terça-feira, 22 de julho de 2008

I Can't Let Go. - Capítulo 1 - Primeiras lembranças

Sentíamos na pele ainda o resquício do outono. A paisagem carmim moldava-se com o vento e tudo parecia prometer um final diferente. O sinal ressoava alto pelos corredores gelados de NorthHight, e como sempre encontrava-me atrasada para a minha aula de francês com o Sr. Clivewood. A sala ficava na ala norte do colégio que indicava uma bela caminhada pela frente. Ergui as mangas do meu casaco aveludado e constatei as horas. A aula havia começado há cinco minutos e nessa altura já nem mais sabia se chegaria a tempo para o primeiro período, mas não custava nada tentar. Taquei a mochila nos ombros e sai pelo portão principal do meu pavilhão caminhando rapidamente pela pequena praça que separavam as duas grandes metades de meu colégio. As árvores voltavam a esverdear-se e eu me senti triste por isso. Gostava daquele típico cenário norte americano de outono. As árvores alaranjadas e aquela brisa fria soprando meu rosto. Acho que era a coisa que eu sentia mais falta quando voltava-mos para o Brasil nas férias. O segundo sinal ressoou pelo colégio, acabando com as minhas esperanças de chegar na hora para assistir a aula maçante do Sr. Clivewood. Me sentia péssima. Por parte, talvez, pelo fato de perder a aula, mas acho que realmente mais me decepcionada era tanta exaustão por nada. A mochila pesada escorreu pelo meu ombro enquanto suspirei pesadamente desanimada. Voltaria para a biblioteca e continuaria estudando alguma coisa de física, esperando a próxima aula. Olhava para o chão vendo aquelas folhas secas se despedaçarem sob meus pés. O barulho quebradiço me distraia um pouco. Levantei os olhos e tirei um pouco das mechas castanhas que caiam sobre meus olhos. Foi aí que parei. A uma distância considerável vi Landon Dylar. Definitivamente, o cara mais bonito de North High. Talvez só para mim, mas eu o achava realmente muito fofo. Fizemos aulas de teatro juntos por um ano. Ele era realmente o tipo de cara qualquer garota teria orgulho de apresentar a mãe. Charmoso, sensível, carismático. Uma box de felicidade, na minha opinião. Ele me lembrava de certa forma aquelas celebridades que víamos na tevê e sabíamos que nunca chegaríamos nem perto de conhecê-las. Era realmente incrível. Sabia que ele não era, nem de longe, o cara mais inteligente (e coloque um não bem grande nisso!), mas seu cabelo brilhava no sol de forma tão perfeita que jurava que naquela hora se tivesse lápis e papel escreveria um poesia só sobre seu brilho. Meio estranho, eu sei. Não pude deixar de sorrir, mas prossegui. Não, eu não era apaixonada por Landon, apenas admirava sua beleza (que era digna de ser admirada, afinal.). Ele sabia de minha existência, eu sei que sabia. Afinal eu não era uma menina excluída. Tinha as minhas qualidades. Meus pensamentos foram interrompidos quando percebi que ele olhava para mim. Olhava diferente para mim. Olhava e sorria diferente para mim! Era demais para agüentar. Ele então tirou do bolso de sua jaqueta xadrez um livro pequeno, sentou-se embaixo do que restava da sombra de um carvalho e pôs-se a lê-lo. Sorri e dei de ombros. Ele era realmente bonitinho, mas tinha que me concentrar em física agora. As provas estavam chegando e a última coisa que eu queria era ficar de dependência em alguma matéria. Principalmente em física. Continuei meu rumo sem prestar atenção no que ele fazia (confesso, me segurando...!). Quando havia atravessado completamente a praça, ao colocar meu primeiro pé nos degraus de concreto, acabei por espiar só por um instante. Ele segurava o livro pequeno em apenas uma das mãos enquanto a outra apoiava-o no solo. Entretanto, para felicidade a minha, ele não olhava para a página aberta (Ah... não!) Encarava-me diretamente nos olhos com aquele estraçalhador sorriso de canto de lábios. Um calafrio correu todo meu corpo, fazendo-me ficar arrepiada. Não sei como ele conseguia fazer isso, mas ele conseguia (e diga-se de passagem: muito bem!). Tentei desesperadamente continuar a andar. Pedi para que meu cérebro o fizesse. Meu corpo foi, mas as minhas pernas, infelizmente, ficaram para trás. Resultado: Uma bela tropeçada nos degraus da escada que iriam proporcionar-me, e só perceberia mais tarde, um belo roxo na coxa. O que passava pela minha cabeça naquela hora não era se meu corpo sofria de uma hemorragia gravíssima devido ao tombo. Não! Pouco me importava com meu corpo! Só estava pensando na incrível vergonha que acabara de passar. Por um instante pensei em ficar lá parada até que a escola esvaziasse e todos fossem para suas aconchegantes casas, (principalmente Landon!), mas, depois, desprezei a idéia. Meu reflexo foi de levantar-me o mais rápido que pude e sair correndo sem ao menos olhar para trás. Ainda bem que iria enfiar a minha cara nos livros agora, assim só Isaac Newton poderia rir da minha desgraça.



Veri.
[ história escrita por mim, mas o enrredo criado pela isabela e eu :D Espero que gostem. Começa agora uma nova história!]

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