terça-feira, 9 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap. 20 - Pijamas

Nunca havia chego tão cedo no trabalho quanto cheguei naquele dia. Estava realmente preocupada com Landon. O que será que havia acontecido com ele depois que o deixei na sua casa? Será que tinha entrado em coma alcoolico? Plausível. Nunca vira ninguém mais bêbado. (tirando minha mãe nas festas de natal, mas acho que isso não conta). Queria colocar preto no branco e saber quel era a sua verdadeira intenção de ter ido para a minha casa naquela noite. Por mais que estivesse com ciumes ele não tinha o direito de invadir a minha vida pessoal. Era a minha vida! A vida que ele escolheu não fazer parte, então ele haveria de aceitar as consequencias de seus atos. Corri até a recepção e avistei Cyntia ao telefone (como sempre).
- Cyntia! - Chamei-a de longe- Lan...Digo, O Sr. Dylar já chegou? - Cyntia olhou-me de relance e continuou a falar ao telefone.
- Só um minuto, Sr. Hellingan. - Disse ao telefone e se virou para mim.- Receio que o Sr. Dylar não venha hoje ao trabalho, Srta. Kemper.- Voltou ao telefone. Meu coração disparou. O que havia acontecido?
- Não vem?! Mas por que? - Perguntei em um tom meio esganiçado. Cyntia suspirou pesadamente.
- Sr. Hellingan, eu terei que retornar a ligação mais tarde. Aconteceu uma emergencia aqui. Tchau Tchau! - Desligou o telefone e me encarou com chamas no olhar. Okay...acho que tinha a irritado. - Não sei, Srta. Ele me ligou não faz muito tempo dizendo que não estava passando bem e que não poderia vir hoje. Pediu para eu cancelar todos os compromissos e é o que eu estou TENTANDO fazer. - Disse dando enfase ao 'tentando'. Sorri meio envergonhada de te-la atrapalhado.
- É urgente? - Perguntou-me.
- É urgente o que? - Respondi sem pensar no que havia perguntado. Cyntia me encarou confusa.
- O que tem para falar com ele... - Ela disso meio reticente. Percebi o quanto deseperada estava parecendo. O que tinha para falar para ele não era nada urgente, na verdade nem sei o que iria falar para ele. Só queria saber se estava... bem.
- Ah, não! Eu posso esperar...acho...- Disse tão baixo que teinha quase certeza que Cyntia nem havia me escutado. - Bem... vou te deixar trabalhar. Obrigada. - Sorri e me distanciei. Senti que Cyntia agradecera mentalmente por eu ter saido dalí. O que será que estava acontecendo? Me direcionei para o meu cubículo sem olhar para os lados. Sentei na poltrona aveludade e suspirei pesadamente. Será que estava tudo bem com ele? Será que estava fingindo ou só não queria me ver? E por que diabos eu estava pensando tanto nele? Eu estava preocupada sim, mas parecia mais coisa alem disso... Era como se...
- Oi para você também. Grossa. - Daniel disse me entregando um copo fumegante de café e se sentando no cubículo do meu lado.
-Ah, oi... - Disse envolvendo meus dedos pelo copo de café.
-Nossa! Que desanimo. Parece que não conseguiu nada com o Sr. Delaney ontem a noite. Acertei? - Sr. Delaney! Meu deus! Havia esquecido completamente dele! ótimo! Mais uma coisa para eu me preocupar. Obrigado Daniel...Afundei ainda mais na cadeira.
-Acertou. Mas não por falta de oportunidade... - Disse desanimada dando um gole no meu café. Daniel arregalou os olhos e veio se sentar na minha mesa.
- O que?! O que aconteceu?! Me conta tudo! E se não me contar eu tiro de você a força! - Eu ri levemente e me indireitei deixando o copo sobre a mesa.
- Ele tentou me beijar... Mas eu não quis...
- O que?! E por que?! Como você pode resistir aquele rostinho?! Meu deus....se fosse eu teria o agarrado naquele momento e...
-Então... - O interompi. Sabia o que ele iria fazer, ele não precisava me dizer. - Acontece que eu não sei por que. Do nada a imagem de Landon veio À minha mente e eu não consegui... Era como estivesse traindo-o. Eu não sei o por que... Estou péssima. - Voltei a me afundar em minha cadeira. Estava tão confusa quanto cego em tiroteio. Era como se tivessem me vendado e me girado sem parar e depois pedissem para eu andar. Era como estava. Daniel torceu o nariz e colocou sua mão em meus ombros.
-Querida... Acho que você sabe o por que... - Ele disse calmamente com uma doçura no olhar.Fiquei o encarando por um certo tempo até a ficha cair. Foi então que entendi o que ele quis dizer.
- Ah não! Eu não estou apaixonada pelo Landon!! Se é o que está querendo dizer!!Nunca! - Eu disse em um tom meio alto, me levantando com pressa da cadeira. Daniel tentanto me fazer ficar quieta puxou meu braço para me jogar novamente sentada nela.
- Você está louca? A Linda Kraft está logo alí! Quer ser despedida é?! - Ele me sussurrou com um tom meio bravo que me fez fechar a cara.
-Biscate... - Disse entre os dentes sentindo a raiva aquecer meu corpo. Linda realmente estava se mostrando uma pequena vadiazinha. Fofoqueira que nem se quer sabe cuidar da sua vida. Daniel me segurou pelo braço e me fez encará-lo.
-Agora escuta aqui. Nós dois sabemos o por que voce ficou confusa, agora só falta voce aceitar! - Eu emburrei a cara e olhei para o lado. Daniel não estava certo... Não podia...Ou podia? Não importava. Importava que estava preocupada com Landon e queria ver se estava tudo bem. Queria vê-lo e era o que iria fazer. Fiquei pensativa por algum tempo e depois voltei a encara-lo.
-Será que pode cobrir o meu dia hoje? É só terminar o relatório do México e envia-lo para o Sr.Juanes. Você consegue? - Perguntei ainda com a voz baixa para ninguem nos ouvir.
-Mas... Você não tinha terminado? - Daniel perguntou confuso.
-Não... Eu menti. - Rimos. - Você faz isso por mim? - Ele contentiu.
- Faço. Agora sái daqui a vai logo para casa dele! Okay? - Eu concenti também.
- Se der eu volto mais tarde.
-Não se preocupe com isso. - Eu sorri e silabei um 'Obrigado'- Vai logo!
Me virei e saí correndo. Sabia que podia confiar em Daniel, além do que ninguém iria presenciar a minha saída. Era quase certo. No meu caminho de ida para casa de Landon parei para compar um café para ele. Não era certo chegar na casa de alguém com as mãos abanando. Minha mãe sempre havia me ensinado a levar coisas quando se vai na casa de alguém. Bem infatil, mas educado. Estacionei meu carro perto do prédio de Landon. Desci e fui para a entrada do prédio. Procurei o numero do seu apartamento no placar dourado. Sm, eu ainda o lembrava de cor. Um barulho soou ao meu lado. Uma senhora estava saindo do prédio com a sua cadelinha na mão.
-Pode segurar a porta para mim? - Pedi e assim ela o fez, me encarando meio maldosamente, mas ignorei. Peguei o elevador e subi no seu andar. Caminhei até a sua porta. Meu coração estava disparado. Por que? Engoli seco e bati levemente na porta. Tinha batido leve demais? Era melhor bater de novo mais forte? Quem sabe. Bati mais forte desta vez, meio impaciente.
-Já vai! - Ouvi a sua voz ecoar dentro do apartamento fazeno meu coração bater mais rápido ainda. Estava parecendo uma menininha do ginásio naquele momento. Respirei fundo e esperei ele abri-la. Ouvia os passos dele se aproximando. A chave rodando e a porta abrindo. Landon apareceu do outro lado e o café nas minhas mãos quase que vai-se ao chão. Era ele, com uma calça de pijamas xadrez, descalço, sem camisa, mostrando a sua barriga definida e seu peito rígido. Realmente parecia esculpida por anjos. Seus cabelos estavam bagunçados e presumi que ele estivesse dormindo.Meu deus... Ele arregalou os olhos como se eu fosse a última pessoa que esperava ver alí.
-Isa- Isabela?! - Ele disse gagejando.- O que...- Ele tociu tentando parar de parecer bobo. - O que.. está fazendo aqui? - Eu encarei o chão por alguns instantes depois voltei a ele.
-Eu fiquei preocupada... Você não foi trabahar e eu queria saber se estava tudo... Bem... - Eu disse pausando em alguns momentos tentando me concentrar no que dizer. Ele ficou me encarando também como se tentando entendero que estava fazendo alí. Um silencio estranho fez-se. Eu ergui o café em sua direção. - Eu trouxe um café... - Disse com voz gentil. Ele sorriu diante da minha ingenuidade e pegou o café de minha mão. Uma risada escapou seus lábios.
-Obrigado... Obrigado, mesmo. - Ele colocou as duas mãos no copo quente e voltou a me encarar. Olhos estranhos que invadiam minha mente. Queria saber o que ele estava pensando daquele momento.- Você não quer entrar? - Ele acordou repentinamente e saiu do caminho para mostrar o seu apartamente ainda impecavel. Como ele mantinha tudo aquilo tão arrumado? Não exitei. Sorri fracamente e entrei, dei alguns passos e parei ainda no hall.- Por que não se senta na sala enquanto eu troco de roupa... - Pensei o quanto aquilo seria um disperdício, mas tudo bem - Volto daqui a pouco.
O obedeci. Fui a sala e me sentei naquele grande sofa de couro negro. Minhas mãos impacientes valsavam pela minha perna pensando em diversas rotas de fuga caso alguma coisa desse errada. Era sempre útil. Mas eu ainda não sabia por que a sua presença ainda me afetava tanto. Era como se voltassemos ao ginásio e eu me sentisse completamente vulneravel, como um filhote sem a mãe. Frágil.
-Pronto! - Ele disse saindo do corredor, só que agora com uma camisa básica branca. Mais bonito que sem, se era possivel. - Hum... posso perguntar o que te trás aqui...Srta. Kemper? - Ele me perguntou com uma voz suave. Eu sorri e me ajeitei no sofá.
- Enquanto estiver vestindo pijamas, prefiro que me chame de Isabela. - Ele riu, um pouco desprevinido, e sentou-se no sofá a minha frente.
- Justo... E então... Isabela... - Eu sorri levemente ao ouvir o meu nome sair de sua boca. Aquilo era estranho. Eu encarei o chão ainda meio vermelha e depois voltei-me.
- Eu fiquei preocupada quando não foi ao trabalho e...depois do que aconteceu ontem... - Eu disse meio sem graça, percebendo a sua feição ficar séria ao ter mencionado o ocorrido. - Eu só vim verificar...na verdade... - Eu disse meio delicada. Ele acentiu levemente e cruzou as pernas formalmente. Percebi que aquilo havia o deixado desconfortável.
- Ah sim... Ontem... Quase me havia esquecido... - Ele disse seriamente encarando o chão. Subtamente ele se levantou ficando na frente do sofá, com as mãos na cintura. - Falando nisso, como foi o seu jantar com o Sr. Delaney? - Ele me perguntou maldosamente. Seu tom de voz havia mudado. Agora estava ríspido e sarcástico, poderia até dizer rigoroso.
- Ahm... Foi bom, na verdade, mas acho que não vem ao... - Eu disse sendo interrompida no meio da frase por ele.
- Ah, sim... Imagino. Ele é muito amável não é? Eu vi como vocês dois estavam se dando bem lá no café. - Landon estava sendo injusto comigo. Eu sei que eu tinha pisado na bola, mas eu estava lá como uma tentativa de me desculpar, e afinal de contas, quem invadiu a minha casa bêbado foi ele, e não eu! Eu não estava lá para jogar na cara dele como eu tinha me saido no jantar, por que nem que quisesse eu teria como... Eu tinha pensado nele o jantar todo e ele havia sido um desastre por causa disso. Ele realmente estava tentando me atingir...de maneira muito baixa. Senti um nó na minha garganta como um choro segurado. Não poderia fazer aquilo na frente dele. Me levantei rapidamente e peguei minha bolsa.
- Quer saber... É melhor eu ir. Me parece que esse não foi um bom momento...- Dei alguns passos e fui interrompida por ele de novo.
- Oh não! Na verdade é um ótimo momento Srta! Se voce veio aqui conversar, vamos conversar! - Disse ele na maior naturalidade dando um tom ironico aquela frase. O nó ficou maior. Eu virei-me irritada.
- Eu não vim aqui conversar sobre isso, OK?! Eu só vim ver como você estava! - Eu disse com o tom um pouco alterado.
- E então... conseguiu mostrar muita coisa de NY para o Sr. Dellaney? - Ele disse ignorando totalmente o que eu tinha dito antes. - Ou não deu tempo? - Eu parei e encare-o confusa tentando entende ro que estva dizendo. Ele se aproximou de mim.
- Do que você está falando?- Eu perguntei irritada.
- Conseguiu dar um tour pela cidade ou ficou só no quarto mesmo? - Ele perguntou naturalmente. O meu sangue subiu. Toda aquela tristeza e aquele nó se trasformaram em ódio. Ele estava sendo vulgar e intrometido. Ele não tinha o direito de falar assim comigo, nem como pessoa e muito menos como a sua funcionaria. Se ele estava acostumado em mandar em todo mundo o problema não era meu, por que sabia que em mim ele não iria mandar. Não podia me dizer todas aquelas baixarias e sair ileso de tudo isso. Em uma explosão de raiva, minha mão subiu rapidamente e foi de encontro ao seu rosto, fazendo um barulho tremendo e fazendo o seu rosto virar-se para o outro lado. Um silencio na sala. Ele virou o seu rosto lentamente e me encarou. Seus olhos ainda me provocavam de mais. A minha mão se levantou novamente e começou a fazer o memso caminho, mas foi interrompida antes pela mão de Landon que segurou meu pulso. Ele ficou me encarando firmemente enquanto sua mão fechava cada vez mais sobre meu pulso. Eu não desviava o olhar, igualmente. Iriamos ficar ali por horas se dependesse de mim. Eu sentia o calor que emanava do seu corpo e ele podia sentir o meu também. Seus olhos eram tão fortes e tão misteriosos. Não estavam irritados nem nada do tipo, estavam culpados. Seus labios deliniados envolviam a sua respiração rápida. Sua mão foi soltando o meu pulso levemente, descendo pelo meu braço, como se o acariciasse. Voltei meus olhos para sua mão sobre meu braço e depois voltei para os seus olhos. Não entendia o que estava acontecendo. Subtamente Landon envolveu suas mãos finas no meu pescoço e me puxou para o dele. Foi tudo tão rápido que eu demorei alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo. Mas não exitei em corresponder. Da onde viera aquilo? Realmente não sabia. Mas eu também nem ligava. Toda a minha raiva se dissipou nos seus beijos e em o toque da sua pele.
Segurei seu rosto com a mesma força quanto segurava meu pescoço enquanto seus beijos violentos tomavam a minha boca. Nunca tinha visto esse lado de Landon, voraz e sedento, tomado por desejo que viera de sei lá aonde, mas eu realmente não ligava. Tudo que eu queria estava literalmente nas minhas mãos naquele momento. Seu rosto macio e seus labios rosados chocando-se contra os meus. Sua mão desceu até as minhas costas e logo após até as minhas coxas, me impulsionando para cima, fazendo minhas pernas se envolverem acima de seu quadril. Sua mão voltou as minhas costas me dando apoio, por que se não iamos os dois para o chão. Eu agarrei seu percoço com força enquanto ele me levava para a mesa do jantar. Me colocou deitava na mesa fria e continuou a me beijar, e eu realmente não queria que ele parasse. Suas mãos em minhas pernas faziam com que o comprimento da minha saia diminuisse e aumentasse conforme seus dedos valsavam pela minha pele quente. Ele se afastou um pouco dos meus lábios e eu conseguia sentir a sua respiração bater contra a minha, seu cabelo jogado sobre seus rosto me empedindo de ver seus olhos. Coloquei alguns fios atrás de sua orelha me fazendo encarar seus olhos esverdeados.
- Me desculpe ter sido um idiota ultimamente... - Ele disse baixo, como uma confissão. Eu sorri abertamente e lhe dei um beijo lento nos lábios e voltei a nos distanciar. Queria que ele soubesse que eu não ligava para o quanto ele tinha sido um idiota, agora não me importava. Não mais. Era a peça do quebra cabeça que me faltava para entender o que eu estava sentidno. - Nunca deveria ter tirado você da minha vida...Mesmo... - Disse ele baixinho contra meu ouvido. Era tudo que eu precisava ouvir naquele momento. Além dos chingamentos e das entrigas e do ciumes que sentiamos um pelo outro sabiamos que havia algo mais. Eu queria Landon perto de mim, e sabia que ele também me queria. Era como se os anos da escola tivessem voltados para tentarmos de novo. Eu tentaria, de coração aberto. Landon se distanciou ainda mais para poder me analisar quase por inteira. Ele sorria. - Não sei como pude deixar você escapar no colégio... Devia ser mesmo um cego... - Ele me dizia ainda com um sorriso no rosto. Eu sorri e levantei as minhas costas me aproximando dele. Coloquei minha mão sobre seu rosto e o beijei novamente. Era como se ele tivesse entrado na minha mente e estava dizendo tudo o que eu queria escutar, e ainda mais.
-Eu não ligo... Mas que bom que agora voce viu...- Eu ri ironica fazendo o rir também. Ele me deitou na mesa e voltou a me beijar.Subtamente pancadas ecoaram por toda a sala. Era a porta. Mas logo agora?! Amaldiçoei quem estivesse do outro lado, nos interrompendo na nossa reconciliação boba, mas memso assim muito importante. Landon olhou para o hall e depois voltou a mim.
-Eu preciso atender... Um segundo... Deve ser Sr. Tanehill com uns relatórios que eu havia pedido. - Ele disse se direcionando à porta. - Voltarei e um segundo! - Gritou ele já de longe. Eu bufei e sentei na mesa, como uma menina emburrada. Arrumei minha saia e esperei que ele voltasse, pena que isso iria demorar mais do que haviamos planejado.

Veri.



domingo, 7 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap 19 - Vinho Branco e Whisky.

Foi ótimo passar o resto do dia trabalhando sabendo o motivo pelo qual Landon estava roendo as unhas. É claro que eu adoraria ir um pouco mais cedo para casa para dar a produção que a noite exigia.Mas eu não podia.Na verdade não podia se quer sair no meu horário normal.Eu chegara atrasada, lembram-se?Eu me lembro.

- Meu Deus, você não está indo longe demais com isto? – perguntou Daniel enquanto preenchia um contrato.
- Não use o pronome você no singular.Não estou fazendo isso sozinha.E além do mais não estou fazendo nada de errado.O que tem demais em levar o sr. Delaney para conhecer NY?- perguntei com toda naturalidade.Daniel parou de preencher o contrato e me lançou um olhar maldoso.
- Nós dois sabemos que esse jantar envolve outros interesses.E não se faça de boba mocinha.Mas não é isso de que quero falar, pois esse é assunto que nós dois estamos carecas de saber.O que você pretende com hoje à noite? – Eu olhei como se tivesse dito algo extremamente obsceno sobre mim – E não faça essa cara.Não sou o Landon.Você sabe que pode ser sincera comigo.
- Está bem – eu disse – você venceu.Na verdade não sei o que realmente quero.Estou um tanto confusa.Não estou me sentindo realmente melhor depois da cena de hoje.Mais confortável, confesso.Mas meu ego continua...Abalado.
- Você não ama o Sr. Delaney, é óbvio que não.Já Landon...Você apenas se sente atraída por Henry.
- Mas ele não me ama! – falei sem pensar.
- Fale baixo – falou Daniel – Você se lembra o que eu disse sobre as paredes terem ouvidos?
- Que se dane.Vou neste jantar e se tiver que acontecer algo, que aconteça!O Sr. Delaney é um homem bonito, educado qual o problema?
- Isabela... – falou Daniel enquanto me entregava o contrato preenchido.Levantei-me.
- Não sou mais a garotinha de North Hight! – e andei sentido à recepção.No corredor Landon vinha vindo na mesma direção que eu.O corredor entre a recepção e o nosso setor é estreito.Conclusão: só cabia uma pessoa.Parei na hora e me virei de lado para que Landon passasse.Ele se frente pra mim e passou lentamente rente.Nosso olhares se encontraram e eu senti o seu perfume novamente.Nós podíamos até se beijar.Eu sei que ele sentiu o mesmo.Por um instante esqueci todas as brigas e as coisas ditas entre nós.Sim, nós poderíamos nos beijar.Se não fosse Linda Kraft aparecer com um aparelho eletrônico na mão dizendo ‘preciso falar urgente com o sr, sr. Dylar’ fazendo questão de dar ênfase às ultimas palavras, cujas quais eram: ‘á sós’, olhando pra mim quase mandando que eu me retirasse com o olhar.Landon se afastou na hora de mim e eu me virei continuando meu trajeto.Como eu odiava Linda!Mas no mesmo instante que sentia ódio lembrei que teria um jantar com o qual me preocupar à noite, então esqueci Linda e me concentrei no contrato que devia entregar a Cintya.

Arrumei tudo após fazer meu horário extra.Não havia mais ninguém na OwnBusiness além de mim e Landon.Até Cintya já havia ido embora.E eu faria o mesmo, pois eu só tinha 1 hora até Henry buzinar em minha casa.Enganchei a bolsa no ombro e olhei pra frente para seguir.Landon estava bem em meu caminho.
- Espero que já tenha terminado todos os seus afazeres srta. Kemper – disse tentando parecer formal.Cruzou os braços e encostou de modo sexy(devo dizer) na grande vidraça que nos dava a linda imagem de Nova York.
- Pode estar certo que sim Sr. Dylar – falei tentado me desviar dele.Mas uma vez ele me interceptou.
- A srta. ligou para o dona da empresa do México?
- Liguei, sr. Dylar.
- Acertou os contratos do Colorado?
- Acertei, sr. Dylar.
- Enviou por e-mail todas as notas fiscais dos produtos do Arizona?
- Enviei Sr. Dylar! – falei irritada.Ele me olhou com surpresa.
- Eu...Só queria confirmar.
- Já confirmou, agora preciso ir, com licença – e me desviei dele.Senti uma mão segurar o meu braço ao passar por ele.
- Para o jantar com sr. Delaney não é? – falou com desdém.Eu o olhei com piedade e não respondi.As palavras simplesmente fugiram da minha boca.E me puxou com certa força da perto dele e nosso lábios quase se tocaram.Eu podia sentir seu hálito quente e seu perfume masculino que eu tanto conhecia.
- Landon...Por favor... – falei quase sem poder resistir.Ele me encarou nos olhos e me soltou.
- Está dispensada srta, Kemper – ajeitou o relógio no pulso e deu às costas me deixando com cara de abandonada.

Eu definitivamente me produzira para o jantar.Estava atraente, devo admitir.Caminhei em direção a Henry que estava parado ao lado do carro esperando para abrir a porta para mim.
- Olá srta. Kemper – falou ele me analisando sem esconder para onde olhava.Estava tão fascinado quanto Landon quando me vira parada na porta de sua casa no nosso primeiro jantar de negócios.Droga!Eu estava lembrando de Landon de novo – A srta. está...maravilhosa! – E beijou minha mão sem tirar os olhos de mim.
- Obrigada sr. Delaney! Digo o mesmo do sr. – a porta do carro foi aberta e nós seguimos para o restaurante.
- E então srta. Kemper – falou ele enquanto dirigia – Em que restaurante a srta. quer ir? – ah não.Aquele sotaque inglês era demais para mim.
- Que tal o Café Pierre? – falei.Era um restaurante francês e Landon me convidara para ir lá uma vez.Devia ser bom – A culinária é francesa, acho que vai gostar, sr. Delaney.
- Ora, pode me chamar apenas de Henry.Não estamos trabalhando e nem na presença de ninguém importante.
- Ok...sr Del...Henry. – risos – Sendo assim me chame de Isabel também.Sem formalidades esta noite – Ele sorriu e se voltou para o transito.
Chegamos ao restaurante.Era mesmo deslumbrante, Landon sabia escolher.Landon de novo?Chega de Landon!Agora sim Henry puxara a cadeira pra eu me sentar.Era acima de tudo, cavalheiro.
- Podemos pedir um vinho branco, srta. Kemper? – perguntou-me ele enquanto analisava o menu.
- Ei, e nosso combinado?Me chame de Isabela. – falei em tom descontraído.
- Oh perdoe-me.Podemos pedir um vinho branco, Isabela?
- Claro Henry, sinta-se à vontade.
- Isabela, eu...Devo dizer que quando conversei com você por telefone na Inglaterra, a única coisa que me atraiu em você foi a sua incrível competência em relação aos negócios.Mas... – ele parou como se estivesse lembrando de algo – quando a vi pela primeira vez na OwnBusiness fiquei totalmente encantado pela sua beleza também.
- Ah...Henry, assim... o sr me deixa sem graça – falei um pouco vermelha.
- Oh, me desculpe.Mas eu precisava dizer isto à você – e sorriu levemente.
- Bem...Quando nos falamos por telefone discutimos apenas assuntos profissionais.
- Claro...Não havia espaço para outros assuntos.Mas neste jantar não precisamos discutir negócios, não é?Fale-me de você.Quero saber mais – falou ele cruzando as mãos em cima da mesa.E assim o jantar se seguiu.Ele me fez algumas indiretas, de certa forma correspondidas.
- Será que agora, ao invés de irmos para casa, você não poderia me levar para conhecer algum outro local de NY? – Henry tinha se mostrado um homem incrivelmente simpático e divertido.Neste ponto até me lembrou Daniel.Com aquele terno e gravata que sempre usava quando nos encontrávamos não passava a impressão desta outra pessoa.Hoje estava usando camisa social.Mas sem terno.Sabem...Ele também tinha braços sexys.
- Mas claro!Afinal é para isso que estamos aqui hoje.

Fomos a uma praça que possuía uma escultura bem na frente do World Trade Center.Ele ficou deslumbrado com tudo.Eu realmente tinha gostado de sua companhia.
- Isabela...Eu, gostaria de agradecer pela noite – e pegou em minhas duas mãos.Ficamos um de frente para o outro – Eu não esperava me divertir tanto com esta vinda para os Estados Unidos.
- É uma honra – falei.Ele me encarava nos olhos.
- Você é mais do que eu esperava conhecer, e quero que sabia disso – foi se aproximando cada vez mais.Eu não devia beijá-lo.Mas queria.
- Você também Henry, se mostrou muito mais simpático do que eu pensei que fosse – agora estava perto demais.Talvez nossos lábios de tocassem agora.Minha mão foi mais rápida que meu pensamento e se colocou rapidamente entre nossas bocas – Você...O sr...Me desculpe! – falei me esquivando de olhar para ele.Eu realmente gostei muito de você, mas...Acho que estamos indo rápido demais.
- Me desculpe! – falou ele envergonhado – Me desculpe mesmo.Eu...Fiz tudo muito depressa.
- Não!Não se desculpe por favor.Eu até quero...Mas, nós trabalhamos juntos e...Vamos esperar um pouco mais, apenas isso.Eu só estou pedindo um pouco de tempo para me organizar.
- Terá todo o tempo que quiser Isabela querida – e me abraçou.Quando me abraçou e poderia mesmo ter virado o rosto e lhe tascado um beijo do qual eu não ia esquecer tão logo, de tão bom que seria.Eu queria muito beijá-lo, mas me segurei.Não sei exatamente o porque.Não estava ‘pronta’.
Henry me levou para casa e se foi.Não perguntou nada do tipo ‘ Não quer me convidar para entra?’.Tadinho.Acho que ficou um pouco traumatizado.
Peguei as chaves para abrir a porta quando escutei um barulho atrás de mim.Olhei para traz e Landon estava parado encostado segurando uma garrafa semi-vazia e whisky.Sua aparência denunciava de estava bêbado.Ainda bem que Henry não se convidou para entrar.Fiquei assustada.
- Landon...O que estava fazendo aqui? – perguntei.
- Esperando fozê chegar! – ele estava claramente fora de si.
- Landon...Entre.Que tal tomar um chá e...Você pode dormir aqui se quiser.Não pode dirigir neste estado!
- NÃO! – gritou ele – Você é uma...Falsa!
- Landon pare com isso.Venha comigo, sim? – Tentei pegar no braço dele, mas ele se esquivou.Ao contrario de atender ao que eu dissera ele algo do bolso.Era o mesmo aparelho eletrônico que eu vira nas mãos de Linda mais cedo.Ele o acionou.

- Que se dane.Vou neste jantar e se tiver acontecer que algo, que aconteça!O Sr. Delaney é um homem bonito, educado qual o problema?

Era um gravador.Ele repetira com a minha voz, exatamente e no mesmo tom o que eu dissera à Daniel a tarde.Fiquei loucamente irritada.
- Quem lhe deu isso Landon? Linda?Linda não foi? – Falei tentando me conter.
- Não importa!Vozê não gosta de mim como eu gosto de vozê!Então fiquei com o... – e fez uma cara de desdém – O sr. Delaney, que é bonito e educado! – ele cambaleava enquanto falava e quase tive certeza que a garrafa ia cair de suas mãos.
- Landon, pelo amor de deus pare com isso!Aonde você quer chegar?
- Isto que eu ouvi, já foi o zufissinete!
- Ela te mostrou o que eu disse um pouco antes também? – perguntei.Mas Landon se quer ouvira o que eu dissera.Seus olhos olhavam paras órbitas inconscientemente.Eu parei um táxi e o levei pra casa.Seria constrangedor ele acordar em minha casa no dia seguinte depois da cena descrita.No caminho ele resmungou coisas do tipo ‘eu te amo, mas que se foda.’E acreditem, pior do que ficar ouvindo isso, e o taxista rindo na frente, foi colocá-lo na cama e fazê-lo ficar lá.Depois que a bebida e o sono falaram mais forte tudo ficou mais fácil.Cheguei em casa e poderia matar Linda se a encontrasse na minha frente.


Isa.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap. 18 - Tempo Britânico

Se fosse para listar as coisas que eu mais odeio nesse mundo, com toda certeza o que estaria no topo desta lista seria “ acordar com o telefone”, e logo em seguida teria “ não achar o telefone”, meu dia começara com ambos. Meus olhos abriram em um susto quando ouvi o som estridente do telefone abafado por alguma coisa. Ainda meio sonolenta procurei-o, em vão, estendendo preguiçosamente minha mão sobre o criado mudo. Consegui enfiar meus dedos no prato de purê de batata ressecado pela noite, que estava ao meu lado. Ponto positivo para mim. Suspirei fundo e limpei meus dedos em minha camisola. O telefone ainda continuava a tocar. Revirei-me procurando-o e achei-o escondido sobre uma dobra da coberta. Tratei logo de apertar qualquer botão para atendê-lo.

-Alô? - Respondi meio aflita.

- Filha!? – Revirei os olhos pensando no que mais iria acontecer nesse dia para torná-lo memorável como “O pior dia de todos”. Agora só o que me faltava era esbarrar com Angelina por aí para torná-lo per-fei-to.

- Oi mãe... – Disse longamente me enfiando de volta nas cobertas.

- Você sabe há quanto tempo estou aqui sem noticias suas?! Faz idéia?! Qual é o problema com a sua secretária eletrônica? Aposto que é você que não ouve as suas mensagens! – É, ela tinha acertado nisso. – Só por que foi morar sozinha acha que não me deve satisfação?! Nada disso, mocinha!

- Mãe, mãe!- Disse interrompendo as ladainhas enfurecidas de minha mãe. - Olha, está tudo bem, Ok?! Eu estou ótima! Só que agora com esse meu trabalho não estou tendo tempo nem para pensar! – O que era até que verdade. - Me desculpa! Ia entrar em contato assim que possível! Mas não deu! Juro!

- Sei, sei! Em falando em trabalho, você não deveria estar no seu escritório já?! – Contemplei a pergunta por alguns instantes em silêncio, minha mãe por fim completou. – Pensei que seu expediente começasse a 15 minutos atrás. – Silencio de novo. – São 08:15, querida. – Meus olhos se arregalaram e uma dose cavalar de adrenalina foi jogada no meu sangue.

-PUTA QUE ... – Lembrei da minha mãe na linha e tentei me conter. – Tenho que correr, mãe! Tchau!! – Joguei o telefone na base e saí o mais rápido que pude. Sabia que depois teria que ligar para minha mãe e ouvir o triplo de ladainhas sobre o meu comportamento e meu vocabulário inadequado, mas que se dane. Voei sobre as ruas de Nova York como realmente pensei que nunca poderia. Nem tinha se quer olhado no espelho, já me faltava ter que chegar na OwnBusiness ter que explicar tudo a Landon. Cafajeste. O que ele havia me dito ontem a noite realmente não descia pela minha garganta. Eu sabia que estava sendo descarada com Sr. Delaney mas bem que Landon mereceu depois de tudo que tinha feito comigo. Não me arrependia. Se fosse para me arrepender me arrependeria de não ter lhe esmurrado a cara ao ter falado aquilo, mas não poderia colocar meu trabalho em risco. Só por isso.

A minha maleta deslizava pelo meu ombro enquanto corria no saguão principal tentando amarrar meu cabelo e pegar o elevador ainda aberto. Estava atrasada a quase 40 minutos e não conseguia deixar de imaginar a cara de Landon quando chegasse até lá. O elevador abriu no meu andar e eu saí correndo, só ouvindo o ressoar dos meus saltos sobre aquele saguão de mármore branco. Na recepção avistei Cintya logo de cara, ocupada sempre com os seus vinte milhões de telefonemas. Nada de Landon por enquanto. Era só pensar no diabo que ele aparecia. Lembrei disso tarde de mais. Derrepente, vindo de não sei aonde, aparece Landon debruçado na mesa da recepção. Ele estava me esperando aparecer ou era só coincidência? Cintya e Landon logo notaram a minha presença. (também com aquele barulho de salto que não repararia?). Senti os olhos dele pesando em mim e sabia que ele não estava ali só por coincidência. Era como se me olhasse com misericórdia, como que se soubesse da burrada que havia feito na noite passada, e eu não o culpava. Ele realmente havia pisado na bola.

- Bom dia , Cintya! – Disse efusiva passando reto e comprimentando-a com os olhos, virei-me para Landon e dei um sorriso fraco e meio irônico. –Landon... – Ele não demonstrou nenhuma reação a não ser encarar-me enquanto passava por ele. Estranho. Landon não perderia nem se quer uma oportunidade de me chacotear.

- Não me deve uma explicação? – Perguntou ele enquanto já mantinha-mos uma distancia até bem grande. Seria bom de mais para ser verdade. Virei-me cínica e encarei-o como se não soubesse do que dizia. Lógico que eu o devia uma explicação sobre o meu atraso. Como chefe, mas como Landon o que eu mais queria era dizer-lhe que não o devia nada além de contratos no final do mês.

- Oh! Me desculpe. O meu despertador não tocou. – Disse simplesmente com um sorriso fraco e continuei a andar. Queria tanto ter lhe dito algo como “ Me desculpe Sr. Dylar, é que eu tive uma noite inteira de sexo animal e hoje não tive nem forças para levantar-me da cama.” Seria realmente um sonho se tornando realidade, mas tinha que respeita-lo como chefe. (infelizmente). Ele sorriu maliciosamente e eu tremi. Sabia que alguma coisa estava prestes a vir.

- Você sabe que terá que cobrir esses seus... – Ele checou o relógio e voltou a me encarar. – 45 minutos de atraso hoje a noite não é? - Ele disse com um ar didático. Eu tinha certeza que ele estava tentando me punir por causa do que tinha acontecido ontem com o Sr. Delaney. Se ele queria brincar esse jogo, eu apostaria todas as minhas fichas então.

- Oh, não tem problema. Tenho certeza que arranjarei uma companhia para ficar até mais tarde aqui. Falando nisso, o Sr. Delaney ainda está aqui em Nova York, não está?! – Perguntei vitoriosa com um ar despreocupado como se não soubesse a ligação entre as minhas duas suposições..

- Sim, Sr. Kemper – Respondeu Cintya que acompanhava a história, mas sem se intrometer. – Na verdade, ele está na sala do Sr. Dylar nesse instante. Ele e o Sr. Tanehill estão tempo uma reunião sobre uma clausula do contrato, mas creio que... – Subitamente Cintya parou ao encarar os olhos enfurecidos de Landon que eram como tentassem faze-la se calar. Eu me senti mais vitoriosa ainda sabendo que ele estava com ciúmes do Sr. Delaney. – Mas... Não sei... Talvez acabem tarde... – Disse reticente, como se quisesse desfazer o que já havia dito. Eu ri despreocupada e encarei Landon satisfeita.

- Ótimo. Falarei com ele assim que acabar. Quem sabe ele não me faz companhia até o meu final do turno. – Disse sorridente. – Prolongado não é? – Landon tossiu levemente e reajustou a gravata como se estivesse nervoso. Nunca havia lhe visto assim.

- Quer saber, Sr. Kemper? – Ele disse retomando a pose de indiferente.- Quem nunca teve um contratempo com o despertador, não é? Não vou te prender aqui por isso. – Ele sorriu levemente.- Até eu mesmo já perdi um dia de trabalho por causa disso! Então por que você não esquece isso e...

- SENHOR DELANEY! – Gritei exaltada ao vê-lo sair da sala de Landon. Ignorei totalmente o que acabara de dizer e passei por ele fazendo questão de esbarrar levemente no seu obro. Sabia que estava fazendo isso só para o irritar. Era uma guerra afinal.

- Senhorita Kemper! – Disse igualmente exaltado dando-me um aperto de mão mais demorado do que o usual, fazendo o sangue de Landon ferver. – Está tudo bem? O que houve ontem a noite eu a senhorita teve que sair as pressas? Aconteceu alguma coisa? – Disse ele se preocupando com um sotaque inglês. O que me fez mais feliz ainda.

- Não, não. Não aconteceu nada. Acontece que algum idiota me ligou dizendo uma bobagem sobre uns contratos que eu tinha feito. Acontece que era só um engano. Um engano de um idiota. – Disse fazendo questão de repetir mais uma vez a palavra ‘idiota’. Servisse a carapuça a quem servisse. – Mas está tudo bem agora. Eu só queria me desculpar por ter saído derrepente, nem consegui te mostrar um pouco de Nova York.- Disse com uma cara decepcionada.

- Não, não, senhorita! Não tem problema algum! Que tal você me recompensar saindo hoje a noite comigo para me mostrar um bom restaurante aonde possamos jantar? Você topa? – Eu senti o calor emanado do corpo de Landon que estava atrás de mim. Não tive coragem nem de me virar para ver a sua cara. Seria trágico de mais. ( ou engraçado de mais). Sabia que ele estava roendo o próprio ego ao presenciar essa cena. Eu já tinha falado que não esperaria por ele a minha vida toda, era bom que ele se lembrasse disso as vezes.

- Oh, sim! Eu vou com toda certeza. Já que hoje ficarei mais tarde aqui no escritório... – Dizendo isso olhei de relance o para Landon. – Será que podemos combinar lá pelas...hum... deixe-me ver... 20:30?

- Sim, claro. Me passe seu endereço que oito e meia passarei por lá. Sou britânico. Britânico são pontuais. – Dizendo isso Henry piscou seu olho esquerdo para mim de leve. Eu dei uma leve risada. Peguei uma caneta no balcão da recepção e um papel e anotei me endereço e meu número.

- Aqui está. Te espero oito e meia então! – Disse sorrindo abertamente. Henry sorriu, se despediu de todos e saiu. Landon estava estático, encarando-me quase boquiaberto diante da minha reação. Aquilo era mais gostoso do que parecia. Estar no controle. – Bem, preciso ir trabalhar então. Desculpe pelo atraso sr. Dylar. – Sorri ironicamente sabendo que na verdade não me desculpava. Virei-me dando as costas para Landon e seu queixo caído.

A vingança nunca me pareceu tão doce.

Veri.

I Can't Let Go - Cap. 17 - Café Habana, at Elizabeth St.

Landon fez questão de dirigir até o café, é claro.Ele não perderia a oportunidade de me pedir ‘gentilmente’ para me sentar no banco de trás.
Durante o trajeto eu fui totalmente excluída da conversa.Landon e Henry discutiram sobre negócios até não ter mais assunto.Citavam o tempo todo, nomes de pessoas que ambos conheciam, e que eu não fazia idéia de quem fosse, o que me colocava ainda mais fora dos assuntos.E quanto mais eles falavam sobre assuntos desconhecidos mais Landon se empolgava.Claro, eu estava sendo obrigada e calar a boca.Ok, 1 a 0 Landon.
Mas não por muito tempo.
Foi um alívio avistar o letreiro ‘Café Habana’, pois assim eu tive uma desculpa para falar algo nem que fosse inútil.
- Olhem, já estamos chegando! – tipo isso.Não foi legal, porque ninguém respondeu.Na verdade pareceram nem ouvir o que eu dissera, porque continuaram falando.Landon ouvira, eu sei que ouvira.Eu seria capaz de berrar um palavrão na orelha dele naquele momento.Ok, ok!2 a 0 Landon.
Quando descemos do carro procurei fazer barulho com os saltinhos para que pelo menos um dois reparasse um pouco mais em mim.Eu estava a beira do desespero.Landon conseguira me irritar.De verdade.
Nenhum dos dois puxou a cadeira para eu me sentar.Por que eu ainda esperava isso?Talvez Henry puxasse, mas estava muito mais preocupado com as taxas de exportação no momento.Peguei o menu e meus óculos.Comecei a lê-lo emburrada e quieta.Era assim que eu ficava quando estava brava e não podia fazer nada respeito para melhorar.A não ser que...Aproveitei da vantagem de estar quase de frente para Henry e cruzei a perna de modo, acreditem, bastante sensual.Se eu não estivesse num café e usasse roupas um pouco menos comportadas, alguém poderia dizer que eu era uma stripper profissional. Empatei o jogo! É claro que eu atraíra a atenção dele.E...De Landon.

- Já escolheu seu pedido, srta Kemper? – falou Henry parando de falar de negócios bruscamente.Era a oportunidade perfeita.
- Ainda não Sr. Delaney, estou esperando que escolha o seu.Afinal, o sr é nosso convidado – ele sorriu, e Landon chamou o garçom.Os pedidos foram feitos.
- É um café muito agradável srta Kemper – comentou ele.
- Por isso o escolhi para trazer o sr. – falei sorridente.
- Eu também adoro esse café – falou Landon tentando não ficar fora da conversa.
- Muitas vezes, quando não tenho nenhum jantar inesperado a noite, Sr. Delaney, venho aqui depois que saio da OwnBusiness.É ótimo depois de um dia estressante de trabalho – falei com leve tom irônico.Landon me lançou um olhar, que tinha certeza que sairiam lasers de olhos.Henry riu descontraidamente.
- E quem é que pode ter um dia estressante naquela empresa?Eu adoraria trabalhar lá, o ambiente parece ótimo – falou para mim e Landon.Eu adoraria dizer ‘parece, SÓ, parece’.Mas não falei, como sempre.
- O ambiente é mesmo ótimo, só que as vezes alguns funcionários passam dos limites, o sr. sabe como é... – falou Landon interrompendo o que eu poderia dizer.Nossos pedidos chegaram, e o garçom nos serviu.
- Claro, sr, Dylar, claro.Não pense que na Inglaterra é diferente – neste momento eu tive vontade de dizer ‘nossa, o sr também tem um caso com uma de suas funcionárias?’ – Nós temos que ser rígidos.
- Com toda certeza – falou Landon dando um galé em seu café.
- Mas eu creio que este é um atributo que não se encaixa em sua funcionária aqui – e me olhou com aqueles olhos azuis e sorriu antes de colocar a xícara nos lábios.Por essa eu não esperava.Esperei que Landon dissesse algo, pois não consegui se quer sorrir.
- A srta. Kemper é... – fiquei com medo do pudesse vir depois – estreitamente profissional – falou Landon.Profissional? Ele estava se referindo ao nosso envolvimento?Agora ele havia apelado.
- Eu não tenho dúvidas, sr. Dylar, eu não tenho dúvidas – completou Henry.
- Sr. Delaney, espero que esteja mesmo gostando da cidade, pois ainda há muita coisa para ver – falei mudando o assunto.
- Oh sim – falou ele – Nova York é mais do que eu esperava! Espero ter mais assuntos de negócios para poder voltar mais vezes aqui.
- Espero que o sr. tenha mais motivos do que assuntos de negócios para poder voltar aqui, sr. Delaney – falei em tom gentil.Landon engasgou com café e começou a tossir.
- Sr. Dylar? – falou Henry – O Sr. Quer ajuda? – disse dando leve batidas nas costas de Landon.
- Não...cof cof! – disse Landon meio desconcertado – Estou bem!Eu só...Preciso ir ao toalete!Ele jogou com certa força seu guardanapo em cima da mesa e se levantou atraindo a atenção das mesas vizinhas e se dirigiu ao banheiro masculino.
- Eu disse alguma coisa? – perguntou Henry a mim.
- Oh, não, não!Acredite o sr. Não disse nada.Landon apenas engasgou.Essas coisas acontecem... – falei me sentindo culpada.Acho que eu tinha ido longe demais.
- A srta. é muito gentil srta. Kemper – E ao dizer tal frase pegou na mão que estava apoiada em cima da mesa.Olhei para o banheiro e Landon estava olhando para nós.Quando meu olhar encontrou o dele e entrou rapidamente no banheiro.
- Será que ele esta bem mesmo? – perguntou Henry em tom preocupado.
- Eu não sei...Talvez...Talvez seja melhor eu verificar – E me levantei também indo na direção de Landon.Henry ficou sentado na mesa, e reparei que ele me observou durante meu trajeto.Ainda tenho dúvidas se seu olhar era de ansiedade por conta do que acontecera ou se apenas era para as minhas curvas.Fiquei com a primeira opção.
A porta do banheiro masculino estava aberta, e eu não sabia como fazer para tirar Landon de lá.Olhei para os lados.Nenhum homem a vista.Dei meu primeiro passo para dentro do banheiro masculino, quando um homem veio saindo lá de dentro dando de cara comigo.
- Ah! – exclamei desconcertada – Banheiro...errado!
- O feminino é o da frente senhorita – falou ele apontando para as minhas costas.
- Ah, eu sabia! – falei rindo de vergonha – Não...na verdade não sabia – mais um riso – eu vou pra lá então – e apontei para trás.O homem me olhava com ar de pena.
- Á vontade! – falou ele se desviando de mim e de minha ridicularidade para se dirigir a sua mesa.Corei de vergonha.Como eu faria para falar com Landon a sós?Eu não ficaria gritando ‘Landon...Landon...LANDON!’ na porta do banheiro porque além de parecer uma maluca, pareceria uma idiota.De repente avistei Landon saindo do banheiro.Não pensei duas vezes.Agarrei com toda força no braço dele e o puxei.
- Mas o que...? – tentou ele.
- SHHHHHH! – falei depressa tampando sua boca e o jogando para dentro do banheiro feminino.Abri o primeiro box que havia e tratei de nos enfiar lá dentro.Felizmente não havia nenhuma mulher no banheiro.Bem, na verdade havia, mas elas estavam dentro dos boxes então não fez diferença.
- Você ficou louca? – falou ele ofegante.
- Fiquei.Assim como você ficou!Que cena foi essa na frente do Sr. Delaney?
- Ora...Quem é que está sendo ousado aqui? – falou ele nervoso.
- Fale baixo! – falei – Você não podia ter feito isso.Foi uma atitude infantil!O Sr. Delaney é muito importante para empresa, será que não percebe isso?
- Para a empresa e para você não é?Parece que não é só a OwnBusiness que precisa dele! – eu lhe lancei um olhar irritado – E eu é quem deveria ter dito a sua ultima frase.Sou seu chefe!

- Querida, você acha que meus seios ficaram muito grandes depois do silicone?
- Oh!Não, estão ótimos, seu marido gostou?
- Adorou!Ontem à noite então...uma loucura!Ele tirou minha blusa e o sutiã com os dentes e...

Eu e Landon nos entreolhamos.As vozes foram sumindo, indicando que as donas do diálogo deixaram o banheiro.Aquele não era o momento para ouvir aquela conversa.
- Então é disso que vocês falam no banheiro? – perguntou Landon tentando conter o riso, assim como eu.
- Não.É disso que elas falam! – falei voltando a ficar irritada.
- Ah...Claro – falou ele – você não deve ser mulher então.
- Não seja ridículo Landon! – falei com a voz alterada – E que tipo de chefe é você, que não sabe ao menos tratar um cliente?
- O que você esta querendo dizer? – falou ele corando.
- Que eu acho que você entendeu! – eu estava tão nervosa quanto ele.
- Porque não abriu logo as pernas pra ele lá na mesa e o agarrou, então?Seria, mas fácil e rápido para os dois! – Percebi que ao dizer isso Landon se arrependeu na hora.Mas já era tarde demais.Meus olhos se marejaram e eu me senti como uma prostituta.Ele conseguira mesmo me atingir.
- Não...Isabela...Olhe... – falou ele tentado consertar.Abri a porta do box violentamente e saí andando em direção à saída.Quando Landon saiu atrás de mim duas mulheres que estavam no banheiro olharam horrorizadas.E então ouvi Landon dizer alterando a voz:
- Não tão depressa querida!Vai gastar as solas dos sapatos! – Ok, aquilo fora engraçado.Mas eu não senti vontade nenhuma de rir.
- Sr. Delaney, o sr realmente me desculpe! – falei pegando a bolsa – eu tive um contratempo agora mesmo e vou ter que...
- Ai meu DEUS! – falou uma figura com salto alto, óculos escuros e bolsa Prada à minha frente – O Habana andou contratando garçonetes novas e não me avisaram? – Angelina Aniston, como sempre, não descia do salto.Literalmente.
- Ah não! – ouvi Landon dizer as minhas costas com ar de desânimo.
- Quem é ela? – perguntou Henry.
- É o que eu também estou me perguntado Sr. Delaney – falei depressa e baixinho.
- LANDON! - berrou ela com voz estridente atraindo a atenção de todo o café.Ela correu até Landon fazendo questão de esbarrar em mim e o abraçou com tanta força que achei que fosse esmagá-lo – O que está fazendo aqui?
- Com toda certeza, não o mesmo que você – falou ele.
- Ora...eu estava dando uma passadinha em um shopping aqui perto e aproveitei para vir tomar um café aqui!Você sabe que aqui há o me-lhor muffin da cidade!
- É...devo saber - respondeu ele desanimado.
- Quem é ele? – disse ela apontando para o sr. Delaney.
- Eu perguntei o mesmo da srta a pouco – falou Henry cavalheiramente – permita que eu me apresente – e se levantou – Henry Delaney.Encantado – e ao dizer isto beijou delicadamente a mão esquerda de Angelina.Ela sorriu acanhada, e visivelmente atraída.Mas também...Que mulher que não ficaria?
- O prazer é meu – respondeu ela – Lamento que um homem como o senhor esteja desfrutando de tão más companhias - e olhou para mim de cima em baixo.Eu já não agüentava mais.Já havia ouvido o suficiente.Tudo o que eu não precisava era dos insultos de Angelina.
- Até logo sr. Delaney – Me limitei a dizer dando às costas.
- Mas já vai? – falou ela – Sendo que ainda nem fechou o expediente?
- O meu expediente termina às 9 – falei me virando para ela e para todos – Na OwnBusiness.E eu já vou, porque ao contrário de você eu tenho muito o que fazer ao invés de fazer comprinhas no shopping numa quarta-feira à tarde! – ela pareceu pasma.Assim como Landon e Henry – Com licença - falei me virando e indo embora.
Definitivamente não me arrependi de nenhuma palavra dita.Cada uma, cada uma valera a pena.Mas as palavras de Landon ainda me martirizavam e eu chorei do café até em casa.
Me larguei no sofá com uma certeza: Purê de batata e muito, MUITO ketchup.


Isa.