terça-feira, 22 de julho de 2008

I Can't Let Go - Cap. 14 - Paisagem

Quando dei por mim já me encontrava dentro da sala de Landon. Malditos pés! Meu corpo estava me traindo de novo, fazendo coisas que a minha razão deveria me deter.

- Feche a porta quando entrar, por favor. - Ele pediu com uma voz meiga, bem mais meiga do que ele havia falado com Angelina ( que não era muita coisa por que até um cachorro era tratado melhor do que Angelina foi, e com razão!). Assim o fiz. Quando virei-me Landon se direcionava para a mesa grande de sua sala, onde estavam uma pilha de arquivos organizados sobre ela , junto com alguns materiais de escritórios e um computador muito bonito ( bem mais sofisticado que o meu, pelo menos). Ele encostou suas costas na beirada da mesa, cruzando os braços enquanto me encarava. Sentia seus olhos passeando pelo meu corpo, des dos meus sapatos finos até o ultimo fio de cabelo preso em um coque mal apanhado. Mas por mais estranho que parecesse, seu olhar não me julgava ou me analisava, era como se me reverenciasse, como se apreciasse cada curva feita pelo meu contorno. Aquilo estava me deixando desconfortavel. Não pelo fato que não gostava, mas pelo fato que estava gostando. E até demais, e aquilo não iria ser bom. Toci levemente fazendo-o se dar conta do que estava fazendo, mas ele não pareceu nenhum pouco envergonhado pelo ato, pelo contrário, era como se perguntasse se havia gostado. Ele e seu sorriso. Meu coração disparou e eu corei furiosamente. Eu tinha que ser breve e voar dali o mais rápido possivel.

- Então, o que foi? - Perguntei diretamente, sem nenhum tipo de floriação pelo fato dele ser meu chefe. Ele suspirou demoradamente e mordeu o canto do lábio. (meu deus...)

- Eu só queria me desculpar pela cena de agora pouco... A Angelina as vezes tem um comportamente imprevissivel!- Ele disse gesticulando sem desviar os olhos dos meus. Aquela segurança havia voltado de novo. - Eu sei que você só queria ajudar. - Ele sorriu levemente e eu forcei outro.

- É... Eu tenho que aprender a deixar de me meter em problemas que não me pertencem. - Eu disse rispidamente, algo que fez seu sorriso murchar levemente. Eu estava tentando controlar a minha raiva que praticamente dominava o meu corpo. Angelina... Noiva?! A sua fala ficava se repetindo em minha mente enquanto eu tentava dessesperadamente não pensar naquilo, mas era impossivel. Aquilo me atingiu como um soco na boca do estomago. Um silencio incomodo tomou a sala. Meu olhar as vezes caia no chão, mas o dele pareceu-me mais seguro do que nunca.

- Eu não sou um assunto que te pertence? - Ele disse objetivamente. Tá... eu não estava esperando por esta. Eu estava tentando tomar as rédeas da situação, mas parecia que sempre quando eu estava perto de alcança-las, Landon sempre fazia primeiro. Mas não essa vez.

- Não o seu noivado. - Eu disse transparecendo um pouco de dor na minha voz. Algo que não pude conter por que era o que realmente estava sentindo. Landon encarou-me fixamente e agora a seu rosto não tranparecia qualquer tipo de emoção. Estava apático, e eu não sabia o que pensar. Ele descruzou os braços do peito e apoio-se na mesa, se distanciando um pouco desta.

- Então não há mais nada a se preocupar... - Disse ele reticente enquanto se distanciava cada vez mais da mesa.-Por que o meu noivado é um assunto que também não me pertence. - Ele disse enquanto caminhava e as mãos seguiam suas pernas.
- Não foi o que ouvi Angelina dizer. - Eu retruquei rispidamente tentando me manter firme. Ele se aproximava. Lentamente se aproximava. Eu já sentia o seu calor atravessando aquela coluna de ar frio que se encontrava entre nós.

-Não confie em nada do que Angelina diz. Mas eu acho que voce já sabe disso, não? - Sua voz ia abaixando a medida que seu corpo se aproximava do meu. Deixei que minha respiração atacada saisse baixa por entre meus lábios abertos. Seus olhos brilhavam sedução, um brilho ofuscante que acabou por me cegar e me envolver.

-Não... - Sussurrei baixinho enquanto seu rosto se mantinha a cerca de um malmo do meu. Era impossivel resistir. - Mas então... em quem devo confiar? - Eu perguntei com os olhos nos seus, tentando não ceder sobre as minhas pernas bambas. Ele nos aproximou ainda mais, e eu sentia seu hálito quante batendo no meu. Ele tinha algo... algo que me fazia sair de mim. Era como se perto dele eu me transformasse em outra pessoa, uma pessoa sem controle. Sua mão veio afastar algumas mechas sobre a minha maça do rosto.

- Confie em mim... Você pode fazer isso? - Suas palavras batento em meus lábios calados. ~Eu era como uma panela de pressão prestes a explodir, mais um pouco e eu ia...

- Seu café, Sr. Dylar! - Disse Cyntia abrindo a porta e entrando. - Ah meu Deus!!! - Ela gritou quando deu-se com a imagem de ambos. Landon tratou de se afastar de mim o mais rápido que pude, e eu fiz o mesmo. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem sei como. Cyntia fechou os olhos com força como se desculpando por ver a cena, ao memso tempo ela tentou entregar o café com os olhos fechados, o que não deu certo. O café quente virou-se quase inteiro sobre a camisa e principalmente sobre a Calça de Landon. - Céus!! Sr. Dylar me desculpe! Ai meu deus! - Cyntia gritava enquanto se ajoelhava para limpar a calça social do chefe. Se alguem entrasse naquela hora iria pensar algo pervertido sobre aquela situação. Landon sorria e tentava recuar sobre a mão da secretária que apertava veementimente a o pano da calça.

- Não! Tudo bem Cyntia, eu me limpo! - Ele repetia. Ela negava e continuava a limpar, estranhamente, a sua calça.

- Sr. Dylar! Me desculpe eu não sei o que dizer! Céus! - Landon sorria constrandido e eu ficava a encarar aquela sem saber o que fazer. A primeira coisa que se passou na minha cabeça foi o que acabei por fazer ; Fugir. Sim, eu sei que foi uma ação de uma criançinha assustada, mas estar com Landon era estar fora de mim! Eu eu gostava de saber o que eu estava fazendo. Quanto mais longe de Landon, melhor seria. Em todos os aspéctos. Eu caminhava nervosa pelos corredores, tentando me afastar o mais rápido de sua sala.

- Isabela! Espere! - Eu ouvi a voz de Landon ecoando pelos corredores. Olhei para trás e vi a cena, que no minimo, era engraçada. Landon Corria de maneira desengonçada, com a calça manchada, enquando Cyntia corria atrás dele com uam pano na mão, e enquanto todos do escritório pararam seus afazeres para presenciar tal cena. Fingi que não havia escutado ele gritar meu nome e virei o corredor. Agora tinha mais razões para permanecer longe dele do que perto. Avistei uma porta a minha esquerda. Ouvia os passos de Landon se aproximando, e como instindo, abri a porta o mais rápido que pude e entrei. Me deparei com um grande lance de escadas de concreto. Nunca havia subido pelas escadas no periodo que trabalhava ali, então a sua existencia era desconhecida para mim. Olhei para cima para ver, a cerca de uns cinco andares para cima , a cobertura do edifício. Era melhor levar Landon para conversar lá, já que sabia que ele não iria parar de correr atrás de mim até sentarmos e conversamos. Era melhor correr e esperar que ele me seguisse. Era estranho pensar que desde quando o conheci eu tratava a nossa relação como uma garotinha brinca de pega-pega. Eu já era madura o suficiente para parar, pensar e adimitir meus sentimentos, então por que eu insistia em fugir? Era algo além do meu controle. Minhas pernas doiam enquanto eu me esforçava para subir o último andar. Conseguia ouvir os passos e os gritos de Landon (sozinhos, agora), que me seguiam escadaria a cima. Joguei-me na barra da porta e ela se abriu com força. Corri até o parapeito e apoiei-me tentando recuperar o folego. O vento era frio e intenso na quela altura e eu conseguia avistar praticamente toda Nova Iorque. Algo embriagante, mas ao memso tempo, vertiginoso. Outro som forte ecoou e eu sabia que era Landon.

- Qual é o seu problema? - Disse arfando entre os suspiros em busca de ar, apoiando-se na porta recem aberta.

- Eu sabia que você iria me seguir, é só um lugar melhor para nós conversarmos. - Eu disse me aproximando dele.

- Ah... - Disse ele levantando os olhos cansados para mim. - Nesse caso, bem pensado! - Ele agora sorriu como se aquilo o surpreendesse. Eu fiquei o abservando por bastante tempo enquanto ele se recompunha. Tempo que me permitiu pensar no que dizer.

- Landon... - Chamei-o e ele me fitou. - Vamos acabar com isso logo... Vamos parar de...nos enganar... Eu... - Ele ergue-se e voltou as suas proporções o que me intimidou um pouco para continuar a falar. Eu neguei a cabeça levemente apertando os dedos. - O que aconteceu naquela noite foi...

- Mágico. - Ele me interrompeu completando a minha sentença. Eu sorri tristemente por que sabia que havia sido mágico, sabia que era o que eu queria, mas não era certo. Iria somente complicar ainda mais a vida já complicada que tinhamos. Eu neguei levemente e agi pela primeira vez como uma adulta alí naquela relação.

- Foi um erro... E eu sei que voce também sente isso. - Ele desviou os olhos para o chão e bufou, como um sinal de negação. Eu me aproximei tentando me manter o mais firme possivel. - Não, Landon... Olha... Vamos terminar antes mesmo que isso começe e chegue a algum lugar. Esse é o melhor jeito.Você tem... tinha a sua vida pronta antes de me conhecer e tenho certeza que vai continuar com ela assim que eu sair. - Eu me aproximei e depositei de leve minha mão no lado de seu braço, e ele permaneceu imovel.- Não estou negando o que aconteceu entre nós, estou apenas tentando deixar as coisas mais fáceis para nós dois! Por favor... - Ele sorriu fracamente esquivou-se de minhas mãos, passou por mim e caminhou até o parapeito. Fiquei imóvel e surpresa pelo seu ato.

- Desde quando você se tornou adulta? - Ele perguntou de maneira sarcástica como se tivesse ignorado tudo aquilo que eu havia dito até agora. Eu encarava suas costas arqueadas sobre o para-peito e seus cabelos castanhos claros moldando-se com o vento. Aquela afirmação realmente me abalou. Ele via-me como antes... Apenas aquela pequena garota indefesa e sem vontade própria que o seguiu pelos corredores. Eu queria realmente mostrar que aquela pessoa não era mais eu. Aquela menina morreu...há muito. Agora, quem ditava as regras da minha própria vida era eu, não mais um menino qualquer que me enganava por nada. Enguli todas aquelas memórias e voltei a encara-lo nervosa.

- E desde quando você me viu como uma criança? - Perguntei firme. Ele não se moveu. Permaneceu a encarar a vista com os olhos baixos. Ele não tinha nada para me dizer, como sempre. Sorri forçadamente e afirmei levemente. - Que bom que tivemos essa conversa. - Eu afirmei ironicamente diante de seu silêncio. Caminhei pelo terraço até a porta de metal. Empurrei-a e olhei novamente para trás, como uma despedida. - E não pense que vou esperar pelo dia que voce amadureçer, Landon... Receio que a vida não seja tão longa... - Disse por fim fechando a porta atrás de mim e descendo os lances de escadas tranquilamente. Era duro perceber que aquilo tudo que voce sentia era apenas uma ilusão, por que não estava apaixonada por Landon... Estava apaixonada apenas pelas memórias, e queria revivê-las mais uma vez.

Mas sabia que isso era impossivel.

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