terça-feira, 22 de julho de 2008

I Can't Let Go - Cap. 8 - Mais do que indiretas

Não tinha feito realmente nada de importante ontem. Eu apenas havia arrumado a minha mesa ao final do dia (o que me fez sentir meio mal em relação ao meu trabalho novo). Mas podemos dizer que ontem havia sido interessante em outros quesitos. Daniel havia me ensinado toda a hierarquia da minha repartição. Coisas como com quem falar, com que não falar, para quem se gabar, para quem enviar os relatórios que você fica cansada de fazer ( o que achei meio maldoso, mas enfim), coisas típicas de um escritório. Não pude deixar de rir ao ouvi-lo acrescentar aos comentários algo como “ Está vendo o cara de gravata púrpura logo ali? Então... Nem pense amiga que aquele aí já tem dono!” ou “ Sabe a mulher com o terninho preto? Sim...aquela mostrando as pernas ... então... é a maior saia do guarda roupa dela, e acredite porque eu reparo!”. Era tanta malícia que era rir para não chorar (ou se intimidar), mas Daniel era realmente muito engraçado. Sabia que ele seria uma das poucas pessoas com quem teria uma boa amizade. Todos naquele escritório pareciam tão fissurados e prontos a lhe passar uma rasteira assim que possível e tomar o seu cargo. Algo que em deixava meio intimidada, admito. (principalmente por que o meu cargo não era lá um dos piores). Mas sabia que eu seu estava lá era por que merecia e ninguém iria desvalorizar o meu trabalho.

Cheguei cedo no meu segundo dia. Joey me disse que queria me explicar exatamente qual seria a minha função na repartição. Eu era a encarregada de manter as relações com as empresas internacionais e com as questões de importação dos produtos. OwnBusiness era uma grande empresa americana que lidava com as importações e transportes de produtos estrangeiros e eu estava em um cargo realmente muito importante. Um errinho meu e os Estados Unidos ficariam sem suco uva francês para sempre , por exemplo. Mas não me preocupava, eu sabia que era boa lidando com pessoas.

Depois da minha conversa com Joey, sentei na minha mesa e ele me passou alguns relatórios das empresas que iria trabalhar e pediu para que eu desse uma pesquisada sobre os produtos em geral, para saber com que estava lidando, então enfiei a cara nos relatórios e comecei a lê-los. Eram páginas e páginas e eu ficava perdida com tantos nomes. Faziam, praticamente, umas 3 horas e meia que estava lendo e a minha cabeça realmente estava girando.

-Está tudo bem aí, colega? – Disse Daniel, sentado no cubículo da frente, ao me ver debruçando naquela pilha de papéis. – Isabela? – Insistiu ele ao perceber que não havia escutado.

- Oi? Está falando comigo? – Disse levantando assustada, olhando para os lados. Daniel começou a rir.

- Sério... Você precisa de um intervalo. Vamos almoçar! Eu estou indo agora. Quer me acompanhar? – Perguntou enquanto se levantava da cadeira e colocava o seu casaco negro. Eu o encarei por um instante tentando processar o que ele havia dito. Estava ficando lenta já.

- Ah, não. Tudo bem. É melhor eu acabar de ler isso de uma vez, por que se eu parar agora é provável que eu não volte mais! – Ambos rimos.- Então eu vou deixar essa para amanha , Dane. Mas obrigado mesmo assim!

- Não há de que! Não quer que eu te traga alguma coisa...- Eu neguei com a cabeça. – Nada?

- Estou bem, muito obrigada. Mesmo! Bom almoço! – Eu acenei de leve enquanto ele andava. Suspirei pesadamente ao perceber que devia voltar a ler aqueles relatórios das empresas.

Acabei descobrindo uma maneira mais fácil depois. Comecei a anotar todos os dados importantes em um bloco a parte então sempre que quisesse teria as informações mais rapidamente. Aquilo realmente me deixou orgulhosa de mim mesma. Então agora eu estava lendo como louca e escrevendo como louca! Talvez eu levasse um pouco daqueles relatórios para casa, iria facilitar muito.

De repente percebi que o escritório havia ficado mudo. Mais silencioso que o normal. Só depois de muito tempo que fui perceber isso, antes só sentia que tinha alguma coisa me incomodando. Mas não me dei ao luxo de olhar. Tinha coisas mais importantes para fazer. Minha cabeça doía e meu estomago realmente estava se revirando dentro de mim. Eu estava realmente com fome ou ele estava se auto-destruindo. Achei melhor ficar com a primeira opção. Mais tarde faria uma pausa de dez minutos para jogar alguma comida para dentro e voltar a trabalhar.

- Gosta de comida chinesa? – Disse uma voz familiar atrás de mim. Familiar até de mais. Virei-me e encarei Landon. Ele estava sentado na mesa atrás de mim segurando nas mãos um pequeno Box de Yakisoba. Parecia que ele tinha uma grande facilidade com os hachis julgando a rapidez com que comia. Foi então que entendi por que o escritório havia ficado tão silencioso. E fazia tempo que estava naquele incomodo, talvez ele estivesse lá a mais tempo do que eu realmente achava. Percebi que a presença de Landon realmente intimidava as funcionárias, algo que achei estranho por que ele era o chefe, não um torturador maléfico ou um pervertido depravado (assim esperava pelo menos!).

-Ahm... Há quanto tempo está aqui me observando? – Eu perguntei delicadamente girando na cadeira, ficando de frente para ele, enquanto mexia freneticamente no lápis no. 2 que segurava entre os dedos. Ele misturou o Box com o par de palitos que segurava e levantou os olhos para mim e para os relatórios sobre a mesa.

- O suficiente... – Ele disse vagamente. Eu retirei meus óculos e coloquei sobre a mesa. Afastei algumas mechas de meu cabelo e o encarei.

- O suficiente para que? – Indaguei. Ele sorriu levemente, provavelmente por não ter uma resposta de cara para a minha questão.

- O suficiente para perceber que está sendo uma funcionária exemplar... – Ele disse a frase meio no ar. - Falando nisso, que relatórios são esses? – Ele disse inclinando-se para o lado tentando desviar do meu corpo e olhar para a pilha de papéis sobre a minha mesa, tentando mudar de assunto. Eu girei a cadeira de volta para frente da minha escrivaninha e reabri os relatórios.

- São alguns dados das empresas que tenho que entender. Preciso ter isso decorado no máximo até segunda! Então, como você vê tenho muito trabalho a fazer... – Disse reticente debruçando sobre a mesa e começando um novo capítulo da “FarmFresh e Laticínios”, esperando realmente que Landon voltasse a sua sala e voltasse aos seus afazeres, coisa que percebi que ele não fez. Paramos de falar por um tempo. Eu lendo o novo capítulo (ou pelo menos fingindo) enquanto ele insistia em comer bem no meu ouvido, algo que já estava me irritando.

- Não quer ir comer alguma coisa comigo?- Ele disse interrompendo a nossa breve pausa de silencio. – Nós podemos sair, não sei. - Eu apenas o encarei de rabo de olho por alguns instantes e voltei a ler.

- Mas você já não está comendo? – Perguntei ironicamente ouvindo-o rir. Não pude evitar de rir também (sem ele perceber é claro).

- Sim, mas percebi que você não comeu nada, então estou lhe dando uma chance única de se alimentar propriamente. – Disse ele levantando-se da mesa trás de mim e vindo sentar na beirada da minha. Eu não levantei a cabeça, apenas olhei para o lado podendo sentir perfeitamente a presença do seu corpo perto do meu. Ele apoiava as mãos sobre os meus outros relatórios, provavelmente só para me irritar. Como ele conseguia ser tão metido? E como ele conseguia fazer isso ficar extremamente sexy? Céus... Suas pernas estavam quase na altura do meu rosto e eu conseguia ver perfeitamente o seu... – E então? – Ele disse me assustando. Desviei o olhar rápido da sua perna e corei furiosamente. Eu estava tendo pensamentos sujos sobre o meu chefe! Isso com toda certeza não estava certo. Eu levantei assustada e peguei meus óculos ao seu lado e meti atrapalhada sobre minha face.

- Não, não. Eu vou lá embaixo ao refeitório rapidamente e como qualquer coisa. - Disse secamente tentando parecer o menos afetada possível e manter a pose. Mas acho que ele percebeu e desfarçou - Muito obrigado mesmo assim. Até mais Sr. Dylar.

- Até mais Srta. Kemper. – Ele sorriu levemente. Eu desviei de suas pernas que ocupavam grande parte do cubículo e sai rapidamente, tentando me passar de durona. Virei o corredor e encostei na parede com as costas. Passei as mãos no rosto nervosamente. Mas que vexame!

Veri.

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