quarta-feira, 3 de setembro de 2008

I Can't Let Go - Cap. 18 - Tempo Britânico

Se fosse para listar as coisas que eu mais odeio nesse mundo, com toda certeza o que estaria no topo desta lista seria “ acordar com o telefone”, e logo em seguida teria “ não achar o telefone”, meu dia começara com ambos. Meus olhos abriram em um susto quando ouvi o som estridente do telefone abafado por alguma coisa. Ainda meio sonolenta procurei-o, em vão, estendendo preguiçosamente minha mão sobre o criado mudo. Consegui enfiar meus dedos no prato de purê de batata ressecado pela noite, que estava ao meu lado. Ponto positivo para mim. Suspirei fundo e limpei meus dedos em minha camisola. O telefone ainda continuava a tocar. Revirei-me procurando-o e achei-o escondido sobre uma dobra da coberta. Tratei logo de apertar qualquer botão para atendê-lo.

-Alô? - Respondi meio aflita.

- Filha!? – Revirei os olhos pensando no que mais iria acontecer nesse dia para torná-lo memorável como “O pior dia de todos”. Agora só o que me faltava era esbarrar com Angelina por aí para torná-lo per-fei-to.

- Oi mãe... – Disse longamente me enfiando de volta nas cobertas.

- Você sabe há quanto tempo estou aqui sem noticias suas?! Faz idéia?! Qual é o problema com a sua secretária eletrônica? Aposto que é você que não ouve as suas mensagens! – É, ela tinha acertado nisso. – Só por que foi morar sozinha acha que não me deve satisfação?! Nada disso, mocinha!

- Mãe, mãe!- Disse interrompendo as ladainhas enfurecidas de minha mãe. - Olha, está tudo bem, Ok?! Eu estou ótima! Só que agora com esse meu trabalho não estou tendo tempo nem para pensar! – O que era até que verdade. - Me desculpa! Ia entrar em contato assim que possível! Mas não deu! Juro!

- Sei, sei! Em falando em trabalho, você não deveria estar no seu escritório já?! – Contemplei a pergunta por alguns instantes em silêncio, minha mãe por fim completou. – Pensei que seu expediente começasse a 15 minutos atrás. – Silencio de novo. – São 08:15, querida. – Meus olhos se arregalaram e uma dose cavalar de adrenalina foi jogada no meu sangue.

-PUTA QUE ... – Lembrei da minha mãe na linha e tentei me conter. – Tenho que correr, mãe! Tchau!! – Joguei o telefone na base e saí o mais rápido que pude. Sabia que depois teria que ligar para minha mãe e ouvir o triplo de ladainhas sobre o meu comportamento e meu vocabulário inadequado, mas que se dane. Voei sobre as ruas de Nova York como realmente pensei que nunca poderia. Nem tinha se quer olhado no espelho, já me faltava ter que chegar na OwnBusiness ter que explicar tudo a Landon. Cafajeste. O que ele havia me dito ontem a noite realmente não descia pela minha garganta. Eu sabia que estava sendo descarada com Sr. Delaney mas bem que Landon mereceu depois de tudo que tinha feito comigo. Não me arrependia. Se fosse para me arrepender me arrependeria de não ter lhe esmurrado a cara ao ter falado aquilo, mas não poderia colocar meu trabalho em risco. Só por isso.

A minha maleta deslizava pelo meu ombro enquanto corria no saguão principal tentando amarrar meu cabelo e pegar o elevador ainda aberto. Estava atrasada a quase 40 minutos e não conseguia deixar de imaginar a cara de Landon quando chegasse até lá. O elevador abriu no meu andar e eu saí correndo, só ouvindo o ressoar dos meus saltos sobre aquele saguão de mármore branco. Na recepção avistei Cintya logo de cara, ocupada sempre com os seus vinte milhões de telefonemas. Nada de Landon por enquanto. Era só pensar no diabo que ele aparecia. Lembrei disso tarde de mais. Derrepente, vindo de não sei aonde, aparece Landon debruçado na mesa da recepção. Ele estava me esperando aparecer ou era só coincidência? Cintya e Landon logo notaram a minha presença. (também com aquele barulho de salto que não repararia?). Senti os olhos dele pesando em mim e sabia que ele não estava ali só por coincidência. Era como se me olhasse com misericórdia, como que se soubesse da burrada que havia feito na noite passada, e eu não o culpava. Ele realmente havia pisado na bola.

- Bom dia , Cintya! – Disse efusiva passando reto e comprimentando-a com os olhos, virei-me para Landon e dei um sorriso fraco e meio irônico. –Landon... – Ele não demonstrou nenhuma reação a não ser encarar-me enquanto passava por ele. Estranho. Landon não perderia nem se quer uma oportunidade de me chacotear.

- Não me deve uma explicação? – Perguntou ele enquanto já mantinha-mos uma distancia até bem grande. Seria bom de mais para ser verdade. Virei-me cínica e encarei-o como se não soubesse do que dizia. Lógico que eu o devia uma explicação sobre o meu atraso. Como chefe, mas como Landon o que eu mais queria era dizer-lhe que não o devia nada além de contratos no final do mês.

- Oh! Me desculpe. O meu despertador não tocou. – Disse simplesmente com um sorriso fraco e continuei a andar. Queria tanto ter lhe dito algo como “ Me desculpe Sr. Dylar, é que eu tive uma noite inteira de sexo animal e hoje não tive nem forças para levantar-me da cama.” Seria realmente um sonho se tornando realidade, mas tinha que respeita-lo como chefe. (infelizmente). Ele sorriu maliciosamente e eu tremi. Sabia que alguma coisa estava prestes a vir.

- Você sabe que terá que cobrir esses seus... – Ele checou o relógio e voltou a me encarar. – 45 minutos de atraso hoje a noite não é? - Ele disse com um ar didático. Eu tinha certeza que ele estava tentando me punir por causa do que tinha acontecido ontem com o Sr. Delaney. Se ele queria brincar esse jogo, eu apostaria todas as minhas fichas então.

- Oh, não tem problema. Tenho certeza que arranjarei uma companhia para ficar até mais tarde aqui. Falando nisso, o Sr. Delaney ainda está aqui em Nova York, não está?! – Perguntei vitoriosa com um ar despreocupado como se não soubesse a ligação entre as minhas duas suposições..

- Sim, Sr. Kemper – Respondeu Cintya que acompanhava a história, mas sem se intrometer. – Na verdade, ele está na sala do Sr. Dylar nesse instante. Ele e o Sr. Tanehill estão tempo uma reunião sobre uma clausula do contrato, mas creio que... – Subitamente Cintya parou ao encarar os olhos enfurecidos de Landon que eram como tentassem faze-la se calar. Eu me senti mais vitoriosa ainda sabendo que ele estava com ciúmes do Sr. Delaney. – Mas... Não sei... Talvez acabem tarde... – Disse reticente, como se quisesse desfazer o que já havia dito. Eu ri despreocupada e encarei Landon satisfeita.

- Ótimo. Falarei com ele assim que acabar. Quem sabe ele não me faz companhia até o meu final do turno. – Disse sorridente. – Prolongado não é? – Landon tossiu levemente e reajustou a gravata como se estivesse nervoso. Nunca havia lhe visto assim.

- Quer saber, Sr. Kemper? – Ele disse retomando a pose de indiferente.- Quem nunca teve um contratempo com o despertador, não é? Não vou te prender aqui por isso. – Ele sorriu levemente.- Até eu mesmo já perdi um dia de trabalho por causa disso! Então por que você não esquece isso e...

- SENHOR DELANEY! – Gritei exaltada ao vê-lo sair da sala de Landon. Ignorei totalmente o que acabara de dizer e passei por ele fazendo questão de esbarrar levemente no seu obro. Sabia que estava fazendo isso só para o irritar. Era uma guerra afinal.

- Senhorita Kemper! – Disse igualmente exaltado dando-me um aperto de mão mais demorado do que o usual, fazendo o sangue de Landon ferver. – Está tudo bem? O que houve ontem a noite eu a senhorita teve que sair as pressas? Aconteceu alguma coisa? – Disse ele se preocupando com um sotaque inglês. O que me fez mais feliz ainda.

- Não, não. Não aconteceu nada. Acontece que algum idiota me ligou dizendo uma bobagem sobre uns contratos que eu tinha feito. Acontece que era só um engano. Um engano de um idiota. – Disse fazendo questão de repetir mais uma vez a palavra ‘idiota’. Servisse a carapuça a quem servisse. – Mas está tudo bem agora. Eu só queria me desculpar por ter saído derrepente, nem consegui te mostrar um pouco de Nova York.- Disse com uma cara decepcionada.

- Não, não, senhorita! Não tem problema algum! Que tal você me recompensar saindo hoje a noite comigo para me mostrar um bom restaurante aonde possamos jantar? Você topa? – Eu senti o calor emanado do corpo de Landon que estava atrás de mim. Não tive coragem nem de me virar para ver a sua cara. Seria trágico de mais. ( ou engraçado de mais). Sabia que ele estava roendo o próprio ego ao presenciar essa cena. Eu já tinha falado que não esperaria por ele a minha vida toda, era bom que ele se lembrasse disso as vezes.

- Oh, sim! Eu vou com toda certeza. Já que hoje ficarei mais tarde aqui no escritório... – Dizendo isso olhei de relance o para Landon. – Será que podemos combinar lá pelas...hum... deixe-me ver... 20:30?

- Sim, claro. Me passe seu endereço que oito e meia passarei por lá. Sou britânico. Britânico são pontuais. – Dizendo isso Henry piscou seu olho esquerdo para mim de leve. Eu dei uma leve risada. Peguei uma caneta no balcão da recepção e um papel e anotei me endereço e meu número.

- Aqui está. Te espero oito e meia então! – Disse sorrindo abertamente. Henry sorriu, se despediu de todos e saiu. Landon estava estático, encarando-me quase boquiaberto diante da minha reação. Aquilo era mais gostoso do que parecia. Estar no controle. – Bem, preciso ir trabalhar então. Desculpe pelo atraso sr. Dylar. – Sorri ironicamente sabendo que na verdade não me desculpava. Virei-me dando as costas para Landon e seu queixo caído.

A vingança nunca me pareceu tão doce.

Veri.

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