais o senhor seria? – perguntei encarando-o.
- Um amigo.Um amigo de infância – e se acomodou na poltrona de couro me olhando de cima em baixo com a cabeça apoiada em uma das mãos.
- Amigo de infância? – perguntei nervosa – Sr. Dylar, por favor vá direto ao assunto.
- Ah...Claro.Bem...Há algum tempo venho reparando sua competência na OwnBusiness.Extremamente dedicada e tem conseguido novos clientes, isso é muito importante – Ao ouvi-lo falar daquele jeito tive vontade de largar tudo o que pensava e me atirar naquela poltrona para beijá-lo loucamente – srta Kemper?Está me ouvindo?
- Claro – respondi confusa.
- Então resolvi convidá-la para um jantar de negócios que vou fazer em minha casa na semana que vem.Gostaria muito que comparecesse.Não é nada muito formal, é apenas para discutir assuntos empresariais.E então?Posso contar com a sua presença? – processei por um instante o que ele havia dito.Aquilo era ótimo, eu ia conhecer gente nova, fazer contatos...
- Mas é claro Sr. Dylar, pode contar – dei um sorriso educado e me retirei.Pelo reflexo do vidro vi Landon olhando com um olhar maldoso para as minha pernas.Era tentador vê-lo me olhar daquele jeito.Mas não.Eu ainda não havia esquecido toda a magua.
Cheguei na repartição e contei com entusiasmo a Daniel.Linda me encarava de seu cubículo com uma cara emburrada.Daniel me disse que também havia sido convidado para o jantar e ficou feliz de podermos ir juntos.Sentei em minha poltrona e me senti mais poderosa do que antes.A OwnBusiness prometia-me uma grande carreira.


Isa.

I Can't Let Go - Cap. 8 - Mais do que indiretas

Não tinha feito realmente nada de importante ontem. Eu apenas havia arrumado a minha mesa ao final do dia (o que me fez sentir meio mal em relação ao meu trabalho novo). Mas podemos dizer que ontem havia sido interessante em outros quesitos. Daniel havia me ensinado toda a hierarquia da minha repartição. Coisas como com quem falar, com que não falar, para quem se gabar, para quem enviar os relatórios que você fica cansada de fazer ( o que achei meio maldoso, mas enfim), coisas típicas de um escritório. Não pude deixar de rir ao ouvi-lo acrescentar aos comentários algo como “ Está vendo o cara de gravata púrpura logo ali? Então... Nem pense amiga que aquele aí já tem dono!” ou “ Sabe a mulher com o terninho preto? Sim...aquela mostrando as pernas ... então... é a maior saia do guarda roupa dela, e acredite porque eu reparo!”. Era tanta malícia que era rir para não chorar (ou se intimidar), mas Daniel era realmente muito engraçado. Sabia que ele seria uma das poucas pessoas com quem teria uma boa amizade. Todos naquele escritório pareciam tão fissurados e prontos a lhe passar uma rasteira assim que possível e tomar o seu cargo. Algo que em deixava meio intimidada, admito. (principalmente por que o meu cargo não era lá um dos piores). Mas sabia que eu seu estava lá era por que merecia e ninguém iria desvalorizar o meu trabalho.

Cheguei cedo no meu segundo dia. Joey me disse que queria me explicar exatamente qual seria a minha função na repartição. Eu era a encarregada de manter as relações com as empresas internacionais e com as questões de importação dos produtos. OwnBusiness era uma grande empresa americana que lidava com as importações e transportes de produtos estrangeiros e eu estava em um cargo realmente muito importante. Um errinho meu e os Estados Unidos ficariam sem suco uva francês para sempre , por exemplo. Mas não me preocupava, eu sabia que era boa lidando com pessoas.

Depois da minha conversa com Joey, sentei na minha mesa e ele me passou alguns relatórios das empresas que iria trabalhar e pediu para que eu desse uma pesquisada sobre os produtos em geral, para saber com que estava lidando, então enfiei a cara nos relatórios e comecei a lê-los. Eram páginas e páginas e eu ficava perdida com tantos nomes. Faziam, praticamente, umas 3 horas e meia que estava lendo e a minha cabeça realmente estava girando.

-Está tudo bem aí, colega? – Disse Daniel, sentado no cubículo da frente, ao me ver debruçando naquela pilha de papéis. – Isabela? – Insistiu ele ao perceber que não havia escutado.

- Oi? Está falando comigo? – Disse levantando assustada, olhando para os lados. Daniel começou a rir.

- Sério... Você precisa de um intervalo. Vamos almoçar! Eu estou indo agora. Quer me acompanhar? – Perguntou enquanto se levantava da cadeira e colocava o seu casaco negro. Eu o encarei por um instante tentando processar o que ele havia dito. Estava ficando lenta já.

- Ah, não. Tudo bem. É melhor eu acabar de ler isso de uma vez, por que se eu parar agora é provável que eu não volte mais! – Ambos rimos.- Então eu vou deixar essa para amanha , Dane. Mas obrigado mesmo assim!

- Não há de que! Não quer que eu te traga alguma coisa...- Eu neguei com a cabeça. – Nada?

- Estou bem, muito obrigada. Mesmo! Bom almoço! – Eu acenei de leve enquanto ele andava. Suspirei pesadamente ao perceber que devia voltar a ler aqueles relatórios das empresas.

Acabei descobrindo uma maneira mais fácil depois. Comecei a anotar todos os dados importantes em um bloco a parte então sempre que quisesse teria as informações mais rapidamente. Aquilo realmente me deixou orgulhosa de mim mesma. Então agora eu estava lendo como louca e escrevendo como louca! Talvez eu levasse um pouco daqueles relatórios para casa, iria facilitar muito.

De repente percebi que o escritório havia ficado mudo. Mais silencioso que o normal. Só depois de muito tempo que fui perceber isso, antes só sentia que tinha alguma coisa me incomodando. Mas não me dei ao luxo de olhar. Tinha coisas mais importantes para fazer. Minha cabeça doía e meu estomago realmente estava se revirando dentro de mim. Eu estava realmente com fome ou ele estava se auto-destruindo. Achei melhor ficar com a primeira opção. Mais tarde faria uma pausa de dez minutos para jogar alguma comida para dentro e voltar a trabalhar.

- Gosta de comida chinesa? – Disse uma voz familiar atrás de mim. Familiar até de mais. Virei-me e encarei Landon. Ele estava sentado na mesa atrás de mim segurando nas mãos um pequeno Box de Yakisoba. Parecia que ele tinha uma grande facilidade com os hachis julgando a rapidez com que comia. Foi então que entendi por que o escritório havia ficado tão silencioso. E fazia tempo que estava naquele incomodo, talvez ele estivesse lá a mais tempo do que eu realmente achava. Percebi que a presença de Landon realmente intimidava as funcionárias, algo que achei estranho por que ele era o chefe, não um torturador maléfico ou um pervertido depravado (assim esperava pelo menos!).

-Ahm... Há quanto tempo está aqui me observando? – Eu perguntei delicadamente girando na cadeira, ficando de frente para ele, enquanto mexia freneticamente no lápis no. 2 que segurava entre os dedos. Ele misturou o Box com o par de palitos que segurava e levantou os olhos para mim e para os relatórios sobre a mesa.

- O suficiente... – Ele disse vagamente. Eu retirei meus óculos e coloquei sobre a mesa. Afastei algumas mechas de meu cabelo e o encarei.

- O suficiente para que? – Indaguei. Ele sorriu levemente, provavelmente por não ter uma resposta de cara para a minha questão.

- O suficiente para perceber que está sendo uma funcionária exemplar... – Ele disse a frase meio no ar. - Falando nisso, que relatórios são esses? – Ele disse inclinando-se para o lado tentando desviar do meu corpo e olhar para a pilha de papéis sobre a minha mesa, tentando mudar de assunto. Eu girei a cadeira de volta para frente da minha escrivaninha e reabri os relatórios.

- São alguns dados das empresas que tenho que entender. Preciso ter isso decorado no máximo até segunda! Então, como você vê tenho muito trabalho a fazer... – Disse reticente debruçando sobre a mesa e começando um novo capítulo da “FarmFresh e Laticínios”, esperando realmente que Landon voltasse a sua sala e voltasse aos seus afazeres, coisa que percebi que ele não fez. Paramos de falar por um tempo. Eu lendo o novo capítulo (ou pelo menos fingindo) enquanto ele insistia em comer bem no meu ouvido, algo que já estava me irritando.

- Não quer ir comer alguma coisa comigo?- Ele disse interrompendo a nossa breve pausa de silencio. – Nós podemos sair, não sei. - Eu apenas o encarei de rabo de olho por alguns instantes e voltei a ler.

- Mas você já não está comendo? – Perguntei ironicamente ouvindo-o rir. Não pude evitar de rir também (sem ele perceber é claro).

- Sim, mas percebi que você não comeu nada, então estou lhe dando uma chance única de se alimentar propriamente. – Disse ele levantando-se da mesa trás de mim e vindo sentar na beirada da minha. Eu não levantei a cabeça, apenas olhei para o lado podendo sentir perfeitamente a presença do seu corpo perto do meu. Ele apoiava as mãos sobre os meus outros relatórios, provavelmente só para me irritar. Como ele conseguia ser tão metido? E como ele conseguia fazer isso ficar extremamente sexy? Céus... Suas pernas estavam quase na altura do meu rosto e eu conseguia ver perfeitamente o seu... – E então? – Ele disse me assustando. Desviei o olhar rápido da sua perna e corei furiosamente. Eu estava tendo pensamentos sujos sobre o meu chefe! Isso com toda certeza não estava certo. Eu levantei assustada e peguei meus óculos ao seu lado e meti atrapalhada sobre minha face.

- Não, não. Eu vou lá embaixo ao refeitório rapidamente e como qualquer coisa. - Disse secamente tentando parecer o menos afetada possível e manter a pose. Mas acho que ele percebeu e desfarçou - Muito obrigado mesmo assim. Até mais Sr. Dylar.

- Até mais Srta. Kemper. – Ele sorriu levemente. Eu desviei de suas pernas que ocupavam grande parte do cubículo e sai rapidamente, tentando me passar de durona. Virei o corredor e encostei na parede com as costas. Passei as mãos no rosto nervosamente. Mas que vexame!

Veri.

I Can't Let go. - Capítulo 7 - Primeiro dia.

O despertador tocou ao som de ‘Same Mistake’, de James Blunt. Abri os olhos delicadamente, pois antes de abri-los já sabia que dia seria aquele. O primeiro de muitos (pelo menos era o que eu esperava) na OwnBusiness. Por isso, como uma das poucas vezes na minha vida eu já havia despertado antes do despertador tocar. Como uma boa supersticiosa que era levantei com o pé direito. Como fazia falta um velho bauzinho que eu tinha, daqueles que você compra nessas lojas de mágicas abandonadas, mas que parecem que fazem milagres quando o assunto é prever alguma coisa. Suas citações sempre fizeram sentido. Mas eu o acabei perdendo em uma das minhas mudanças malucas e desorganizadas. A bacia de purê ainda permanecia com algum conteúdo no criado ao lado da cama, o que fez com que aquele fizesse parte do meu café da manhã.
A maquiagem estava perfeita, nem fraca demais, nem acentuada demais. Eu deveria arrasar hoje. Landon, definitivamente, precisava notar o quanto eu não era mais aquela garotinha que levava tombos quando ele olhava pra mim com aquele sorriso de canto boca... E que convenhamos... Que sorriso! Não, Isabela, não! Landon Dylar não te atraía mais.
A vida agitada de NY era convidativa e no prédio da OwnBusiness parecia que as pessoas estavam cada vez mais apressadas, principalmente no Hall principal. Logo eu seria uma delas.
- Bom dia, senhorita Kemper! – falou Cyntia.
- Bom dia, Cyntia.
- Ah, você precisa assinar estes papéis. – disse ela me entregando duas folhas – São nestes dois lugares. Não é nada muito importante. É apenas um controle das pessoas que estiveram aqui fazendo a entrevista.
- Sem problemas! – respondi assinando – Ah...Cyntia, você sabe onde fica o meu local de trabalho? É que eu acabei de chegar e...
- Ah, claro, claro! Por favor, me acompanhe – Cyntia me levou em direção a uma ala do andar que eu não havia reparado que existia. Era ao leste da sala de Landon, o que indicava que trabalharia próxima a ele. O lugar era espaçoso com varia mesas e poltronas, todas acompanhadas de computadores. Não deixava de ter um certo luxo. A janelas possuíam vidro espelhado, o que nos dava uma boa visão da cidade. Havia um pequeno lugar ao fundo reservado ao café com alguns biscoitos. Os funcionários olharam curiosos quando entramos.
– Bem senhorita, esta é a sua repartição. Esta é a sua mesa! – Que sorte! Pensei eu. Bem do lado da janela! Dali eu teria uma vista privilegiada da cidade... E... Da mesa de Landon?! Ah, não...! Na mesa onde eu me encontrava conseguia ver perfeitamente sua poltrona através do vidro de sua sala. Por que ele não colocara uma cortina? Homens! Não entendem nada, mesmo, de decoração – Bem, se precisar de mim, é só chamar! – e ao dizer isso Cyntia colocou disfarçadamente a mão do canto da boca e disse baixinho - E aproveite, pois muitos queriam ocupar esta poltrona! – e piscou de leve, saindo como se não tivesse dito nada com seus saltinhos fazendo barulho no chão.
Sentei-me e comecei a me organizar na minha nova mesa de madeira branca. Ao fazer, reparei que havia um homem na mesa ao lado olhando pra mim. Sim, as mulheres percebem quando são observadas. Ele sorria. Bem... Se não estivesse usando um sapato numero 37 de couro preto aveludado diria que estava interessado em mim. Retribuí o sorriso. Desviei meu olhar para frente por distração e reparei que Landon não estava mais em sua poltrona.
- Seja bem-vinda... – disse uma voz ao meu lado. Assustei-me quase imperceptivelmente ao ver quem era. Ele.Landon. – ...Senhorita Kemper! – falou ele, mais uma vez, dando ênfase a essas palavras. As funcionárias que faziam parte da repartição olharam com um certo olhar curioso, como se Landon e eu fossemos alienígenas. Percebi que pararam o que estavam fazendo.
- Muito obrigada, senhor Dylar. – disse eu retribuindo com um sorriso forçado – O senhor soube rápido da minha chegada. Veio conferir se eu viria mesmo? – Ele riu brevemente. Estava usando uma camisa social azul. Não havia gravata ou palitó, deixando um pequeno pedaço de seu peito a mostra. O relógio grosso no pulso realçava as mãos grandes e sexies que ele possuía.
- Não, não, vim apenas dar boas vindas a minha mais nova funcionária.
- Ora...O senhor não precisava ter se dado ao trabalho... Sua telefonista foi realmente gentil comigo – disse-lhe respondendo no mesmo tom.
- Não tenho dúvidas disso. Quero que sabia que se caso a senhorita precisar de algo, digo... Como informações, por exemplo – O que ele pensava? Que eu era burra? Na época de colégio que tinha notas baixas era ele, não eu! – não hesite em me procurar – as funcionárias se entreolharam e cochicharam algo. Landon olhou para trás intimidando-as.
- Não vou precisar – disse-lhe sorrindo – Mas, em todo caso, obrigada senhor Dylar.
- Espero que obtenha o que veio buscar aqui. – disse com um tom carinhoso. Ok, eu devo admitir, ele sabia como seduzir uma mulher. Uma mulher tonta e fácil é claro.
- Eu também – ele de despediu sorrindo e caminhou em direção a sua sala. Reparei que a mesa do senhor Joey Tanehill ficava bem em frente a minha. Eu havia me esquecido que ele era meu chefe de repartição, mas ele não se encontrava ali quando eu cheguei. Sorriu por trás dos óculos quando viu que eu o observava. As funcionárias ainda me olhavam. Retribuí o olhar para que parassem.
- Não ligue pra elas – disse meu companheiro da mesa ao lado, que a pouco me olhara também – Elas ficam assim quando o senhor Dylar aparece por aqui. É quase um amor platônico. – falou ele arrancando de mim uma risada baixa.
- Ah... É só que elas não param de me olhar!
- Prazer, Daniel, Daniel Skeeter – disse ele estendendo a mão.
- Isabela Kemper. Você... É brasileiro? – perguntei devido ao sotaque do nome.
- Ah, sim, mas vim pra cá ainda criança. Meus pais são americanos – disse ele.
- Que coincidência encontrar um brasileiro bem na minha repartição! – disse eu sorrindo. Ele sorriu também.
- O Lan... Digo... O senhor Dylar nunca aparece por aqui?
- Nunca, só quando é realmente necessário. Ele fica na sala dele praticamente o dia todo. Só sai quando tem reuniões, mas eu realmente simpatizo com ele. Ele trata bem a todos aqui. E é um tipão! – disse arrancando-me mais uma risada. E foi assim que conheci Daniel, meu querido amigo gay. As palavras dele em relação a Landon não me surpreenderam. Ele sempre foi reservado em tudo. Principalmente com as garotas do colégio que gostavam dele. Ele fazia charme para todas elas e no fim nunca ficava com nenhuma, até que um dia... Chega! Não quereria mais lembrar. Parei de pensar naquilo e me concentrei no meu novo trabalho. O dia foi puxado, mas eu amava o que estava fazendo. No fim do dia não encontrei Landon, o que foi ótimo, pois ele passara a tarde toda me observando de sua sala e, quando nossos olhares se encontravam, ele dava aquele sorriso de canto de boca, me deixando furiosa. Cheguei em casa exausta. Caí na cama e dormir.


(Isa.)

I Can't Let Go. - Capítulo 6 - [ Pré ] Pós- Depressão

Por que justamente quando estamos em um ócio quase mortal e sentamos na frente da televisão parece que todos os programas bons desaparecem? Pois é, estava desmantelada na frente da teve desde cedo e já havia perdido a noção de quanto tempo estava ali debaixo das cobertas. Percebi que o meu prato de purê de batata havia se esvaziado outra vez. Se eu não estivesse em um estado totalmente depressivo, deixaria o purê para lá e ficaria lá, imóvel. Mas situações drásticas requerem medidas drásticas, ou seja, mais purê de batata. Então levantei-me tão devagar e tão preguiçosamente que parecia até que estava em câmera lenta, arrastando minhas pantufas até a cozinha. Por mais estranho e bizarro que isso pareça, purê sempre foi meu ante depressivo desde...sempre. Quanto estava triste, ao invés de sentar chorar rios de lágrimas vendo um filme ultra romântico com um pote de sorvete de creme entre as pernas (que é meio tonto, convenhamos), eu pegava um prato de purê com bastante ketchup, sentava e chorar rios de lágrimas vendo um filme ultra romântico (que além de ser meio tonto, é um tanto nojento). Peguei um pouco daquela pasta amarelada no fogão e fui até a geladeira pegar outro frasco de ketchup. Fechei a porta com os pés e voltei a minha posição original, quentinha e depressiva debaixo das cobertas.

Zapiava os canais sem se que prestar qualquer atenção nos programas. Estava praticamente em um estado hipnótico. Nem se quer assustei quando o barulho estridente do telefone fez-se ecoar pela sala. Deixei que tocasse. Nem que Deus viesse a terra e me pedisse para levantar eu levantaria. Estava totalmente fora de cogitação.

“Você ligou para Isabela Kemper. No momento não posso atender, por favor, deixe seu recado que assim que possível retornarei a ligação. Obrigada!”

-Bip-

“Filha? Aqui é a mamãe! Por que não ligou? Estou preocupada. Ligue assim que chegar. Beijos. Te amo!”

-Bip-

Suspirei pesadamente e coloquei outra porção generosa de purê em minha boca. Havia me esquecido completamente de ligar para minha mãe. Tadinha. Talvez estivesse realmente preocupada. Ligaria mais tarde, mas não agora. Peguei novamente o controle e continuei a passar os canais. De novo o telefone tocou. Céus! As pessoas não tiram férias desse bendito telefone? Estava prestes a tira-lo do gancho, por que aquilo estava realmente impossível. A secretária disparou e eu continuei ouvindo.

“... retornarei a ligação. Obrigada!”

-Bip-

“Anda... Atende... Eu sei que está aí...”.

Meu coração saltou quando reconheci a voz. Rolei os olhos e encarei a secretária eletrônica como se encarasse nos próprios olhos de Landon.

“Okay, talvez não esteja realmente aí. Bem Isa... digo... Senhorita. Kemper... Não queria te apressar nem nada do gênero, mas realmente preciso da sua resposta sobre o emprego. Não leve isso para o lado pessoal nem nada do gênero, e não pense que estou me gabando. É só que, eu sei que a minha empresa é boa. Eu sei que essa oportunidade de emprego é, também, muito boa, e sei que você o quer. E eu, pessoalmente...” Ele disse abaixando a voz “..gostaria muito que você se juntasse a nossa empresa, porque acho que você tem um futuro aqui. Não gostaria de desperdiçar uma funcionária tão boa quanto você parece ser para outras empresas que eu sei que você não brilharia tanto quanto aqui... Então... Reconsidere a oferta e pense sobre isso. Pense com carinho. Esperarei sua ligação. Até breve”.

-Bip-

-BABACA! – Eu gritei pegando a primeira coisa que vi e tacando em direção a secretária eletrônica, como se aquilo de alguma maneira o machucasse. O objeto se estilhaçou contra a parede branca causando um estardalhaço. Gemi de desgosto ao perceber que havia tacado o vidro do meu melhor Ketchup contra a parede da sala. Definitivamente nada bom.

Grunhi e deitei a minha cabeça no braço do sofá. Peguei a almofada e apertei contra o meu rosto. Aquilo não poderia estar acontecendo. Por mais que eu achasse fútil e superficial todas aquelas coisas que acabara de ouvir na secretária, por mais que quisesse abafar a voz de Landon de minha mente, não conseguia, por que por mais que odiasse aquilo tudo, sabia que ele estava certo. O emprego era realmente muito bom, a oportunidade, a empresa e tudo mais (e, convenhamos que, o salário também não era ruim). Não sei se estava disposta a jogar tudo aquilo no lixo por causa de um romance bobo de colegial.

Então dei-me conta do quanto idiota estava sendo.

Jogar aquela a minha vida pela janela por não gostar do meu chefe? Onde eu estava com a cabeça? A maioria das pessoas do mundo tem problemas com os chefes! Eu não seria a primeira nem a última. Quanta infantilidade.

Levantei-me depressa e alcancei o telefone. Encontrei o numero da secretária de Landon dentro de minha agenda telefônica. Disquei rápido o numero e coloquei o telefone sobre meu ombro enquanto esperava.

-Escritório de Landon Dylar, Cyntia falando.

- Oi, Olá Cyntia! Aqui quem fala é a Isabela Kemper. De ontem... se lembra? A louca que saiu correndo sem assinar os papéis!

- Ah! Oh, sim! Lembro sim! E falando nisso você ainda tem que assinar aqueles papéis... Política da empresa!

-Ah, sim. Sem problemas. Então, será que a senhora poderia dar um recado para o senhor Dylar por mim?

- Não quer que eu transfira a ligação? Ele me pediu para que quando você ligasse, eu passase o telefone para ele! - Eu ri diante de tanta prepotência de sua parte. Como tinha tanta certeza que eu iria ligar?

-Não, não. Está tudo bem. Pode anotar?

- Claro. Fale.

-Diga ao senhor Dylar que aceito a proposta de emprego e que começarei amanhã de manhã. – Após alguns segundos a secretária respondeu.

- Anotado, senhorita. Mais alguma coisa? – Eu refleti um instante.

- Ah! Sim! Crescente como um post script. Diga que eu não reflito as coisas com ‘carinho’. Eu faço o que acho certo. - Ela permaneceu em silêncio e eu sabia que ela não estava notando.

- Erm... Okay... Anotarei.

- Obrigada, Cyntia. Até amanha.

- Até, senhorita Kemper.

Desliguei. Amanha prometia mais do que eu poderia imaginar.

(Veri.)

I Can't let go - Capítulo 5 - OwnBusiness

O dia amanhecera frio. Realmente frio. Peguei o meu melhor casaco e me arrumei para a nova entrevista. Um coque bem feito sempre caía bem, sempre. E modéstia à parte, eu ficava muito bem de coque. Estava ansiosa, confesso, mas confiante. O que daria errado? Meu currículo era ótimo e eu tinha tudo pra ser contratada. A menos, é claro, que o ‘Chefe’ não fosse com a minha cara. Olhei-me no espelho e pensei ‘hoje começa uma vida nova pra você’, e assim fui.
O prédio comercial era realmente bonito e sofisticado. Havia várias empresas comerciais instaladas ali, mas devo admitir que o andar onde se encontrava a OwnBusiness era o mais atraente. Era empolgante a idéia de trabalhar lá. Todos usavam roupas chiques e sociais e pareciam muito cultos e bem informados. A telefonista loira e simpática me concedeu que entrasse na sala do ‘Chefe’. Entrei devagar, pois meu salto estava fazendo um certo barulho no piso de madeira banca. A poltrona onde ele se encontrava estava virada de costas para mim.
- Bom dia, senhorita Kemper – disse uma voz masculina e rude por traz da poltrona. A porta foi fechada e me sentei.
- Ah...Bom dia, senhor... Desculpe-me, receio que não me informaram seu nome... – disse eu quase gaguejando.
- Isso, definitivamente, não é necessário. Seu currículo? – disse ele solicitando que lhe desse o pedido.
- Ah...Claro - Coloquei-o em cima da mesa e empurrei para que pudesse pegar com mais facilidade.Sua poltrona de couro azul marinho continuou virada.Pensei em perguntar se não iria virar, mas achei ofensivo e deselegante. Tão deselegante quanto ele ficar de costas para mim. Havia algo naquela voz, algo familiar. Eu estava em NY. Talvez fosse comum ouvir vozes familiares com toda aquela gente. Ele pegou o currículo e ao fazer expôs uma manga semidobrada que mostrava que ele usava uma camisa social branca. A mão era jovem, o que mostrava que ele não podia ser muito mais velho que eu. Aquilo, de certa forma, me confortou.
- Bem, como o senhor pode ver, me formei em Yale e morei 2 anos em Liverpool...
- Senhorita Kemper, responda apenas o que lhe for perguntado – disse de maneira grosseira e arrogante. Não respondi. Senti uma ponta de humilhação e um desânimo em relação ao emprego. Havia uma fila de mais ou menos 7 pessoas lá fora que também haviam sido convocadas para a segunda entrevista e ele podia perfeitamente não me contratar. Os outros podiam ser tão capazes e competentes quanto eu.
- Impressionante, impressionante... – disse de maneira mais cortês. Ele continuava de costas. O que ele pretendia? Já tinha vtisto entrevistadores serem grossos, mas até hoje não chegou ao meu conhecimento nenhum que tenha feito uma entrevista de costas para o entrevistado. Continuei quieta, se quer agradeci. Criou-se um clima desconfortável, pois ele também permanecia quieto.
- Está contratada – disse. Meus olhos arregalaram.
- C-como, senhor?
- Está contratada. Comece amanhã – Fiquei absorvendo suas últimas palavras uns instantes. Ele havia dito ‘contratada’, sim!
- M-mas (tentei não gaguejar, mas infelizmente não foi possível) o senhor...O senhor não vai nem ouvir o que os outros lá fora têm a lhe dizer? – as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse controlar o que ia dizer.
- O chefe aqui sou eu, não sou? Eu decido quem vai ser contratado – eu havia chego a uma conclusão: aquele homem era louco. Louco e imprevisível.
- E eu decido que você é a contratada, Isabela. – A poltrona virou. Meu corpo congelou ao ver quem era o entrevistador. Era a mesma face, os mesmos olhos e a mesma expressão só que 10 anos mais velho. Landon Dylar. O mesmo canalha de sempre. Ele me olhava com o mesmo sorriso de canto de boca. Entrei em choquei e disse palavras sem sentido algum, como naquele dia. Senti-me a adolescente de antes.
- Você...! – foi tudo o que consegui dizer. Como era possível? Era coincidência demais! Eu estava enxergando bem?! Apesar da miopia aquele rosto jamais em enganaria.
- É bom vê-la outra vez – disse ele calmamente. Ele continuava calmo, mas acontece que, eu não era mais aquela adolescente boba de antes. Não. Eu era uma adulta. Era outra. Muito, muito diferente da que ele havia conhecido. Não era? Claro, que era. Eu mudei muito desde aquele dia no corredor dos bebedouros em NorthHight. Uma sensação de raiva e rancor me dominou.
- Claro Sr.Dylar – disse eu me esforçando para não parecer irônica. Ele sorriu. Agora tinha rugas de expressão que não se formavam naquela época.
- Vejo que lembra do meu nome... – expressão tornou-se de nojo – Nada mal para um começo. Você mudou tanto... Está uma mulher... E céus! Como está boni...
- Sim. Mudei. Afinal foram dez anos, não? – minha voz estava um tanto alterada. Eu já estava de pé. Só queria me levantar e sair.
- Sim... E o que dez anos não fazem não é? Mas devo confessar, sua face é a mesma das lembranças que tenho dos tempos de colégio – ele deu uma breve risada. E ele tinha lembranças? De que? De como me induziu a beijá-lo? – Bem agora vou poder ver a nova Isabela todas os dias.
- Eu ainda não disse que aceitei o emprego – Minha face permanecia neutra. Ela não relatava expressões de tristeza nem felicidade, mas a dele havia mudado agora.
- Não?! Ora...
- Eu realmente preciso ir Sr. Dylar. Meu currículo? – estendi a mão.
- Mas Isabela, me diga ante se...
- Kemper, senhorita Kemper, senhor - ele pareceu surpreso.
- Se vai trabalhar aqui ou não, senhorita Kemper – falou dando ênfase nas últimas palavras.
- Entrarei em contato.
- Nesse caso creio que o currículo possa permanecer aqui – Ele queria jogar. E sabia. Muito bem na verdade.
- Então até logo, senhor Dylar – achei melhor encerrar ali. Ele era, definitivamente, atraente. E charmoso. E cafajeste! Sim, cafajeste! Não podia me esquecer de tudo. Nunca. Dei um leve sorriso forçado e não retribuí o aperto de mão oferecido. Dei as costas com a bolsa enganchada no braço e saí ofegante.
- Senhorita Kemper! Senhorita Kemper! – era a voz da telefonista – A senhorita precisa assinar um papel! Senhorita Kemper! – passei reto e fingi não ouvir. Eu não podia parar, e não queria parar. Estava andando tão rápido que quase corri. Ó céus! E agora? Eu realmente precisava do emprego. Era uma grande oportunidade para a minha carreira. Mas com ele lá... Justo com ELE? Como a vida era injusta! Havia lágrimas nos meus olhos, o que só fui perceber quando estas caíram molhando meu mero decote. Eu só queria ir pra casa, e chorar mais. Precisaria refletir antes de começar.

(Isa.)

I Can't Let Go. - Capítulo 4 - De novo?!

Aquelas caixas de papelão pareciam mais leves do que realmente eram. Tirei a última caixa de meu carro e coloquei-a no hall de minha casa nova. Olhei para a sala vazia e dei-me por satisfeita , em partes, porque sabia que agora cabia a mim (e somente a mim) a descarregar e arrumar todas as minhas coisas nos lugares devidos. Mas antes, um remédio para alergia. Sabia que muito daquelas tralhas que estavam lá a mais tempo do que deveriam, sufocadas de pó e ácaros (coisa que realmente não era bom para a minha rinite). Então tomei o remédio (junto com um pouco de coragem) e comecei a abrir todas aquelas trocentas caixas coladas com fita adesiva.

Comecei pelas tralhas de cozinha, porque sabia que eram aquelas que, provavelmente, teriam sofrido mais dano durante o percurso da mudança. Xícaras e pratos no lugar, então passei a arrumar as coisas da sala, em geral aqueles presentes e estatuetas pequenas que você ganha de seus familiares no natal e realmente não sabe onde colocar. Bem... Eu arrumei um lugar bem isolado no canto da lareira. Já era um começo. Cozinha e sala feita, então passei para as coisas do meu quarto. As roupas já estavam no armário, juntamente com os meus sapatos e todas aquelas parafernálias que se coloca no criado mudo ao lado da cama.

Olhei para o hall e percebi que haviam mais umas dez caixas que sabia que eram coisas de banheiro e afins, mas havia uma em especial, que não estava me recordando da onde era. Já estava meio velha e manchada e a fita crepe já estava descolando. Quando a abri a tampa, desenterrei muitas coisas que tinha optado por esquecer. Meus olhos marejaram-se. Não por tristeza, mas por saudade. Saudade de minha infância. Em cima, havia algumas antigas fotos de família. Entretanto, uma em especial me abalou. Ao pegá-la me lembrei daquele dia no parque com meu pai. Eu tinha por volta dos dez anos e, em um sábado, ele levou-me para o parque e tentou me ensinar futebol, dando a desculpa que eu não poderia crescer sem saber jogar o esporte de nossa terra. Eu realmente não ligava para o futebol, mas eu estava mais feliz por estar junto com meu pai. Eu quase não o via. Eu estudava em um turno integral e papai trabalhava até tarde em sua loja de ferramentas, então quando passávamos tempo juntos eu realmente aproveitava. Na foto estava eu com luvas de goleiro no ombro de meu pai. Ele estava tão feliz aquele dia. Ambos estavamos. Queria tanto poder vê-lo pelo menos mais uma vez para dizer o quanto eu sentia a sua falta, ou para dizer pelo menos adeus. Só que, infelizmente, o tempo não volta, e aquilo realmente me matava.

As lágrimas rolavam pelo meu rosto e eu nem mais me importava em segurá-las. Deixei que caíssem. Coloquei as fotos de lado e continuei a inspecionar o fundo da caixa. Não pude deixar de escapar um sorriso quando vi aquele livro púrpura de capa dura. Fazia anos que não abria o anuário de minha escola. Na capa, em letras garrafais dourada “North Hight – Turma de 87”. Nossa! 1987. Pensando nessa data me senti praticamente como uma idosa contando para os netos sobre as memórias ultrapassadas. Limpei a capa empoeirada com a palma da mão e abri. Cada rosto trazia de volta uma lembrança. Pessoas que conversei, me identifiquei, odiei , amei e que me apaixonei... “Turma de Teatro”. Aquele grupo... como pude esquecer daquele grupo? Atuar sempre foi a minha grande paixão no ginásio. Acariciei as páginas como se acariciasse as memórias. Virei à página e encontrei, logo no canto esquerdo, uma foto minha. Gargalhei ao perceber o quanto eu realmente era idosa. Aquelas roupas! Aquele cabelo! Parece de um milênio distante, mas como sabemos, moda é moda e não tem jeito. Dinâmico tanto quanto o comportamento e as pessoas que o exercem. Meu coração em um súbito pulou em meu peito quando encarei aquela imagem. Franzi a testa tentando dar-me de conta dos acontecimentos que me ligavam a ela. Na legenda dizia “ Terceiro ano B. Exemplar ator e um exemplar amigo. Landon Dylar”. Outro salto ao ler em voz baixa seu nome. Landon... Como pude me esquecer? Aquele filho da mãe aproveitador! Bastardo, fútil e descarado! Lembrei-me então daquele dia fatídico. Cheguei atrasada para a aula de francês e acabei indo para biblioteca. Foi na saída que ele me puxou e beijou-me. Beijou e desapareceu. Desapareceu na multidão, nos corredores, da cidade e da minha vida. No outro dia quando fui procurar por ele para ouvir algumas satisfações, um dos seus amigos falou-me que ele havia se mudado para outra cidade porque o pai havia sido transferido no trabalho. Foi como um soco no estomago. Então o amigo completou dizendo que ele havia contado a cerca de 2 meses, e que o dia de sua saída estava marcado há tempos. Fiquei tão chocada. Nunca havia me sentido tão descartável, tão suja, tão torpe. Ele havia me usado como uma última aventura antes de partir. Uma distração, uma válvula de escape. Chorei muito. Muito mesmo. Chorei por um canalha, um canalha que me apaixonei, mas eu era apenas uma adolescente apaixonada. Todo mundo tem um amor não correspondido nessa época (ou correspondido, mas fútil.). Esta bem, talvez eu ainda guardasse um pouco de rancor, mas eu já era uma adulta e sabia que era totalmente vão alimentar esse sentimento tanto porque era infantil e também porque sabia que nunca mais iria se quer falar com Landon de novo. Mas que ele havia sido um idiota, ele realmente havia sido. Mas águas passadas são águas passadas. Não vale a pena remexer nos sentimentos já remexidos, então apenas fechei o livro e coloquei sobre a mesa. Talvez eu desse outra olhada nele mais tarde. Mais atentamente.

Foi colocar o livro sobre o vidro da mesa para o telefone tocar. Corri pelo chão de tacos encerrados. Com certeza cera e meia não fazem um bom par. Podemos dizer que eu não corri para o telefone, eu derrapei até ele. Atendi-o quase ofegante. Era Joey Tanehill, o executivo que havia me entrevistado. Ele não era o diretor geral, mas era o diretor da minha repartição, então eu havia que passar primeiro por ele para depois, em uma segunda entrevista, falar com o supervisor geral, o temido ‘Chefe’. Falou-me que eu havia sido convocada para uma segunda entrevista com o Diretor. Se ele tivesse me contado isso pessoalmente eu juro que daria-lhe um belo de um beijo estalado de felicidade, mas por telefone contive-me em um gritinho de felicidade (nada profissional, eu sei.). Ele riu pela minha reação. Seria terça-feira às nove da manhã. Peguei um papel e anotei. Agradeci muito feliz, me despedi e desliguei. Fui saltitando até a geladeira e colei na porta o horário para eu não me esquecer, mas eu duvidaria que eu esquecesse.

Hoje iria sair para comemorar. Cinema e depois um belo jantar. Perfeito para um novo começo.



(Veri.)

I Can't Let Go. - Capítulo 3 - De tempos em Tempos.

A paisagem cinza de certa maneira me confortava. Caos, eu sabia, mas dentro daquele turbilhão conseguia me encontrar. Soprei fortemente dentro de minhas mãos e esfreguei umas as outras em uma tentativa inútil de torná-las mais quentes. Amaldiçoei o momento que sai de casa e deixei as minhas luvas felpudas sobre a bancada da cozinha. A mudança de casa e toda aquela papelada burocrática só estavam me deixando mais louca (e mais congelada). Nunca havia mudado de casa por conta própria. Quando era adolescente eu e meus pais nos mudamos apenas uma vez, e o máximo que eu fiquei encarregada foi de enrolar a coleção de xícaras de porcelana da mamãe naqueles plásticos-bolhas. (E elas acabaram quebrando-se porque, infelizmente, estourei todas as bolhas antes de se quer enrolá-las). Contudo, agora era diferente. Estava fazendo algo por mim. Começaria uma nova vida em NY e a primeira coisa a fazer era conseguir um bom emprego. Era para lá que estava indo.

O sapato fino tintilhava sobre o concreto liso e úmido da avenida. Olhando toda aquele vórtice capitalista acabei lembrando da última vez que havia vindo para Nova York. Se bem me recordava, fora no último ano de faculdade, com algumas velhas amigas do meu antigo colégio North Hight.Viemos para comemorar nossa formatura, nos embebedar e nos perder na noite. Que viagem foi aquela! Jurei nunca mais tomar outro ‘sex on the beach’ pela minha vida inteira! Mas valeu a pena.

Olhava os rostos apressados das pessoas que passam por mim. Era quase impossível não ser atropelada naquela multidão, mas eu já estava costumada. Meus olhos passeavam pelas vitrines de móveis, babando naqueles sofás que pareciam até relíquias do século dezoito. Eu realmente amava esse período histórico. Todos aqueles bordados feitos à mão na estampa do sofá soavam até como música. Não, era realmente música. Meu celular tocava e vibrava na minha bolsa. Tive que praticamente jogar tudo que estava dentro dela no chão para enfim, poder encontrá-lo.

- Alô? Mãe? Oi mãe! Como está indo? Tudo bem? – disse prendendo o celular entre meu ombro e minha orelha enquanto abaixava-me e recolocava todos meus pertences novamente de volta à bolsa. - Não, a mudança está indo muito bem! – disse suspirando. Era melhor mentir para minha mãe sobre isso do que dizer a verdade e ter que ouvi-la dando sermão de como ela estava certa e como eu deveria ter ficado em Delaware morando para sempre junto com ela. Às vezes ainda acho que minha mãe pensa que sou aquela menina estranha que ia de manhã para North Hight e voltava a tarde a tempo de um leite com biscoitos. Mas acho que todas as mães pensam isso de suas filhas, então ignorei. – Lógico que não, mãe! Na verdade, estou indo para uma entrevista de emprego agora mesmo! É! – Ergui-me colocando a bolsa no ombro e continuei a caminhar. – Não, mãe! Não estou inventando! Eu realmente estou indo! Estou com entrevistas marcadas até o final da semana. É! Eu sei! – Ergui as mangas do meu blazer escuro e olhei as horas. – Na verdade ,mãe, se eu não me apressar vou chegar atrasada, então nós conversamos depois, okay? Eu te ligo mais a noite! Beijos! – Disse fechando o celular e apressando o passo.

*

- Então me diga Srta... – disse checando novamente o nome na lista. – Kemper, certo?

- Sim. Isabela Kemper.

- Certo, Srta. Isabela. Diga-me, em qual faculdade disse que se formou? - perguntou o empresário que do outro lado da mesa de mogno negro reajustava seus óculos de armação grossa.

- Yale. Formei-me em Relações Internacionais em Yale. Morei dois anos em Liverpool e sou especializada em instituições internacionais, como o senhor mesmo pode ler em meu currículo. - Ele assentiu levemente e reabriu as páginas de meu currículo. Então eu continuei – Como mencionei anteriormente, tenho experiência no exterior, em três países especificamente, falo três línguas fluentes e estou terminando o meu curso de Francês. Então no final do ano serão quatro. – Disse sorrindo abertamente. Um sorriso não correspondido. Então voltei a calar-me.

Um silencio incomodo tomou a sala. Eu tentava ajeitar-me melhor naquela cadeira grande de couro enquanto o homem folheava as páginas de meu currículo, pigarreando quando virava as páginas. Estranho, mas era melhor ficar quieta.

- Impressionante Srta. Keper. Realmente impressionante. Já teve experiência com outros empregos senhorita? Ou este será ou seu primeiro? – Perguntou fechando as páginas e apoiando o braço um sobre o outro, enquanto encarava-me por cima das lentes.

- Não, senhor. Esse será o ou primeiro emprego.

- Mas a senhorita, costa aqui, tem 27 anos. Não seria meio tarde para um primeiro emprego? – Disse soando sarcástico. Algo que fez-me querer saltar daquela cadeira e jogá-lo do décimo quinto andar, mas me segurei. Não se brinca com a idade de uma mulher.

- Bem, senhor... Depois que voltei de Liverpool, eu tinha uma oferta muito boa de emprego em Los Angeles. Estava prestes a aceitar quando nas vésperas, meu pai faleceu com um derrame. Tive que voltar para Delaware e ajudar a cuidar de minha mãe, que ficou sozinha. Arranjei um emprego na minha cidade pequena como contabilizadora de uma rede de supermercados e me virei por lá. Então, por isso que estou meio ultrapassada, digamos assim, mas posso garantir-lhe que isso não afetará em nada o meu desempenho em sua empresa, senhor. Minha experiência fala mais alto que minha idade. Garanto-lhe. – disse vitoriosa, abrindo-lhe um sorriso, que dessa vez, (creio que por intimidação) foi respondido. Fracamente, mas já era um começo.

- Então, muito bem, senhorita Isabela! – Disse ele levantando e se inclinando para um formal aperto de mão. – Iremos analisar melhor sua ficha e te ligaremos até o final da semana, mas posso dizer que você tem um pouco mais de vantagem diante os outros! – Falou dando-me uma piscadela. Eu apenas sorri orgulhosamente, agradeci seu tempo e retirei-me da sala.

Deixei meu número com a secretária e direcionei-me para o elevador. Pela primeira vez estava fazendo algo que realmente era pra mim. Algo só meu. Há muito tempo tinha me esquecido como era esse sentimento. Não tem como defini-lo. Estava orgulhosa de mim mesma. Estava , em muito tempo, feliz. Um trabalho ótimo (com um salário ótimo também!), uma casa nova e um novo começo. Não sei o que faltava mais em minha vida. Tudo estava indo conforme o planejado ou até melhor. Iria ficar com esse emprego de vez. Sabia que iria consegui-lo, então teria a semana inteira livre para colocar em dia a papelada da mudança (e a mudança em si, também...) e esperar o telefonema e comemorar.

A vida de volta nos trilhos.




(Veri.)