Sete minutos para bater o sinal que anunciava a segunda aula. Resolvi não correr riscos daquela vez. Fechei meus livros e recoloquei-os de volta na bolsa. Me despedi dos meus colegas de estudo e pus-me a caminhar para a aula de química com um dos meus melhores professores, Dr. Willian Nespound. Ele não era só engraçado e legal com os alunos, ele dava simplesmente a melhor aula de química já dada na história! De fato, isso me animava um pouco depois do breve vexame que havia dado há pouco. Mas era melhor nem pensar.
O corredor estava vazio e isso me dava uma estranha sensação de solidão. Ainda mais quando sentia bater aquela brisa gelada que congelava meu pescoço. Era uma estranha sensação de vazio, mas era melhor nem começar a explorar essa caixa de sentimentos obscuros. Dobrei um corredor e continuei a caminhar distraindo-me com o andar do ponteiro dos segundos em meu relógio prateado. Presente de minha vó. Aquilo me fazia lembrar da minha infância no Brasil e o quanto sentia falta daquilo. Meu peito doía de saudade. Meus passos cessaram. Me assustei quando senti em meu braço, uma mão quente que o puxava. Me virei lentamente para ver a que criatura deveria a infeliz honra. Meus lábios se abriram levemente em um suspiro atónito. Nunca havia chegado tão perto de Landon quanto agora. Nem em meus sonhos. (Muito menos neles). Ele sorriu talvez pelo fato de ver o quanto abobava me encontrava. Realmente queria saber o que fazer nessa situação, mas infelizmente o máximo que conseguia foi dizer palavras balbuciadas meramente sem sentido algum.
- Shhhh... – Ele disse-me colocando de leve seu dedo indicador sobre meus lábios vermelhos, fazendo meu coração saltar de meu peito. – Venha! – Ele disse puxando-me pelo braço em direção aos bebedouros, uma parte meio isolada dos corredores. Não relutei, não sei o porquê, deixei que ele me levasse. Talvez ainda estivesse processando a idéia recente de seu dedo sobre meu lábio, ou apenas era para acontecer. Antes mesmo que percebesse estávamos os dois parados olhando um para o outro. Ele parecia tão tranqüilo, tão calmo, como se soubesse o que fazer. Por sua vez, eu não fazia idéia nem se quer do que ele estava prestes a fazer, mas mesmo assim resolvi confiar nele e deixar as coisas como estavam.
Calmamente ele colocou as mãos em meus quadris. Suas mãos eram quentes e grandes, e deslizaram suavemente até as minhas costas. Me dando apoio pare pender para trás e assim o fiz, como uma boneca de pano tentava-me contornar sobre suas mãos. Me sentia protegida. Era incomum, eu sabia, estar nas mãos de um completo desconhecido (está bom, nem tanto) e me sentir completamente segura. Contudo, foi essa sensação que tomou meu ser.
Vagarosamente ele se aproximava e eu não me mexia. Por mais que estivesse assustada com aquilo tudo, eu queria. Tanto queria como estava ali, enrolada sobre seus braços, sentindo o calor de seu corpo e o perfume que ele exalava cada vez mais e mais acentuado.
Os lábios grossos e rubros se aproximaram do meu. Foi então que eu percebi o que estava prestes a fazer. Nenhuma dúvida se quer passou pela minha mente. Era um desconhecido, era tudo repentino, mas eu não ligava. Só queria tocar aqueles lábios com os meus. Assim o fiz.
Toquei de leve se lábio inferior primeiramente, e outro calafrio correu meu corpo, só que desta vez mais forte. Sua pele era macia e eu não contive-me de colocar minha mão em seu rosto. Ele logo colou nossas bocas em um beijo contido, mas mesmo assim gostoso. Talvez ele estivesse tentando ser somente cortês, ou estava pegando leve para não me assustar ainda mais. Não sei qual foi a intenção dele. Só sei que foi bom. Muito bom. Tinha algo de diferente em seu beijo, algo que nunca tinha sentido. Talvez pelo fato que ele estivesse pensando em mim, não só apenas no beijo me atraiu ainda mais. Não sei por que ele havia feito aquilo. Me puxado em um canto e me beijado, mas o que quer que passou pela cabeça dele eu agradeço aos céus por ter passado!
Nossas bocas foram perdendo velocidade até cessarem de vez. Eu não queria me afastar. Não sei se ele queria também, por que ficamos muito tempo imóveis, a uma distancia mínima, só sentindo a respiração do outro, com os olhos ainda fechados.
Suspirei tristemente quando ele finalmente se afastou. Não queria que ele fosse. Ele inclinou levemente o corpo para trás, como em uma tentativa de fuga. Algo que fez com que meu coração pulsasse dolorido. Em um ímpeto, ergui a mão e segurei em seu braço. Como uma oferta de permanência. Ele apenas concentiu com um leve sorriso, e juntou nossos corpos novamente em um abraço caloroso. Minha cabeça recostada em seu peito. Fechei os olhos e comecei a ouvir o pulsar de seu coração. Batia agitado, assim como o meu, me fazendo sentir aliviada, sabendo que ele havia ficado tão nervoso quanto eu. Cada pulsar me afirmava que aquele momento existiu e que foi verdadeiro. Poderia ficar ali em seus braços para sempre, mas infelizmente o tempo é inimigo. Um barulho estridente cortou meus pensamentos. Era o sinal. Era hora de ir. Ergui meus olhos para os seus, lentamente. Ele se encontrava, previamente, olhando para mim. Com um sorriso dolorido ele afastou nossos corpos. Eu apenas o assisti nos distanciando, como se negasse o que havia acabado de ocorrer.
-Eu... eu preciso ir. – ele disse quebrando finalmente aquele silencio entre nós. Eu suspirei e sorri triste. Não havia nada que pudesse fazer, apenas deixá-lo ir, se era o que realmente queria.
- Então... vá. - disse encarando desapontada, seus olhos. Ele sorriu, beijou de leve minha testa, esquivou-se do meu corpo e sumiu nos corredores. Eu fiquei ali. Imóvel. Sem saber para onde ir ou o que dizer. Sentia um incrível nó na garganta. Um sentimento renegado. Uma façanha que não poderia dar-me o luxo de cometer: chorar. Então eu apenas engoli as mágoas peguei a mochila que jazia no chão e misturei-me a aglomeração de pessoas nos corredores. Me senti assim naquela hora: apenas mais uma na multidão. Se era assim que queria, não iria relutar aos seus desejos. Apenas acabou antes mesmo de começar. Apenas um momento fulgaz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário